Segunda-feira, 6 de Março de 2017
Todas as águas

Aqui é primavera.

O inverno espreguiça-se, contrito.

Pede perdão enquanto morre.

As árvores explodem no grito

Aflito do tempo. Os minutos escorrem, húmidos,

Frios, sujos e vivos como o rio

Onde desaguam, como dejetos, os adjetivos.

Aqui é primavera e deus não quer saber dos vivos.

Limita-se a dar corda ao mecanismo

- motor imóvel do vazio.

As aves devoram o abismo e a madrugada.

Os gatos choram no cio. A vida acorda transtornada.

Aqui é primavera, mas deus não deu por nada.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:28
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