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Terça-feira, 24 de Março de 2009
Os Anéis de Mercúrio II

Nymphalis urticae num girassol, em Agosto. Carregar na imagem para os devidos créditos.

 

A. salpicou de vinagre o esparregado que cantava num murmúrio de farinha frita e, sentindo que a acidez já se transtornara em éter sugado pelo exaustor da cozinha, puxou a travessa e chamou a mulher e os filhos para que se sentassem. B. demorou a chegar. Tinha um jogo para acabar no computador. Mas estava avisado. Ninguém era obrigado a sentar-se à mesa ao mesmo tempo que os outros, mas ninguém tinha, também, a obrigação de esperar por quem preferia terminar as suas devoções particulares antes da comunhão em família.

 

C. começou a tirar sopa para quem tinha chegado, enquanto A. abria uma garrafa de vinho que se esquecera de abrir antes. B., chegando mais tarde, teria de o fazer por si mesmo. Era obrigação de quem chegasse tarde não importunar com tarefas serviçais quem comparecera à hora da chamada. Mas seria obrigado a comer sopa. Era uma das muitas regras da família.

 

Havia um certo ar de obrigação religiosa na disposição dos talheres que se refle(c)tia na compostura neocalvinista do casal e dos dois filhos, D. e E. . Pareciam, ou eram, personagens de um romance mal inspirado na realidade. Eram como pontos singulares marcados numa grelha, unidos por diagonais formando uma estrela de cinco pontos inscrita num pentágono, ou assim se fez, quando B. chegou com ar contrafeito de quem não conseguira encontrar o comando certo para efectuar o salto que salvaria o Universo das mãos de um Bin Laden mal disfarçado em pixéis arrastados, e encheu a sua malga de sopa e sentou-se no seu lugar. A. dirigiu-se à filha mais nova:

 

-Então E., que coisa bonita tens para compartilhar connosco hoje? Hoje é a tua vez de começar.

 

A menina sorriu. Gostava daquela oração de graças agnóstica que se tornara hábito à hora de jantar.

 

-Queria mostrar uma flor que apanhei junto à escola! - apalpou os bolsos e tirou de lá uma haste murcha com uma pétala que já fora branca. O sucesso da sua coisa-bonita-do-dia fora-se. Os olhos começaram-lhe a enevoar-se de lágrimas. C. passou-lhe as mãos  pela cabeça e, beijando-lhe a nuca, confortou-a:

 

-Tenho a certeza de que seria uma flor muito bonita. Parece que tinha uma amêndoa verde debaixo das pétalas.

 

- Sim, e essa amêndoa fazia "ploc" quando apertávamos. Eu queria mostrar.

 

D. fez um ar de mau e atirou:

 

- O pai não gosta que estraguem flores. Se andavas a fazer ploc, estavas a estragar as flores...

 

A. repreendeu D. com o olhar. Ninguém tinha o direito de dizer que a coisa-bonita-do-dia de alguém era má. Não naquele momento. As críticas poderiam vir, mas depois.

 

- E tu, D.? Que tens para partilhar connosco?

 

- Hum... Uma canção.

 

- Sim? Que canção?

 

- Uma em que os tipos cantam assim "Billy the kid did what he did and he died..." assim, várias vezes. Mas diz outras coisas

 

- É rap? - perguntou C., que não gostava de rap e de coisas violentas

 

- Mais ou menos. É Hip Hop. Ou Indie, não sei bem. É dum grupo chamado "Why?"

 

- Dá para ouvirmos logo? Como se chama o disco?

 

- Aloupicia.

 

- Alopécia? - perguntou A. - Sabes o que isso é?

 

- Acho que é uma doença em que as pessoas ficam carecas.

 

- E já sabias isso ou ficaste a saber depois de ouvir esse grupo?

 

- Fiquei a saber ontem. Fui ao Google.

 

- E tu, B.?

 

- Nada.

 

- Nada? Nada de bonito?

 

- Já não sei o que inventar.

 

- Ninguém te pede para inventar nada.

 

-Está bem. Uma coisa bonita. O cu da minha colega da frente. Hoje via-se as cuecas e tudo quando estava virada a fazer o teste de História.

 

C. franziu o sobrolho. A. levou uma colher de sopa à boca.

 

- Pronto. É uma coisa bonita. Quem somos nós para dizer que é feia? - disse C. olhando apreensiva para o marido.

 

- Eu não disse nada. Se há críticas a fazer, que se façam mais tarde. E a minha amada C., qual é a coisa bonita que tens para partilhar?

 

- Um poema...

 

- Para variar. - disse B.

 

- Críticas mais tarde, B.

 

- Para variar.

 

C. sorriu:

 

- Se tens o direito de compartilhar o rabo...

 

- Cu!

 

E. fez um ar escandalizado e tapando a cara riu do pecado que o irmão insistia em dizer.

 

- ... rabo da tua colega, creio que eu também tenho o direito de partilhar um poema.

 

- Que poema, C.?

 

- Rainer Maria Rilke, de "As Elegias de Duína e Sonetos a Orfeu"

 

Quem, se eu gritasse, me ouviria entre as ordens dos anjos?

E mesmo que um deles me apertasse de repente contra o seu peito,

Seria consumido pelo assombro da sua presença,

Pois o belo não é mais que o começo do terror, que ainda mal conseguimos suportar

E que nos espanta por, em sereno desdém, não nos aniquilar.

É terrível, cada anjo...

 

- Não rima. - disse E.

 

B. fez um ar sério e terrível e, olhando a irmã nos olhos, desferiu:

 

- Críticas mais tarde, E.

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Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Os Anéis de Mercúrio I

"A Última Ceia", de Leonardo da Vinci. Clicar na imagem para os devidos créditos.

 

Qual foi o filme que mais te emocionou?

 

O Mundo, de Carl Theodor Dreyer.

 

Gosto de Dreyer. A Paixão de Joana D'Arc é fantástico. Falei dele uma vez aos meus alunos, para ilustrar um ponto qualquer do que estava a ser falado. Expliquei que não era filme que eles adorassem particularmente ver, mas que, quem sabe, um dia poderiam vir a gostar e, quem sabe, a gostar tanto dele quanto eu. Expliquei que era um filme mudo. Que era lento. Que não tinha "a(c)ção" na ideia de a(c)ção deles. Que era feito de rostos, de dúvidas, de sofrimento, como retratos numa galeria.


É professor em que universidade?

 

Na universidade do Mundo. Tento licenciar miúdos com o canudo da Esperança.


Mais que a Esperança, há a Caridade.

 

...o Amor?...

 

A Caridade.

 

Caridade parece tão... paternalista. Parece estar a defender a esmola, em vez do sentimento maior que chega a definir Deus: o Amor.


Não sei que Bíblia lês. Eu leio a católica, e lá diz: Caridade, maior que que a Fé e que a Caridade.

 

Não existe nenhuma Bíblia Católica...

 

Claro que existe! A que se lê na missa.

 

Em que missa?

 

A missa é só uma!

 

É? Talvez seja. Foi uma só. Desde lá para cá que andamos todos a tentar imitá-la, em sua memória. Sem que o consigamos.

 

Não te entendo.

 

Nem eu a ti.

 

Participamos de missas diferentes, apesar de a hóstia ser a mesma.

 

Duvido... Quando recebo a hóstia, sinto naquele pedaço de farinha prensada a substância divina, o corpo de Deus, porque sei que ao tomá-la, com a minha fé, estou a transportar-me ao momento da despedida. Nessa altura, a farinha toma a substância real do corpo daquele que se deu em sacrifício por nós. Sinto naquele pedaço de farinha o Amor a tomar conta de cada átomo, porque passo a comungar daquele amor em que tenho Fé e em que se baseia toda a minha esperança.

 

Falas demasiado sobre as coisas sagradas. Arriscas-te a pecar contra o Espírito Santo.

 

Todos nós nos arriscamos a pecar contra o Espírito Santo. Basta não sabermos no que consiste esse pecado. Mas penso que basta não querermos pecar contra Ele, para que tal mal não nos afe(c)te.

 

Pensas demasiado, falas demasiado. Tens por acaso curso em Teologia?

 

Cristo não tinha.

 

E comparas-te a Cristo.

 

Sim. É o meu modelo de vida.

 

Fazia-te bem pensares como São Pedro, que morreu de pernas para o ar porque se julgava indigno de imitar o Mestre.

 

Duvido que Pedro tivesse tal morte...


Pensas muito. Falas demasiado. Por isso, duvidas.

 

Não duvido do Amor...

 

Ah... Mas duvidas da Fé?

 

Sempre. A Fé é mais difícil que o Amor, ainda que o Amor seja maior que a Fé. Cristo disse, aliás, que o seu fardo era leve. Creio que era a isso que se referia: ao fa(c)to de que é mais fácil abraçar o Amor, que é Maior, do que a Fé, que é Menor, ainda que seja ela a que consegue mover montanhas.


Ai, se ainda existisse o Santo Ofício...

 

... Estaria pronto para o enfrentar. Como a Joana D'Arc de Dreyer. Creio eu. Ou talvez não. Tavez fosse cobarde e aceitasse abjurar o meu Amor em troca de uma Fé emprestada.

 

A tua arrogância não tem limites.

 

... Vejo que tens aí a lista dos dez filmes recomendados pelo Vaticano...

 

Sim.

 

Posso ver?...

Olha! Dreyer!... Duas vezes! Olha aparece aqui o filme de que falaste, "O Mundo"... Não conheço... Isto deve ser erro... Não será "A  Palavra"? Repara, pegaram no título do filme em inglês e acrescentaram por gralha um L...

 

...

 

...olha, o que é que se passa mesmo com o Sporting?...

 

 

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Segunda-feira, 9 de Março de 2009
Relatividade geral

Paradoxo do quadrado desaparecido. Clicar na imagem para os devidos créditos.

 

No Princípio era o Olhar.

Era o Sentir.

Era o dizer enquanto forma de calar.

No Princípio era o Verbo por encarnar.

E o Olhar era Deus,

E havia um Adeus antes do não-tempo acabar.

Era o fim da Inocência.

Antes do Princípio, houve acordar.

E ao Olhar,

E o Olhar era Deus,

Houve um Adeus ao fim por acabar.

 

E ao olhar,

Deus quis apagar as estrelas.

Prevendo do nosso olhar, o inevitável florir,

Inventou o tempo.

Para que quando as olhássemos, pudessem já não existir.

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Domingo, 1 de Março de 2009
Bolt, de Byron Howard e Chris Williams

Trailer de "Bolt", de Byron Howard e Chris Williams

 

Constituímos um espectáculo para os anjos, diz a Bíblia. Bolt é um canito que acredita que tem superpoderes. Afinal, tem-nos, mas não na forma nem no conteúdo dos que julga que tem. Este filme, belíssimo objecto de arte para todas as idades, parte deste conceito, algo metafísico e religioso, que já foi desenvolvido noutros filmes "adultos". O filme, porém, perde-se um pouco em alguns postais da terra do Tio Sam e, por vezes, é demasiado piegas. Mas vale a pena ver. A tríade composta pelo cão, pelo hamster e pela gata é a perfeita imagem da perda da inocência e da procura do equilíbrio entre as crenças que nos dignificam e que devemos cultivar intimamente e as crenças que, ilusórias, apenas eliminam a autenticidade com que justificamos a nossa presença no mundo. Porque de crenças é sempre composta a nossa visão do mundo. Mas há umas melhores que as outras. Como distingui-las? Usando os critérios de sempre: bondade, empatia, confiança. O espectro que se estende do amar ao acreditar.

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