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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011
Austeridade

 

Vídeo da Esquerda.net, mas que me chegou pela mão da Ana Ramon.

 

publicado por Manuel Anastácio às 23:08
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Sábado, 9 de Abril de 2011
Compilação de banalidades (ou verdades) contraditórias

O que me preocupa não é quem não confessa o quanto é vil, mas quem acha que é herói por ser orgulhosamente vil.

 

[Fernando Pessoa] foi uma pessoa muito pequenina. Que não cabia na vida ainda mais pequena em que calhou a nascer.

 

As pessoas preferem ser más do que serem fracas. Preferem fingir que seriam capazes das maiores atrocidades a assumir que não seriam capazes de dar um murro a quem o merece.

 

Por morrer uma andorinha não se acaba a Primavera. Matar uma andorinha é negar a Primavera.

 

Viver, excepto no reino vegetal, é matar ou parasitar.

 

Nada há de belo na condição humana.

 

A beleza consiste em abstrairmo-nos da nossa condição humana e acolhermo-nos à contemplação passiva dessa condição. Amar a beleza é uma covardia benigna. Agirmos com coragem não é usufruir da beleza, mas aceitarmos a beleza de negá-la a nós mesmos, dando-a o outros.

 

A beleza é um valor eterno, tanto quanto se prolongar a vida humana, mas não é um valor absoluto.

 

Nada há mais belo que ser bom.

 

Bondade, contudo, não é beleza.

publicado por Manuel Anastácio às 21:19
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
Sempre

 

 

Woodkid, Iron

 

Por vezes a dureza do ferro,

A algidez da dor,

O calor morno das lágrimas

E tu

Por vezes as palavras com que te seduzi

Ou com que pedi

A tua dor, as tuas lágrimas

E tu

Por vezes, o cheiro a eucalipto,

Um recanto interdito

O teu cheio a sobremesa abaunilhada

E tu, por vezes a minha face

Por vezes a tua

As duas, nenhuma

Por vezes um tom de voz

Um rasgo em nós, a algidez da dor

E o calor e tu. Por vezes um caminho,

Uma taça de vinho, amargo de lucidez,

Com a acidez de um único trago.

Cálice amargo em que te trago,

Imersa no meu veneno.

Por vezes, num tom obsceno,

Um olhar de mágoa dura,

Um jeito que ninguém atura.

Nada mais há para lá do círculo onde nos encontrámos.

Vimos estrelas e constelações,

Olhámos o fundos dos oceanos,

E para lá da esfera onde nos encontramos,

Por vezes ninguém, tantas vezes ninguém, quase sempre ninguém

Sempre ninguém, por vezes

Ninguém,

Tirando, imersos no éter e nas nebulosas, eu

E tu.

publicado por Manuel Anastácio às 21:00
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011
Buscas pedidas: "Posso matar andorinhas?"

Não, não pode. Dá um azar do caraças. Graves tragédias acontecem a quem mata uma andorinha. Cada ninho destas aves que é destruído por pessoas preocupadas com a pintura das paredes faz cair sobre os seus destruidores ondas negativas que não só interferem com o equilíbrio dos chacras como com as redes neuronais, provocando, inclusivamente, tumores cerebrais, hemorróidas e impotência sexual - tudo no cérebro ou no coração. São várias as histórias que testemunham o quanto é perigoso matar uma andorinha. José Alcaire, de Cova da Beira, só para falar de um português, é um caso sintomático. Ter destruído um ninho no beiral da sua casa por causa do cocó que lhe escorria pelos vidros da marquise foi apenas o início de um desenrolar de acontecimentos fatídicos que terminaram com a total perda das suas faculdades mentais, tendo inclusive, começado a interessar-se de forma excessiva por filatelia, o que causou o repúdio da população que, chocada pela perversidade dos seus novos hábitos, o matou de forma sanguinária e particularmente sádica, sem que as autoridades fizessem alguma coisa (consta, aliás, que o procurador público felicitou os mentores do linchamento e propô-los para receber a Ordem de Santiago da Espada). O professor John Doe, da Universidade de Birmingham, no Norte da Colúmbia Britânica, prémio Nobel em Medicina Alternativa, assegura, aliás, que a morte de andorinhas é um dos factores mais relevantes a ter em conta, depois das brincadeiras com cigarros na boca dos sapos, para o aumento da ocorrência de sismos violentos em todo o mundo, ainda que não tenha grandes certezas quanto ao aquecimento global. De facto, não há grandes provas de que a morte de andorinhas bebés (que são aquelas mais fáceis de matar) tenha influência no buraco de ozono e, apesar de as adultas andarem sempre de um lado para o outro e, assim, furarem a atmosfera, crê-se, através de fotografias usando película especial de dicromato de magnésio, que em volta de uma andorinha bebé se encontra uma aura de cor azulada, mas não esférica, o que parece indicar que há poderes que não devem ser perturbados nesta sua fase de desenvolvimento. Franz Ferdinand, professor da Jackass Academy, em Nova Iorque chega mesmo a admitir que a aura, no caso das andorinhas adultas, é ainda mais poderosa e que sempre que se mata uma andorinha há uma dispersão de neutrinos que desestabiliza o equilíbrio cósmico em torno do animal, afectando especialmente quem a mata. Há experiências que indicam, ainda, que um fenómeno semelhante ocorre nos ninhos destruídos. De facto, mais de 50% das casas vendidas em hasta pública no último ano tinham vestígios de ninhos de andorinha destruídos, apesar da brancura imaculada das suas paredes. Por outro lado, as casas que mantiveram os ninhos de andorinha, apesar de sujas, pertenciam quase todas a pessoas com rendimentos estáveis e cujo estado financeiro não foi comprometido com a Crise.

 

Ah, claro, e as andorinhas comem grandes quantidades de moscas e mosquitos (incluindo as fêmeas, que são as melgas que nos zunem aos ouvidos à noite e que aqui no Norte são chamadas de trupeteiros), o que, em termos de higiene, é mais vantajoso que a brancura das paredes. Mas como argumentos destes não pegam com o povo que temos, pode ser que os que estão no parágrafo anterior sejam mais convincentes.

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publicado por Manuel Anastácio às 21:17
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011
Fábulas de Esopo: A raposa e o corvo

Capitel da Igreja românica de San Martín de Fromista, Palencia (Espanha).

 

À raposa, certo dia,

Ao ver um corvo a pousar

Numa certa ramaria,

Deu-lhe para reparar

Num queijo que ele, c' o bico,

Acabara de roubar.

E ela, num saltarico,

Sob o ramo se meteu,

Cobiçando o pitéu rico

Daquele bico pr’o seu.

“Boa tarde, Mestre Corvo”

Assim ela se atreveu,

Sem receio como estorvo,

Pronto a tudo arrumar

Num rápido e curto sorvo.

"Não me canso de admirar

A elegância e beleza

Com que se quis enfeitar

A animal natureza,

Ao, no seu corpo, investir

Tamanha delicadeza.

É difícil decidir

O que mais belo parece:

Essas penas a luzir

Ou esse olhar que enternece

O mais duro coração.

Confesso que me apetece

Ouvir-vos numa canção.

Vossa voz está, certamente,

P'ra lá de comparação,

Mesmo para ouvido exigente,

Seja com o rouxinol

Ou outra canora gente.

Das aves serás o sol,

Como deus, idolatrado

Serás por certo, se ao rol

Do qu'ora me é mostrado,

Se juntar o belo canto

Que em vós tenho adivinhado.

Movido pelo encanto

Da raposa mentirosa,

O corvo, sem grande espanto,

Faz a asneira desastrosa

De abrir o bico e grasnar,

Pensando ser maviosa

A sua voz de assustar.

Claro que o queijo caiu

Mal começou a cantar.

E como a ladra previu,

Caindo directo ao chão,

Logo a boca se serviu.

“Não vos vou pedir perdão”,

Disse a desavergonhada,

“Pago-vos com uma lição,

A que estou mui obrigada

Em paga da refeição

Que terei daqui a nada.

Quem confia em elogios

Sem olhar a quem os faz

Devia acalmar os brios

Que na sua alma traz.”

 

(versão de Manuel Anastácio)

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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
Mails da treta: Duas semanas sem noite

É aquilo a que Júlio Verne chamaria um figo. Na altura deste autor, contudo, as concepções alternativas e boatos difundiam-se por outros meios e a outra velocidade. Hoje, o que é sensacionalista, ainda que não venda da mesma forma (ainda existe o jornal "O Incrível"?), espalha-se à velocidade, se não da luz, do som.

 

Desta vez chega-me a notícia de que um senhor chamado Brad Carter, Senior Lecturer de Física, na University of Southern Queensland, andou a sonhar com esta maravilha apocalíptica:

 

Até ao final de 2011, a Terra poderá ser iluminada por dois sóis, ou seja, duas estrelas, e não ter noite durante esse período.

O acontecimento, diz Brad Carter, professor na Universidade de Queensland, na Austrália, acontece ainda antes de 2012, por isso, ainda este ano vamos poder assistir a uma supernova, isto é, a uma explosão de uma estrela, que causa uma explosão de luminosidade.
A explosão da estrela Betelgeuse, a 640 anos-luz, não causará problemas aos seres humanos para além do facto de viver duas semanas sempre de dia, avança hoje a revista Sábado.

 

A primeira suspeita de que se trata de treta deve-se, tão simplesmente, ao facto de ser uma notícia de tal modo espantosa que, sendo verdade, não se compreende porque é que tem de ser enviada por mail em vez de dar, simplesmente, no Telejornal. OK. O telejornal também já disse muita treta. E há sempre algo em nós a puxar para a teoria da conspiração; os meios de comunicação não querem alarmar ninguém (não querem mesmo?). Quem nunca leu livros sobre ovnis e fenómenos paranormais que atire o primeiro punhado de ectoplasma.

 

Mas vamos por partes (peço desculpa se, depois, não for por partes, não é isto mais que defeito de linguagem): o mail tem um link para uma notícia da revista Sábado. Mas se carregarmos (e eu não aconselho isso a ninguém) vamos dar  a uma notícia do jornal Destak, que não é a revista Sábado, ainda que o jornal Destak, nessa coisa chamada notícia fale da Revista Sábado. Ora, não sei que raio de ligação haverá entre o jornal gratuito Destak e a Revista Sábado, conhecido panfleto direitista português (que, ao contrário do panfleto do Bloco de Esquerda que eu, por vezes, distribuo por Guimarães, não é gratuito), mas suponho que haverá pelo menos a ligação da ignorância profissional (não ponham a Wikipédia no mesmo saco, que o assunto é outro - não sejam ignorantes também). Não consta, porém, que a Revista Sábado tenha, contudo, defendido a tolice de um dia de duas semanas. Até porque se os capitalistas ganaciosos (que os há também na Esquerda, mas sem pais abastados) que dirigem a revista se dão bem com a ignorância dos leitores, não me parece que sejam parvos o suficiente para divulgarem má ficção científica desta maneira. Como disse, não sei se a revista deu a notícia ou não, mas tudo indica que não (e se deu, que ganhem vergonha na cara e, pelo meio, leiam "O Capital" de Carl Marx, só de castigo - podem continuar, depois, a defender a acumulação de capital através da exploração do valor do trabalho alheio, estou-me nas tintas até porque o povo português, que é quem manda, também está).

 

Mas, deixando a parte da bibliografia em língua portuguesa, resta saber como é que uma revista portuguesa conseguiu a história antes das suas congéneres norte-americanas, anglo-saxónicas, etc etc... Na verdade não conseguiu: na verdade, o senhor Brad Carter terá dito algo muito poético ao Huffington Post e que não se resumia ao disparate das duas semanas sem noite. Entre afirmações que não são textuais e que, portanto, não sabemos se pertencem ao talvez-caquéctico-ou-talvez-mal-interpretado professor de Física se ao ingénuo e crédulo jornalista do Huffington Post, terá dito, entre outras coisas, belas e acertadas palavras que os jornalistas do Hufflepuff (ou coisa assim) não entenderam bem à primeira e muito menos entenderam à segunda, depois de alguns chatos como eu lhes terem chamado nomes feios (e "ignorante" era o nome menos feio). Carter disse que uma supernova, uma estrela que explode no seu fim de vida "leva à criação de coisas como o ouro, a prata - todos os elementos pesados - ou mesmo coisas como o urânio.... uma estrela como Betelgeuse forma instantaneamente todos os tipos de elementos pesados e átomos que a nossa própria Terra e o nossos próprios corpos têm, de antigas supernovas" (as reticências no meio da frase parecem indicar ou que a entrevista foi feita pelo telefone ou com uma bujeca pelo meio). Ora, é verdade que somos feitos de pó das estrelas, sim senhor. E que algum desse pó foi feito em supernovas como aquela que Betelgeuse será um dia destes (mas muito improvavelmente em 2012: de facto, até já foi, provavelmente, há mais tempo, mas como o que acontece lá demora 640 anos a ver-se por aqui, não creio que haja tantas certezas de que o espéctáculo seja já para o ano que vem, o que seria mau para Guimarães - com estrelas a explodir no céu quem é que quer saber de uma capital europeia da cultura num país em bancarrota?). Algum do pó de que somos feitos nasceu, de facto, numa supernova. Mas isso faz com que a explosão seja benéfica para a Terra, como é dito no artigo do Huffington Post?? Obviamente que não. Os elementos que lá forem produzidos poderão vir um dia a serem úteis para alguma forma de vida, mas não aqui para a malta do terceiro calhau. E a malta do Huffington Post, crente-até-ao-fim-deus-seja-louvado, ainda faz uma emenda pior que o soneto e mistura neutrinos com elementos pesados e não sei mais o quê. O certo é que de verdade científica, nem uma gota. E Carter será o menos culpado de todos.

 

Finalmente, o brilho desta supernova, quando lhe der para explodir, alheia ao calendário humano, poderá, de facto, andar perto do brilho médio da nossa lua. Por isso, quando muito, teríamos umas noites um pouco mais iluminadas e mais um corpo pálido a enfeitar o céu durante o dia. Nada que aumente a intensidade da fotossíntese das plantinhas. Nada a que se possa chamar um dia de duas semanas.

 

Mais vale ler o artigo da Wikipédia. Até o artigo em português, não muito desenvolvido, esclarece mais que o artigo que deu origem a esta corrente de conversa de quem não tem mais que fazer.

 

Se eu não tivesse o meu tempo contado, poderia discorrer aqui sobre outras coisas muito interessantes, como:

 

- será que é possível prever com tanta precisão quando é que acontecerá a explosão de uma supernova? Consta que houve um senhor que o fez com grande precisão... mas acho que foi num filme qualquer de Hollywood com a Jodie Foster, se não estou em erro. Na realidade, acho que génios desses, que sabem mais do que aquilo que jamais chegaram a publicar em revistas científicas (não, o Huffington Post não é uma revista científica, nem a Revista Sábado, e muito menos o Destak) só existem em filmes dessa área geográfica - os filmes indianos, com deuses com cabeças de elefante, são muito mais credíveis em termos científicos. Até um site adventista chama a atenção para o facto de que ninguém sabe quando esta estrela explodirá.

- qual a influência do "Star Wars" neste género de boato cibernético?

- quem é Brad Carter?

- onde é que fica a Universidade de Queensland na Austrália? À direita ou à esquerda dos cangurus?

- A explosão, diz o mail, vai acontecer este ano... ora, estando a estrela a 640 anos luz, parece-me que a veríamos daqui a 640 anos, mas mesmo descontando essa ninharia... era para este ano ou para 2012? O pessoal que escreveu o mail é pessoal inteligente que gosta de rir com a credulidade do Zé Toinhinho ou quê...?

 

Entretanto, agradeço que me enviem todos os mails deste género que recebam. Sempre me dá uma certa urgência nos dedos quando os leio.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 21:02
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
Eminem, "When I'm Gone"

 

 
Os textos de Eminem, profundamente complexos no seu discurso confessional, fazem-me retornar a eles com a frequência própria de uma veneração adolescente. Aqui fica uma primeira tradução apressada de um dos que mais gosto.
 
Sim!
É a minha vida.
As minhas próprias palavras, julgo eu.

 

Já amaram tanto uma pessoa, que por ela dessem um braço?

Não da boca para fora, literalmente, alguém por quem dessem um braço?

Quando ela sabia que era o teu peito,

E quando sabias que eras a sua única protecção,

Que destruirias o que quer que a magoasse,

Mas o que acontece quando contra ti se volta o Carma e assim te ataca?

E tudo aquilo que amas te cospe na cara?

Que farias, sendo tu a origem da sua dor?

"Pai, olha o que fiz", o pai tem de apanhar o avião
"Pai, onde está a mãe? Não a encontro, onde está ela?"
Não sei, Hailey, querida, vai brincar, o teu pai está ocupado
O Pai está a escrever uma canção, e a canção não se escreve sozinha...
Dou-te um empurrão, depois terás de balançar sozinha,
Enquanto voltas à canção e dizes que a amas
E pões as mãos em cima da mãe, que é cara chapada dela
É o Slim Shady, querida, sim, o Slim Shady maluco
O Shady fez-me, mas hoje vai cantar canções de embalar.
E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, não sofras por mim
E devolve-me um sorriso!
E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, simplesmente não sofras
E responde-me com um sorriso!

Continuo a sonhar com o mesmo, empurro Hailie no balouço

Ela grita, não quer que eu cante

A mãe está a chorar por tua causa, porquê, porque é que ela chora?

Querida, o Pai não já não se vai embora, "Pai, estás a mentir

Dizes sempre isso, dizes sempre que é a última vez,
"Mas desta vez não vais embora, Pai, és meu"
Empilha caixas à frente da porta, para me tapar a passagem
"Pai, por favor, não vás embora, Pai, não, pára"
E tira do bolso um pequeno colar com medalhão
Tem uma fotografia, "vai proteger-te, pai, leva-o contigo"
Levanto a vista e sou só eu frente ao espelho
Aposto que as putas das paredes falam, porque as ouço
E dizem "Mais uma oportunidade de fazer o que está certo", e é hoje à noite, decerto
Por isso vai já ter com elas e diz-lhes que as amas antes que seja tarde

E mal saio da porta do quarto,

Transforma-se tudo num palco, as luzes estão sobre mim

E eu canto..

E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, não sofras por mim
E devolve-me um sorriso!
E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, simplesmente não sofras
E responde-me com um sorriso!
Sessenta mil pessoas de pé, aos saltos
Fecham-se as cortinas e lançam-me rosas aos pés
Faço uma vénia e agradeço a todos por terem vindo
Grita tão alto a multidão e, num último relance
Desço o olhar e não acredito no que vejo
"Pai, sou eu, ajuda a Mãe, os pulsos dela estão a sangrar"
"Mas, querida, estamos na Suécia, como é que vieste aqui parar?"
"Segui-te, Papá, disseste que não nos ias deixar
Mentiste-me, Papá, e fazes a Mãe infeliz,
Trouxe-te esta medalha, diz "Pai número Um"
Era só isto, era só para te dar a medalha,
Já entendi, tudo bem, eu e a mãe estamos de saída"
Mas, querida, espera, "é tarde, Pai, tu é que escolheste
"Vai agora e mostra como os amas mais a eles que a nós
É o que eles querem, querem-te a ti, Marshall, eles continuam... a gritar por ti
Não admira que não consigas adormecer, toma outro comprimido
Sim, aposto que o farás. Fazes rap disso, torna-o real
Ouço aplausos, e todo este tempo estive cego
Como podia ser, com a cortina a cair sobre mim,
Olho em volta, encontro uma arma no chão, apanho-a
Aponto-a para os miolos e grito "morre Shady" e e aperto o gatilho
O céu escurece, a minha vida em clarões,
O avião em que devia ir, despenha-se, reduz-se a cinzas
Acordo então, com o despertador a tocar, há o canto de pássaros
É Primavera e Hailie balouça lá fora, dirijo-me para a Kim, beijo-a
Digo o quanto me faltou, Hailie sorri apenas e pisca o olho para a sua irmãzinha
Como que a dizer...
E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, não sofras por mim
E devolve-me um sorriso!
E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, simplesmente não sofras
E responde-me com um sorriso!
 

[Cai o pano, ouvem-se palmas]

publicado por Manuel Anastácio às 21:03
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Domingo, 3 de Abril de 2011
Cefaleia

 

Never Let Me Go - The Human League, de Ewan Jones Morris.

 

Eu não escrevo poesia.

Talvez, às vezes, vá tentando. Mas não escrevo.

Eu mesmo levei tempo a perceber que

Também não escrevo Filosofia.

Escrevo, acima de tudo, para acreditar.

Como Moisés quando, louco, obrigou Deus a escrever na rocha o que já tinha no coração.

Também não escrevo Teologia.

Nem Ciência.

Escrevo fé. Com letra minúscula.

Nem sequer sei escrever Amor.

Escrevo espelhos e cefalópodes.

Gelatinoso, às vezes disfarce de engenhoso, tentacular

Tento tactear as palavras e descobrir nas simetrias a alma das coisas.

Mas só encontro a minha própria alma. Intransmissível. Imponderável

Simétrica

Feita de adjectivos. Sem substância.

Não escrevo poesia nem ensaios. Nem artigos nem posts nem resenhas.

As minhas ideias são meros ninhos de aranhas, rimas fáceis

onde chocam embriões de várias patas.

Nos meus versos chocam ninhos de aranhas.

O que vale é que não são versos.

São entranhas.

publicado por Manuel Anastácio às 21:10
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Sábado, 2 de Abril de 2011
Leda e o cisne

 

 

Este chafariz na escadaria do Santuário de Nossa Senhora de Porto D' Ave impressiona-me. Os detalhes pornográficos - não são eróticos, de todo - que se insinuam na Arte  Sacra serão apenas irreverência dos mestres canteiros ou a evidência de uma religião genital que atravessa toda a espiritualidade, dos menires aos êxtases de Santa Teresa? Ou as duas coisas? As duas, evidentemente. A religião abraâmica, ao cobrir com véus de culpa a mais forte das necessidades acessórias (note-se que não falo da função reprodutiva que não é, do ponto de vista pessoal, uma necessidade, ainda que seja uma motivação), reinventou a brejeirice escondendo o sagrado na forma de anedota.

publicado por Manuel Anastácio às 22:17
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
Grown Ocean, Fleet Foxes

 

Grown Ocean dos Fleet Foxes.

 

Diz Robin Pecknold, voz dos Fleet Foxes, que o mais recente álbum da banda trata d' "a luta entre aquilo que somos e aquilo que queremos ser ou o que acabamos por ser, e como por vezes o único obstáculo entre uma coisa e outra somos mesmo nós".

Mais um a fazer-se à equerdalha tolentinomendociana.

Há a ideia de que somos uma coisa e desejamos ser outra e que a felicidade está em sabermos lidar com o conflito entre ser e desejar.

Não sinto isso como verdadeiro.

Somos o que desejamos, sempre. As máscaras com que nos apresentamos aos outros são, aliás, inúteis, até porque os outros verão em nós outras máscaras que não as que queremos usar, ou, não usando máscara, os outros verão sempre outra cara que não a nossa. Por isso, o melhor é relaxar. Ser. E desejar.

Somos sempre o que desejamos.

Não o que temos ou somos. A contradição, evidente, só existiria se o ser fosse atómico, indivisível, imutável e irreferenciável. Dizer que somos o que não somos não é contradição. É uma evidência. Só somos o que somos em cada instante e, como todos sabemos, os instantes não são fotografias nem frases soltas numa canção enumeratória do Pedro Abrunhosa. Há, num instante, mais do que o céu que podemos conceber poderia comportar.

Mas desejar, ou usufruir da insatisfação, não é um tormento. Não tem de ser.

O desejo, não sendo firmamento estável, será sempre a mais firme das nossas referências. A religião, a ética, a ideologia, tudo é desejo porque é referência, orientação, norte. Se conseguirmos saltar destas faixas de desejo colectivo para um desejo individual, tanto melhor. Mas isso não significa sucumbir ao egoísmo. O desejo individual alimentado pela sua própria satisfação leva à sua anulação. O nirvana é apenas o desejo de quem está cansado de desejar. Na verdade, o universo é todo ele desejo. Heráclito e Camões chamaram-lhe fogo, guerra, amor.

E "o que acabamos por ser"? É, apenas, aquilo que filtramos do que nos dizem que somos. Nunca acabamos por ser coisa nenhuma, embora nos agarremos a certas imagens porque, triste ou felizmente, somos desejo, mas não Um Desejo. Somos politeístas de nascença. Acendemos uma vela a São Miguel e centenas a cada uma das serpentes que se enrodilham pelas nossas pernas acima ou que pousam suavemente nos nossos ombros. E São Miguel, pouco podendo contra tal bicharada, rapidamente recolhe aos versículos crípticos do Apocalipse e deixa-se ficar caladinho, de espada em riste, escudado na impenetrabilidade das profecias, mais à espera de não a usar que de ser obrigado a provar aquilo que os crentes pensam de que é capaz.

O único obstáculo entre "ser", "desejar" ou "acabar por ser" somos apenas nós? Disparate vazio de significado e mesmo de desejo de significado. O que vale é que gosto da música. Muito. E acaba por dizer o que eu tentei dizer, a contracorrente do que Pecknold acabou por dizer. Por outros secretos caminhos.

publicado por Manuel Anastácio às 21:21
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