Terça-feira, 22 de Maio de 2012
O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte

Vencedor da Palma de Ouro em 1962  (tendo vencido a filmes de Antonioni, Satyajit Ray, Bresson entre outros, com um júri presidido por Truffaut!) e nomeado para o Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, “O Pagador de Promessas” é um filme de forte conteúdo político, baseado numa peça de Dias Gomes, autor confesso de esquerda, mas que não deixava de ser crítico em relação à apropriação dos sonhos dos simples pelos que se julgam salvadores do (seu) mundo, incluindo, também, os camaradas da reforma agrária.  A fé de Zé do Burro, sincrética e confusa, como qualquer fé, incluindo a dos Santos, segue em direção à Terra de todos eles, em paga da cura do seu melhor amigo (e quem seria ele?) por Iansã, Santa Bárbara, ou como que lhe queiram chamar, para encontrar apenas o caminho do sacrifício.

 

Exemplo magnífico de uma cinematografia tão mal conhecida em Portugal, mas para a qual estamos tão receptivos, como se tem visto ultimamente, pode ser visto amanhã no Cineclube de Guimarães – no São Mamede, ainda na onda quente de Salvador da Bahia, na mesma sala onde ainda há pouco mais de um mês víamos a antestreia de “Capitães da Areia”. Uma oportunidade a não perder, oxente! Entrai no terreiro de alma aberta. Ah, e aproveitem para se fazerem sócios do mais antigo Cineclube de Portugal, já agora.

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publicado por Manuel Anastácio às 00:50
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4 comentários:
De glaucia lemos a 22 de Maio de 2012 às 18:24
O Pagador de promessa" foi filmado aqui em Salvador, na bonita escadaria da Igreja do Carmo, localizada em área chamada Centro Histórico, cuja arquitectura é tombada, por ser representativa das construções à época da colonização. Área habitada por pessoal de muito baixa renda que transforma os casarões antigos em moradias colectivas , chamadas "cortiços". À noite zona de baixo meretrício e tráfico de drogas. Durante o dia bem policiado para permitir q as famílias tenham relativa segurança por causa do acesso ao Pelourinho, q fica vizinho e é atracção turística, também porque ali se localizam pequenas lojas de materiais utilizados em artesanatos Anos depois O Pagador de Promessa foi refilmado , com outro elenco. Leonardo Vilar havia falecido e José Mayer fez o Zé do Burro, outros atores tinham envelhecido etc, filme político, vc viu, e o final apoteótico é significativo, o sacrifício do Zé do Burro e a vitória do povo ao ingressar na igreja. Um momento em q um anónimo dirige-se ao Zé e o trata por "camarada" é emblemático da posição política do Dias Gomes, q todos sabemos ter sido comunista. Revendo agora, fiquei surpresa e me senti traída pelo meu inconsciente quando dei ao pescador do meu livro "Vou te contar..." o nome de Zé e uso a expressão "camarada" todo o tempo no texto. Talvez meu inconsciente tenha andado misturando reminiscências deste filme q muito me impressionara, . Minha intenção neste comentário foi falar da Bahia na locação dada ao filme, aproveitando a deixa. Um beijo, camarada .
De Manuel Anastácio a 23 de Maio de 2012 às 14:24
Que comentário! Há, nestes diálogos, verdadeiras revelações.
De glaucia lemos a 24 de Maio de 2012 às 01:12
Manuel, que revelações será q fiz ? Não falei mal de terceiros, ou será? e sabe q falei q mentiria ao ilustrador, de brincadeira, nunca o faria, sabe q sou uma pessoa verdadeira. Insisto nisso porque não gosto q alguém possa pensar q sou capaz de hipocrisia, defeito q abomino. sim, e o q terei revelado?
De Manuel Anastácio a 24 de Maio de 2012 às 01:17
Falava de revelações a respeito da própria obra da Gláucia. E a influência que o cinema tem na sua obra quando, à partida, assim não parece. Se bem me lembro, o "Bichos de Conchas" começou também com uma imagem de um filme. Quanto à ilustradora... Gláucia, eu nem a conheço... perguntei aquilo sem intenção de a assustar. Assim fico arrependido de o ter feito.

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