Quarta-feira, 27 de Março de 2013
LVIII

Roubar livros. Manguel, na sua história da leitura fala deste ato de amor que é entrar numa biblioteca e querer guardar junto a si, como o avarento faz ao ouro, volumes de pensamento. Há no ato de roubar um livro uma avareza diferente, quase nobre. A não ser que não seja pelo livro, mas pelo dinheiro que ele vale. Aí, a poesia cai por terra. O ladrão que rouba livros raros não ama aqueles objetos mas um número. Não perde horas a folhear a sensualidade de um corpo que representa mais que aquilo que é. Roubar livros que são de todos é sempre um crime contra todos, mas prostituir tais objetos de desejo é um crime contra o que de mais profundo alguma vez brotou das mãos dos homens. Nem sequer há a atenuante de ter sido um crime passional.

publicado por Manuel Anastácio às 19:08
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