Domingo, 22 de Setembro de 2013
Limite
En Puntas (excertos), de Javier Pérez

Ergues sofrimento em aura de libertação,

Detestando cada passo que dás,

E que arriscas

Em rígida compostura de concentração.

Disciplinas os teus passos,

Com o metrónomo da castração.

Riscas, perfuras, afundas.

Verticalizas em ansiedade,

As vertigens mais profundas. Justificas

A digna escolha da tua prisão,

E, em verdade,

Dás-nos o espetáculo da tortura,

No teu verde vício de procura,

A que te submetes docemente, com ódio na garganta.

És o teu pior carrasco.

Por isso dizem que és bela e que és santa,

no teu porte de oferenda em sacrifício.

No inocente exercício de ser criança.
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publicado por Manuel Anastácio às 12:37
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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013
Resignação solene

É triste.

Mas resignei.

A partir de hoje abandono a presidência.

Não porque a não mereça,

 

Mas porque não me merecem a mim.

 

Ficai na vossa maledicência.

Passai o tempo como vos aprouver,

a matar, torturar, restringir.

 

O mundo é vosso.

Não meu. Resignei.

 

E como não merecem mais versos,

porque a poesia é para quem a merece,

e quem a merece não a lê...

 

Fodei-vos.

 

Ao menos, podem ter a sorte de ter prazer.

Ou talvez não. 

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publicado por Manuel Anastácio às 21:16
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