.Últimos bocejos

. Todas as águas

. Todos os poemas

. Hold back your love, Whit...

. Hallelujah Money, Gorilla...

. 4

. 3

. Love & Hate, Michael Kiwa...

. T-shirt weather in the ma...

. Yonkers, Tyler, the Creat...

. 2

. 1

. i

. Anacreonte

. Educação do meu imbigo

. Voltei! Ou talvez não (co...

. Uma arte, de Elizabeth Bi...

. Uma arte, de Elizabeth Bi...

. Manual de Etiqueta e boa ...

. Aurora dos Pinheiros

. Versículos angélicos

. (19/01/2014)

. Cristianismo

. Arbeit macht frei

. Isso

. Limite

. Resignação solene

. LXXVIII

. Florentino Ariza num dia ...

. I've seen horrors... horr...

. Se bem me esqueço

. Enciclopédia Íntima: Pátr...

. LXXVII

. Experimental como o desti...

. Ruy do car(v)alhinho

. LXXVI

. Overgrown, James Blake

. MS MR - Hurricane

. Buscas pedidas: "filmes s...

. Para Thatcher

. S&M

. LXXV

. Mails da treta: Ímans e a...

. LXXIV

. Agnes Obel

. Amar, casar, perverter

. LXXIII

. LXXII

. LXXI

. Amar é dizer parvoíces

. Orgasm (Rock Cave), de Cr...

.Velharias

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Agosto 2016

. Maio 2016

. Janeiro 2015

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Janeiro 2006

. Novembro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Março 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

. Dezembro 2003

Domingo, 29 de Maio de 2011
Irresponsabilidade

Tudo apodrece à nossa volta, é verdade.

E todas as promessas se diluem

Na atmosfera, em ondas que se afastam.

Tudo é sonho.

Tudo é mentira.

Tudo decai.

Tudo permanece em semi-vida

E de tudo irradia aniquilação.

As flores murcham no seu prazer e os frutos ficam só pelo rascunho

De um carpelo murcho e atrofiado.

Tudo permanece em silêncio, amarrado a silêncio,

Tudo silenciado, a não ser o gesto.

O teu gesto de ser, de avançar,

De acreditar sem esperar.

Tudo é esperança, tudo é lembrança,

Tudo é passado, destruído, arrasado,

Tudo morre à nossa volta,

Tudo nasce com a certeza de que terá fim.

É por isso que não somos tudo.

Estamos à parte. Tudo à nossa volta morre.

Menos nós. Ainda mais quando antecipadamente

Já morremos.

Porque a nossa decadência é a seiva que perfuma o ar

De um instante que outros sorverão com nostalgia.

Morreremos, também, um dia.

Mas outros por nós viverão

E aspirarão o doce odor da nossa irremediável, irresponsável

Utopia.

É por esse instante, que sendo nosso,

Não viveremos, que prestamos, em silêncio,

O nosso rito, enternecido,

A um Deus de Amor que é um grito.

Há no nosso sonho aflito

O renascer de um Deus para nós desconhecido.

Tudo é sonho.

Tudo é, à partida, perdido.

A não ser que o queiramos agarrar sem o merecer primeiro.

E só o merecemos se o deixarmos por nós esperar.

Tudo morre, tudo é sonho.

Tudo.

Menos nós, que não somos tudo.

Somos a parte de tudo dar.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 21:57
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (1) | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Há dois anos atrás não sabia nadar, yô.

 

Hoje, desenrasco-me.

 

Duas vezes por semana, mergulho sem vontade, ou muito cedo ou ao fim do dia, nas piscinas do Vitória (antigas piscinas dos Bombeiros) e saio de lá de alma lavada, com vontade de ficar a flutuar ali como se não houvesse amanhã, nem política, nem testes para corrigir, nem actas (atas) por escrever, nem relatórios, nem formulários, nem mails, nem males, nem a sombra da miséria, nem crianças a morrer de fome lá longe, nem a minguar de fome aqui perto (e não estou a exagerar, há disso por muito que custe a ouvir ao Senhor Magalhães aqui do bairro). No Verão, passei de não-frequentador de piscinas e afins, no mais fanático chapinhador. Estou sempre à espera que alguém deixe cair uma moeda, uma pulseira ou os óculos de natação (de que eu não prescindo) no fundo. E eu atiro-me, como aqueles miúdos do Terceiro Mundo que se lançavam ao atracar dos navios quando os milionários atiravam moedas para o abismo só pelo espectáculo de (não) vê-los a subir à tona. Sempre recebi agradecimentos, graças a Deus. Mas ali,vendo as traves do tecto, flutuo como o Nanni Moretti no "Palombella Rossa", entre as desilusões do mundo - as que ainda não conhecemos, porque esquecemos - e as que sabemos de cor, como as cenas mais sentimentalmente cruas do "Doutor Jivago" (que já recomendei ao Tiago, porque nem só de Eisenstein vive o Homem).

 

Ainda não sei nadar bem de bruços e ainda dou os primeiros passos na mariposa. Tenho uma rigidez nas pernas que ninguém sabe explicar. A pernada de bruços exige descontração. E eu sou tenso como os diabos. E sempre que exijo demais das pernas, tenho cãimbras que me tornam as barrigas das pernas grávidas como se de lá fossem sair alguma Atena de capacete. A professora diz para eu comer bananas, por causa do magnésio-ou-sei-lá-o-quê. O professor é mais paciente (em termos profissionais, os homens são mais pacientes, não são?). Apenas diz que com a prática tudo vai ao sítio. Comecei a fazer cambalhotas para virar há coisa de poucos dias e dou sempre com as pernas ao lado. Mas há dois anos, não sabia nadar, yô.

 

Hoje, posso ser um empecilho para uns gajos que têm ar de quem vai votar CDS (vê-se pela pinta), mas prometi, em conversa de balneário, que para a próxima faria tudo para engonhar ainda mais na piscina enquanto aqueles tipos que fazem mariposa como se fossem levantar voo tenham de fazer golfinho assim que as suas trombas experientes baterem nas minhas pernas rígidas. O professor disse para ficar mais uns bons minutos a treinar a pernada de bruços. E os gajos amandaram-se à água e fingiram que não estava mais ninguém. Da primeira vez, julguei que estava a atrapalhar profissionais. E eles tudo fizeram para confirmar a minha ideia. E eu, atadinho que sou, saí da piscina. Hoje, o gajo com cara mais CDS-PP ficou ali especado à espera que eu saísse. Não há maior insulto que esse. Nasceu dentro de uma piscina e julga por isso que é dono da mesma. Do género "estou à espera que os amadores saiam". Era uma lambada naquela tromba de personagem de romance de literatura light, que ele não se punha direito enquanto não lesse "Os Esteiros" do Soeiro ou "As Vinhas da Ira" do John. Mas não. Voltei a sair. Não sou gajo de luta. A minha luta é outra. Sou de esquerda, mas reflicto antes de usar cocktails molotov. Da próxima faço mais quarenta e cinco minutos de pernas de costas. Ando 5cm/h, a não ser que consiga relaxar os músculos do pescoço, o que para mim é difícil, habituado que estou a curvá-lo, mais por gentileza ou vergonha na cara que por submissão. Mas os outros não entendem assim. É por isso que vou engonhar da próxima vez. Há greves que ainda fazem sentido.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 00:22
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
Poluição - e um texto de Tiago Peixoto

Ninguém me pode acusar de usar as minhas aulas como palanque político. Sempre que falo de política (e nas aulas não faltam motivos para isso), sou sempre imparcial. Agora se um aluno meu me faz questões em privado sobre as minhas opções políticas, não deixo de responder de acordo com as minhas convicções sem que deixe também de apontar os defeitos que são transversais ao ser humano e que facilmente deturpam as mais nobres ideias políticas. Muitos erros, e dos piores, foram cometidos em nome dos ideais de Esquerda. Mas também o Cristianismo deu origem a fogueiras humanas e intolerância durante séculos, sem que se possa imputar tais crimes ao próprio Cristianismo, mas a quem o usou como emblema da sua intolerância. A CDU pintou a escadaria da Universidade de Coimbra. Confesso que se fosse o Bloco de Esquerda, seria eu o primeiro a revoltar-me. A política não deve conspurcar o Património, mesmo que tenha sido erigido pelos ideais fascistas. O Património, as pedras lavradas, não têm culpa. E pintar murais em locais que são de todos irrita-me. Nisso ponho-me do lado dos capas negras e demarco-me do camarada Jerónimo de Sousa: há mais formas de passar a mensagem, sem que se ofenda a retina. Mas entre a poluição visual de um mural que pode ser limpo sem problemas e descargas ilegais e poluentes em cursos de água, como foi feito por uma empresa então gerida por Passos Coelho (ao qual se junta a desvalorização do caso por este senhor), creio que os murais serão um caso menor.

 

Passo ao texto de um meu aluno (de quem já aqui falei), devidamente assinado, e a seu pedido:

 


A "festa" das Legislativas está ao rubro, principalmente entre o "Círculo do Poder" (já explico porquê), ao qual eu gosto de chamar "círculo da troika".

Para começar, uma breve nota:
- Troika, o que significa?
Pois bem meus caros, depois de ter investigado, eis o que encontrei:
 "Troika é uma palavra de origem russa que pressupõe a existência de uma equipa de 3 membros, no caso actual, 3 entidades.
Na Rússia, é usada para descrever uma carroça que é puxada de por 3 cavalos..."
 
Parei logo aqui, pensei, "Aqui está". É uma proeza igual a tantas outras que as Línguas nos trazem, onde, embora o contexto mude, os significado e a grafia da palavra permanecem intactas.
Era aqui que eu queria chegar, a infame "troika" é uma força de 3 cavalos: FMI, BCE, Comissão Europeia, que veio para nos puxar, para puxar a carruagem que é Portugal. Veio para nos puxar para os pés do Rei, o deslumbrante Capital. Não é ao acaso que lhe chamei de Rei. Chamei-o de tal modo, pois, assim como na Monarquia, o povo suporta o resto da nação, e é o que menos direitos tem. Vejam, outra proeza da Língua.
A "troika" ajuda-nos a chegar ao Reino do Capital, indo pela auto-estrada da injustiça, passando pela portagem da austeridade, mas não se preocupem, o povo paga.
Termina aqui a minha nota, mas começa a minha ideia.
Era nestas alturas que eu gostava de ver Freud vivo. Seria interessante ver a sua psicanálise ao Dr.Portas, pois a mim custa-me imenso compreendê-lo . Gostava que Freud me explicasse, talvez não num ensaio, mas numa obra de três volumes, como é que alguém que sabe o que se vive, já por isso está nas feiras, alguém que sabe as dificuldades que esses mesmos, ou seja, nós, enfrentámos assina um documento de aprovação da nossa viagem ao Reino do Capital.
Gostava de ver Freud a explicar no seu segundo volume, a definição da "Defesa do Povo" do Dr.Portas...Ah, não precisamos de retirar Freud da sua paz eterna (seja ela no Céu, ou onde quer que seja). Basta ir-mos à página 339 de "O meu primeiro Dicionário" da Porto Editora, e lermos a primeira palavra: Hipocrisia.

Nem mais. Definição: Fingimento de Qualidades para esconder defeitos. O discurso cheio de moralismos do Dr.Portas, não passa disso: Hipocrisia.

Aqui está, já estou a falar do Círculo do Poder, ou pelo menos os Círculo das Sondagens, ao qual eu gosto muito de analisar e de me rir quando vejo a sua amostra de entrevistas.

Podemos agora passar para os laranjas e os rosas.
A campanha não passa disso:
Insulto vai, volta, novo insulto vai, volta...sucessivamente. (Grande ideia terem posto campanhas eleitorais em sítios diferentes, quer dizer, má ideia para os fãs de luta livre). Mas a verdade é que esses insultos são facas que têm como objectivo tornar o laranja e o rosa em preto. Mas no meio está o Povo, e este leva com as facas todas...

Curioso: 3 partidos, 3 candidatos, 3 discursos moralistas e defensores do povo, 3 canetas a subscrever a carta verde da desgraça.

Não vou falar dos outros 2 partidos, pois me chamariam de utópico e diziam que precisava de ir para as Novas Oportunidades.
Uma psicóloga disse-me: "Tu tomas decisões mais rapidamente através do que o que vês fazer, do que o que vês (ou ouves) dizer."

Espero que isso aconteça 5 de Junho, caso não, boa viagem, levem comprimidos para as dores...desculpem, para a carteira.

Tiago Peixoto

publicado por Manuel Anastácio às 08:44
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (1) | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
XXIII

Ver a política como um jogo é semear insensibilidade no coração.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 00:13
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 21 de Maio de 2011
Excertos de correspondência privada. O RSI e o vício

Em resposta a uma pergunta que me fizeram, educadamente, sobre o pessoal que vive preguiçosamente do RSI (e não vou discutir aqui se isso é possível ou não) e, mais que preguiçosamente, que passa o dia a fumar. Essa imagem muito utilizada pelos detractores do RSI ou Rendimento Social de Inserção está muito enraizada no imaginário político português. Muita razão há, infelizmente, neste outdoor do Portas:

 

Uma verdade pode servir para autenticar a mentira? Há cada vez mais pessoas a pensar como eles, pois há. Isso não significa que pensem bem.

 

Segue-se um texto que escrevi em reposta a uma pergunta que me foi feita. Procedi a algumas alterações. Não é um texto com valor literário, mas creio que mais vale estar aqui do que na caixa de correio.

 

Os vícios são do domínio privado e, desde que não interfiram com a liberdade dos outros, são da responsabilidade dos próprios. O moralismo é um caminho perigoso e não cabe ao Estado julgar o estilo de vida das pessoas, a não ser que seja um estilo de vida criminoso. Todos nós temos ou teremos vícios... Claro que se uma pessoa usa o dinheiro de um subsídio que deveria servir para alimentar os filhos para alimentar um vício pode, e deve ser, denunciada como negligente, porque nesse caso é a vida dos filhos que está em jogo. Agora, se a pessoa usa o dinheiro do subsídio, que deveria servir para se alimentar e ter uma vida digna, para sustentar um vício, isso é da sua própria responsabilidade, arcando com as consequências da sua decisão. Pensar que os vícios se curam à força é piorar o problema. Uma pessoa viciada em drogas e "preguiçosa" não vai deixar de se drogar nem começar a trabalhar se lhe tirarem o RSI. Antes pelo contrário. Como deixa de receber esse subsídio, irá recorrer a meios marginais de obtenção do dinheiro necessário para sustentar o vício, ou seja, prostituição, crime, economia paralela... Enquanto recebe o RSI há, contudo, mesmo que pequeno, algum acompanhamento da Segurança Social que poderá ter um efeito benéfico na forma como as pessoas encaram a vida. As pessoas recorrem muito à imagem de alguém a fumar à custa dos contribuintes. É um hábito que não é saudável, mas a verdade é que o alcoolismo é um problema de saúde pública muito maior e com consequências ainda mais destrutivas para as famílias que o consumo de tabaco ou mesmo de haxixe... o uso de drogas por parte do ser humano é quase biológico. É fácil entrar no discurso "quem não tem dinheiro não tem vícios", mas isso é um discurso perigoso, porque se o Estado abandona as pessoas à sua sorte porque passam o dia no café a fumar em vez de aceitar um trabalho qualquer, estaremos a empurrá-las para um estilo de vida que será ainda mais penalizador e caro para o Estado e para a Sociedade (repara nos índices de criminalidade que se irão suceder à medida que os cortes impostos pelo FMI forem aplicados). Os vícios dos pobres (fumar) são coisa pouca em relação aos vícios dos ricos (snifar cocaína). O moralismo é típico de pessoas que também alimentam vícios, mas de forma clandestina - enquanto que o preguiçosos do RSI o fazem publicamente. Há muito de hipocrisia nesse discurso. Bin Laden era contra "a exploração do corpo da mulher na civilização ocidental" e, vai-se a ver, tinha uma bateria enorme de filmes pornográficos. O Diretor do FMI, por sua vez, abusava de mulheres de posição social inferior (e o mesmo se passa com muitos políticos portugueses que também têm o discurso moralista mas, depois, procuram serviços de prostituição infantil, como é do conhecimento público, ainda que faltem as provas incriminatórias ou magistrados que não estejam unidos por laços de irmandade maçónica).

Podes concluir então que eu digo que não se pode fazer nada para "moralizar" a sociedade... Creio que há muito a fazer. Mas não na sua moralização. O importante é apostar na responsabilidade cívica. E a responsabilidade cívica desenvolve-se quando as pessoas têm condições de vida dignas (lembro-me do caso do Canadá, onde os índices de criminalidade são residuais e as razões são óbvias: os bairros sociais são locais dignos, bem conservados, por exemplo). A miséria não torna as pessoas mais trabalhadoras. Ninguém no seu juízo perfeito prefere ficar o dia inteiro a fumar no café em vez de trabalhar. Mas o juízo não se compra na farmácia. O caminho está na valorização de quem trabalha.

Paulo Portas diz uma verdade: "é injusto que um trabalhador honesto sinta que mais valia estar a receber o RSI e passar o dia a fumar no café"...

Isso é verdade, mas qual é a solução dele? Dar senhas de alimentos - assim as pessoas vão receber aquilo que necessitam para sobreviver, em vez de gastar tudo em tabaco e cerveja... Será? Não, não será assim. Muitas dessas pessoas, por vergonha, não usarão essas senhas (como eu disse, o juízo não se compra na farmácia - nem a falta de vergonha), fazendo eventualmente os filhos passarem fome, já que ir buscar comida com senhas é uma forma de humilhação que a maioria não vai aceitar. E como já disse, não é isso que irá fazer as pessoas abandonar os vícios. Mas vamos imaginar que sim. As pessoas, nessa situação, iam abandonar os vícios e aceitar trabalho... Ora bem... É mesmo isso que a direita quer. Uma quantidade assinalável de pessoas dispostas a trabalhar e a fazer tudo e mais alguma coisa, ao mesmo tempo que os salários diminuirão. Como há muita gente a procurar trabalho, paga-se menos. É uma lei económica selvagem típica do capitalismo e que serve para a escravização total das pessoas, fazendo-se a transferência directa da riqueza produzida pelos trabalhadores para o Capital... acontece que na verdade as coisas depois não acontecem dessa maneira, porque a criminalidade aumenta (e com ela, os vícios) e a sociedade, em vez de se tornar mais solidária, ergue muros, torna-se mais preconceituosa, racista, o ódio começa a espalhar-se e, com eles, erguem-se as políticas de extrema-direita. Procura-se controlar tudo com mais polícias e penas mais pesadas. Mas isso só cria mais revolta. A indignação que até ao momento era expressa por palavras e manifestações pacíficas, passa a ser violenta. Queimam-se carros, partem-se vitrines e montras de loja. O caos selvagem. É uma avalanche que começa pela falta de solidariedade disfarçada de moralismo. O que eu te estou a dizer não é uma opinião. É aquilo que a História já demonstrou que acontece em sociedades repressivas e moralistas. Pensa só na Lei Seca nos EUA: acabou com o vício do alcoolismo? Antes pelo contrário! Tornou a venda de álcool na actividade mais rentável da altura, com toda a espécie de crimes e vícios relacionados: prostituição, jogo ilegal, violência...

Mas qual é a reposta da esquerda para a tal verdade verdade do PP: "é injusto que um trabalhador honesto sinta que mais valia estar a receber o RSI e passar o dia a fumar no café"? Simples. Em vez de empurrar o preguiçoso para uma marginalidade maior ou para a exploração selvagem por parte do Capital (o que teria como efeito a pioria da situação do trabalhador honesto que veria o seu salário a descer porque haveria mais pessoas dispostas a fazer o seu trabalho por menos dinheiro), deve-se apostar na valorização e dignificação do trabalho do trabalhador honesto. O único caminho é dignificar o trabalho, dar às pessoas um salário justo. Se assim for, o trabalhador honesto deixará de olhar com inveja a vida ociosa de quem tem a lata de passar o dia a fumar no café. Ou deveria. Se pensasse em tudo o que está em jogo.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 22:43
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
Nota sobre o poema "Jogo"

Há neste meu poema uma forte componente doentia que não deve, jamais, ser interpretada como apologia da perversão. Escrevi o poema movido por sentimentos puramente ideológicos, procurando transmitir aquilo que, do meu ponto de vista, pode motivar os comportamentos depredatórios de quem se alimenta com a inocência de um povo pueril que aceita submeter-se a abusos sustentados pela mentira e pelo medo. No fim, depois de publicar o poema, vi, horrorizado, como se parece com a provável página de um diário de um pedófilo demente. Por uma razão. Porque há no discurso que o povo aceita e de que comunga, o mesmo medo inocente que faz calar as vítimas dos mais violentos abusos.

publicado por Manuel Anastácio às 23:44
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Jogo

Filhos da opressão e do silêncio

Filhos da ingratidão

Geramos, adoramos  com incenso

A imensidão,

Perversa mansidão

De inerme inconsciência.

Um lenço

Cai,

Como a Inocência,

Das mãos de uma criança,

E penso:

Cai,

Primeiro passo de dança.

E vai, tens de apanhar o lenço antes do outro,

Vai.

Avança

Joga. Humilha. Apanha o lenço imenso

Que cai das mãos dessa criança.

Vai. Avança. Enquanto todo o sonho contido no sorriso que vos unia antes do jogo

Se esvai.

Cai.

Vai.

Avança.

Não penses. É apenas um lenço que cai

Das mãos de uma criança.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 23:20
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Domingo, 15 de Maio de 2011
XXII

Aquilo a que eu chamo Eu não reside nem vive em mim.

publicado por Manuel Anastácio às 21:10
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (3) | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Artigo do Le Monde sobre o Vale do Ave

No norte do país, a crise económica eclipsa a contenda  presidencial

 

Em ruínas, a fábrica de têxteis “Sociedade de Fiação de Vizela” e os retratos dos fundadores.

Reportagem, Porto, Enviado especial (Jérôme Fenoglio)

 

Os últimos dias de campanha eleitoral nacional trazem, invariavelmente, de volta os candidatos à quadra norte de Portugal. Pensa-se que o calor do acolhimento pode dar origem às imagens que melhor poderão influenciar os últimos indecisos. Antes da primeira volta da eleição presidencial, domingo, 23 de Janeiro, Manuel Alegre, candidato do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda concluiu, assim, o seu percurso com um encontro, sexta feira ao final do dia, no Porto. Um dia antes, o cessante presidente da República e grande favorito do escrutínio, Aníbal Cavaco Silva (Partido Social Democrata, centro-direita), tinha tomado o mesmo caminho.

 

Estes banhos de multidão arriscam-se, contudo, a serem submergidos domingo por uma maré de abstenção. O [ilegível (…))] eleitorais e também a região que concentra todas as dificuldades de um Portugal entravado pela sua dívida e sem grande coisa para vender. Durante muito tempo, era nestas terras industriosas que repousava a saúde económica do país. Passados os anos, não alimentam mais que os prejuízos do fecho de empresas. “Durante décadas, o Porto foi a capital do trabalho”, diz João Torres, responsável local do sindicato CGTP, “hoje, é a capital do desemprego”. “Portugal afasta-se economicamente do resto da Europa e o Norte separa-se do resto do país”, constata, pelo seu lado, o sociólogo João Teixeira Lopes.

 

Este declínio mantém-se particularmente  num triângulo com cerca de quarenta quilómetros de lado, entre Porto, Braga e Guimarães. Uma microrregião de vales verdes e crises profundas. Aí, à margem do Rio Ave, desenvolveu-se uma indústria têxtil pouco depois da queda desta actividade em França e no Reino Unido. “ O sector descolou nos últimos tempos da ditadura, relembra M. Teixeira Lopes. O seu modelo baseia-se numa mão de obra abundante, pouco qualificada, mal paga e com recurso frequente ao trabalho infantil. Com esta especificidade: nesta região rural, os operários complementam muitas vezes o seu salário com uma pequena actividade agrícola”.

 

A paisagem é, aliás, marcada por esta “rurbanização” antes de tempo. Neste tecido densamente povoado as casas derramaram-se pelos campos, as fábricas implantaram-se nos recantos dos prados, nas covas dos vales, no coração das aldeias. No seu carro, Adelino Mota, antigo trabalhador do sector aponta as chaminés sem fumo com a amargura do guia que não tem mais a relatar além de perdas. À direita, uma fiação que dava trabalho a 500 trabalhadores fechou há dois anos. Uma parte da sua produção foi deslocalizada para o Paquistão, onde a concorrência, juntamente com a de outros países como da Ásia e do Magrebe, levou ao fracasso do sector. Mais à frente, outra unidade fechará em Março. Os seus 150 trabalhadores foram já convidados a deixar os seus postos. No parque de estacionamento, as raras viaturas são as dos técnicos que vieram desmontar as máquinas.

 

“O sector já conheceu grandes crises”, diz Adelino Mota, “mas nesse tempo, as pessoas conseguiam restabelecer-se. Despedido nos anos noventa, depois de vinte anos na indústria têxtil, reconverteu-se para a construção civil e depois, para os transportes. “A diferença, hoje, é que esta crise é geral. Não encontramos trabalho em mais lado nenhum”. A construção civil foi abaixo, a indústria química ou siderúrgica nos arredores do Porto foi também batendo as asas. A pesca foi desmantelada pela destruição subvencionada de mais de metade da sua frota. A agricultura não assegura mais, na maior parte dos casos, que alimentos de subsistência para os desempregados dos têxteis. A válvula da emigração já não funciona. Muitos dos que tinham partido para Espanha à procura da sua sorte na construção regressaram com a explosão da bolha imobiliária.

No vale do Ave, espalham-se novas formas de actividade, de modo a baixar o custo do trabalho. Como a deslocalização interna da mão-de-obra. “As fábricas sobreviventes recorrem a subcontratados que passam eles mesmos a comandar todo o género de pequenas estruturas”, explica António Peixoto, de 54 anos, despedido em 2009, depois de 36 anos de trabalho. “Aqui, chamamos-lhes ‘empresas de corredor’ porque são muitas vezes instaladas em casas de habitação. Recorrem aos desempregados, pagando-lhes à tarefa, sem nada declarar. O salário é inferior ao mínimo legal [485 euros mensais], mas os patrões deixam claro que é um suplemento aos subsídios”.

 

O procedimento revolta António como uma tentativa do patronato local para obter a redução dos subsídios de desemprego, de modo a dissuadir os trabalhadores a procurar emprego. Critica a imperícia dos dirigentes que nunca reinvestiram o suficiente de modo a sair do modelo baseado na mão-de-obra pobre. De facto, os empresários que sobreviveram, nomeadamente no sector do calçado, foram aqueles que apostaram na qualidade. São estes que estão na origem de um ligeiro aumento nas exportações, depois de vários anos em queda.

 

Mas isto está longe de ser suficiente num Vale do Ave que se afunda, segundo António, numa “apatia generalizada”, com recurso à solidariedade familiar sem qualquer tipo de movimento social. Nestas terras profundamente católicas, onde os sindicatos pesam pouco frente ao paternalismo patronal, a revolta nunca esteve na ordem do dia.

 

Tradução de um artigo do Le Monde onde falam alguns dos meus amigos do Bloco de Esquerda de Guimarães e Famalicão, já que ninguém se propôs, antes de mim, à tarefa. A tradução sofre provavelmente de várias falhas. Peço aos meus camaradas para me indicarem se fiz algum erro grosseiro.

publicado por Manuel Anastácio às 18:40
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
Deixem passar o Homem Invisível, de Rui Cardoso Martins

Rui Cardoso Martins. Um dia, li um texto dele sobre a campanha de má memória do nefasto presidente que sobre nós paira com conselhos paternais de responsabilidade.

 

- Algo contra a responsabilidade?

- Nada, camarada, é responsabilidade mesmo que eu quero, mas não aquela de quem só a tem para proveito próprio.

 

Partilhando esse texto, que me fez vir as lágrimas aos olhos, a Maria Helena deixou-me o aviso de que algo me andava a escapar. Um livro deste autor, chamado "Deixem passar o Homem Invisível". Eu prometi procurar o livro. Mas a Maria Helena, mais célere na sua bondade sem limites, ofereceu-mo com o equinócio da Primavera e com as amêndoas pascais da doce amargura do cíclico renascimento do sol e da flora. No estado sonâmbulo em que me encontro, levei tempo a lê-lo. A responsabilidade de o comentar atrasou-me o gesto de o abrir. Este fim de semana, a caminho da VII Convenção do meu partido, onde tive a honra de ser um dos delegados, e como sou bom leitor de autocarro, escorreguei literalmente pelos canos deste sonho maior que a vida. Porque há sonhos maiores que a vida. Há filmes maiores que a vida. Há gestos maiores que a vida. Há livros maiores que a vida. E Rui Cardoso Martins é autor de um destes. Não é pela originalidade de um livro que, em muitas coisas, se assume como uma paródia à escrita de Saramago, seja o do Ensaio sobre a Cegueira seja o do Memorial do Convento. "Cegos são pessoas que não vêem, na minha opinião", abre ele num sorrido ácido e amargo disfarçado de tautologia. Disfarçado só. Porque La Palisse não mora aqui. E Saramago só mora como referência inevitável, mas dilacerada por um sentido de humor negro que faz chorar de desespero. Não me lembro de obra de arte alguma onde o humor (do melhor) me tenha feito chorar de tristeza. A alegoria está lá. Está lá o realismo mágico dos milagres que se escondem sob a forma de truques. Ou truques que se escondem sob a forma de milagres - se calhar, até é mais isto.

 

No final do dia, depois de uma longa pratada de discursos políticos, uns com mais oratória, outros com menos, mas todos carregados da angústia de quem traz o fardo do mundo nos sonhos que os outros não querem realizar, fui com alguns camaradas de Famalicão passear na baixa de Lisboa em direcção ao Tejo. Já tinha lido o livro. E não resisti a dizer, enquanto descíamos a Rua Augusta sob as ralas bátegas de uma chuva de miséria, que debaixo dos nossos pés seguia um cano de esgoto de três metros por três metros, o suficiente para passar por lá um elefante. No cais das colunas, fiquei frente ao cenário onde o livro encerra. Nada tinha sido programado. Não sabia que era ali que o livro acabava. Podia ter acabado o livro em Guimarães, à sombra do castelo, mas não. Li aquelas palavras torrenciais, sorridentes, maldosas, cínicas e maiores que a vida ali, a caminho de um Tejo que nos chama, que nos engole e nos vomita sem piedade. Como Rui Cardoso Martins nos faz nesta história sobre um cego advogado que, em estado sonâmbulo, aceita condenar os inocentes e verá cair-lhe nos braços o terno fruto do seu pecado.

 

Há neste livro o cínico olhar sobre a lusa maneira de ser enganado, a lusa maneira de acreditar, a lusa maneira de sermos totus tuus, Mãe de Deus, senhora celeste que pede orações e sonâmbulos sacrifícios que nos livrem da negra transparência dos demónios.

 

Volto a dizer que não sinto que haja aqui uma especial originalidade. Mas Rui Cardoso Martins vai para lá das pretensões. Afinal, não passamos de meros repetidores dos truccos feitos por ilusionistas dos tempos bíblicos. Nada há de novo a escorrer nos esgotos das nossas cidades. Há apenas a mera repetição das lágrimas, dos risos nascidos da resignação, da esperança infundada num milagre que por vezes acontece.

 

Um livro milagroso escrito, como disse alguém dos textos sagrados, por intermédio do Espírito Santo. Por inspiração divina. Creio sinceramente no que digo. Ao reler as últimas páginas compreendo perfeitamente que se acredite que o sacrifício do Filho se repita integralmente no acto da Eucaristia.

 

Tristeza não tem fim. Felicidade, sim.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 21:03
link do post | Dizer de sua justiça | Quem disse o que pensou (1) | Adicionar aos favoritos
|
.Nada sobre mim
.pesquisar
 
.Março 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.Artigos da mesma série

. notas

. cinema

. livros

. poesia avulsa

. só porque

. política

. curtas

. arte

. guimarães

. música

. estupidez

. traduções

. wikipédia

. religião

. poesia i

. gosto de...

. ono no komachi

. narrativas

. tomas tranströmer

. buscas pedidas

. plantas

. arquitectura

. blogues

. enciclopédia íntima

. blogs

. braga

. fábulas de esopo

. as quimeras

. gérard de nerval

. carvalhal

. animais

. cultura popular

. disparates

. Herbário I

. poesia

. póvoa de lanhoso

. estevas

. pormenores

. umbigo

. bíblia

. ciência

. professores

. vilar formoso

. barcelos

. cinema e literatura

. coisas que vou escrevendo

. curtíssimas

. Guimarães

. rádio

. receitas

. ribeira da brunheta

. teatro

. vídeo

. da varanda

. economia

. educação

. família

. leitura

. lisboa

. mails da treta

. mértola

. Música

. os anéis de mercúrio

. cachorrada

. comida

. cores

. dança

. diário

. direita

. elogio da loucura

. escola

. esquerda

. flores de pedra

. hip hop

. história de portugal

. kitsch

. memória

. ópera

. profissão

. recortes

. rimas tontas

. sonetos de shakespeare

. terras de bouro

. trump

. Álbum de família

. alunos

. ângela merkel

. arte caseira

. aulas

. avaliação de professores

. ayre

. benjamin clementine

. citações

. crítica

. ecologia

. edgar allan poe

. ensino privado

. ensino público

. evolucionismo

. facebook

. todas as tags

.O que vou visitando
.Segredos
  • Escrevam-me

  • .Páginas que se referem a este site

    referer referrer referers referrers http_referer
    .Já passaram...
    .quem linka aqui
    Who links to me?
    .Outras estatísticas
    eXTReMe Tracker
    blogs SAPO
    .subscrever feeds