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Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
Revanche, de Gotz Spielman

Um muito mau trailer de um filme belíssimo. Se pretende ver o filme, não carregue no play. Mostra mais do que deve. E não estou a falar dos nus, claro...

 

Quando este filme acaba, em vez da habitual reflexão ou reprise musical, o genérico é acompanhado de simples sons de aves e um certo e plácido rumor de vento. O mérito do trabalho de Gotz Spielman está em contar uma história, por vezes pouco credível e onde o argumento, traçado segundo um esquiço que não passa muito além disso, com a graça de uma autêntica obra de arte ao preencher a sua estrutura com uma cinematografização soberba dos momentos ditos mortos. É um filme de dobradiças. Um biombo. As dobradiças são os momentos chaves do enredo, os momentos que se esperam, os momentos que se temem e os momentos que, providencialmente (e é aqui que o enredo não consegue passar de esquiço), resolvem os dilemas das duas personagens centrais. O filme começa por apresentar o primeiro par amoroso no contexto sórdido da prostituição urbana e, em contraponto, um segundo par amoroso na placidez rural de um local geograficamente próximo. A história leva à aproximação dos dois pares e, qual metáfora goethiana das Afinidades Electivas, estabelece-se um ciclo bioquímico atribulado que passa pela extinção de compostos e pela formação de outros, sem que, alguma vez, se negue o amor que une os dois pares. Desenganem-se, contudo, se julgam que falo de triângulos amorosos ou coisa que o valha.

 

Há outras dobradiças no filme. Ao contrário das outras, estruturais, narrativas, estas são puro deleite poético. A mais bela de todas é sugerida no primeiro plano: a superfície das águas calmas de um lago que reflete a copa das árvores que o ladeiam e que é subitamente agitado pelo cair do que se julga ser uma pedra e que se refere a uma cena, já próxima do final e da resolução do enredo, onde o mesmo acontecimento é filmado por entre os troncos das árvores que víamos espelhados na água, no primeiro plano, enquanto a superfície do lago é, agora, não subitamente perturbada pelo cair do que se julga ser uma pedra, mas ofuscantemente transformada por um sopro que percorre o plano e o enche de luz. Sem dúvida um dos mais belos planos alguma vez cinematografados. Não sei até que ponto é que as condições de filmagem (ou mesmo após) foram ou não manipuladas para chegar àquele resultado, mas a verdade é que os meus olhos continuam a descrer do que viram.

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publicado por Manuel Anastácio às 20:00
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
Forró esferográfico

 

Bic laranja, tem escrita fina, Bic normal tem escrita normal. E há a Bic musical. Que serve para tocar o forró esferográfico dos Cabruêra, que ouvi pela primeira vez pela mão (ou pés) de uma coreografia da Olga Roriz, no seu "Inferno", no Centro Cultural Vila Flor. Tocado com caneta Bic em vez de palheta. Bonito. Mesmo que a freira do "Doubt", ache que esferográficas são instrumentos do laxismo iníquo dos nossos dias. Hoje em dia são os telemóveis. Os telemóveis. Os telemóveis... QUANDO É QUE PERCEBEM QUE O MAL NÃO SÃO OS TELEMÓVEIS NA ESCOLA, MAS O FACTO DE OS ALUNOS NÃO LIGAREM PUTO AO QUE SE PASSA NAS AULAS???... Perdoem-me a divagação mesquinha. E por ter gritado.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 21:22
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
Gosto de... Obras de Arte

L' Origine du monde, de Gustave Courbet

 

Será que a PSP de Guimarães vai mandar suspender o meu blogue? Tomara que sim. Sempre era publicidade. É pena que em Portugal seja necessário um caso destes para se discutir Arte...

 

Já agora: por que não mandar fechar praticamente todos os quiosques que servem de galeria de arte para os miúdos à saída da escola?

 

Entretanto, tenho de actualizar este artigo da Wikipédia.

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publicado por Manuel Anastácio às 16:40
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009
Para a Maria Helena

"Lamentação da Virgem", de "As Horas da Cruz" do Mestre de Rohan. 1435

 

No horizonte, na ténue linha onde os gritos morrem

E se cala o eco,

As montanhas concentram-se num fractal

Onde o bem e o mal tomam formas

De insuportáveis dimensões.

Antes do horizonte, insustentáveis, as coisas fogem ao olhar,

E os sentidos obrigam a um só momento.

Antes do horizonte não há memória nem pensamento,

E a erosão destrói a história e qualquer outra ilusória narração.

As imagens, oxidadas, envelhecem, veladas em poeira e abrasão.

Os mantos abrem buracos por onde o coração das coisas vê as estrelas

E Abraão, sem vê-las, planeia veredas.

Mas antes do horizonte apenas seguem sendas e atalhos

Cortados em retalhos sem limite.

Antes do horizonte, os caminhos

Esbarram na impossibilidade de atravessar o que a luz obriga.

Dos mais curtos, dos prometidos, há pedaços.

Há fragmentos de percursos interrompidos.

Há farrapos de mera possibilidade.

E, na verdade, perdidos,

Somos rendidos nos caminhos pelos deuses que passam

E nos trespassam com sonhos e promessas

Que se esbatem no horizonte.

 

A erosão corrói a cutícula do universo

E há no seu inverso, a deposição, o mistério das coisas como elas são.

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publicado por Manuel Anastácio às 18:44
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
Depois das apostas

Cena final de Slumdog Millionaire. Talvez seja eliminada do Youtube nas próximas horas por violação de direitos de autor, mas enquanto isso não acontece...

 

Primeiro: gosto dos óscares. São uma autêntica feira de futilidades, mas gosto. Gosto de apostar, gosto de os discutir. Não gostei muito do aspecto caseiro do espectáculo deste ano. Mas gostei de não exisitirem tempos mortos.

 

Melhor filme
"Slumdog Millionaire" - acertei. Gostei de ver nas notícias a gente dos bairros de lixo batido a ver a cerimónia numa televisão no meio da rua. Gostei menos das esperanças que aquela gente tem de ver os óscares a chegarem nas mãos das crianças. O óscar vai para o produtor. O momento de glória daquelas crianças atingiu o pico quando subiram ao palco. A partir de agora, duvido de qualquer futuro dourado. Quanto ao Benjamin Button, baseado num belo (e divertido) conto de Scott Fitzgerald, foi para mim uma desilusão. O filme não é particularmente divertido e é, na minha opinião, sobrevalorizado (apesar de gostar da ideia da aproximação do furacão sobre Nova Orleães e do consequente final - coisas que, obviamente, não existem no conto original).

 

Melhor reaizador
Danny Boyle - ‘Slumdog Millionaire’. Acertei. Já gostava do realizador de Trainspotting. Já gostava da forma como a sua sensibilidade de video clip conseguia manter um filme sempre acima da cultura MTV. Não há realizador que melhor consiga filmar, literalmente, a merda e gente a mergulhar nela e, ainda assim, manter um sorriso nos lábios de quem vê a porcaria.

 

Melhor actor
Sean Penn - ‘Milk’. Errei. Pensei que o Mickey Rourke, com the ‘The Wrestler’, já tinha o óscar no papo. Não teve. Sean Penn mereceu o prémio e o tempo de antena. E Rourke saiu, ainda assim, como vencedor moral. E foi o único homem de quem se falou a respeito da indumentária. Já é muito.

 

Melhor actriz
Kate Winslet - ‘The Reader’. Acertei.  Anne Hathaway, em ‘Rachel Getting Married’ faz bem o seu papel, mas o filme é um beco sem saída. Angelina Jolie está bem em ‘Changeling’, mas falta-lhe um pouco de pimenta malagueta. Melissa Leo, em ‘Frozen River’, revelou ao mundo que não deve ser ignorada, e a Academia já fez muito em estender-lhe o tapete vermelho. Gostaria de a ver noutros papéis. Meryl Streep, em ‘Doubt’, está magnífica, mas já se pode contentar com mais uma nomeação. Não precisa de mais momentos de glória, até porque vai tê-los enquanto se mantiver de pé. Kate Winslet está magnífica em "O Leitor". Ponto. Ainda não vi o Revolutionary Road, mas duvido que esteja melhor aí, ao contrário do que ouvi a outros dizer.

 

Mehor actor secundário
Heath Ledger - ‘The Dark Knight’. Errei. Philip Seymour Hoffman, em ‘Doubt’, para mim, devia ser o vencedor. A atribuição póstuma de um óscar é um disparate. Façam as homenagens que quiserem, mas por que raio é que se há de dar um mimo a quem já não pode usufruir dele? Outras formas de homenagem seriam mais adequadas. O momento da treta da noite, quanto a mim.


Melhor actriz secundária
Penélope Cruz – ‘Vicky Cristina Barcelona’. Errei. Sabia que era ela que ganhava, mas creio que o papel de histérica não é assim tão difícil de fazer. Ainda mais para uma espanhola. Amy Adams, em ‘Doubt’, era comedida. Gostei da personagem. Tenho para mim que os prémios para os actores premeiam mais o argumentista como criador de personagens que os actores que neles pegam. Claro que se não tiverem unhas... E, pronto, Penélope Cruz tem unhas.


Melhor filme de animação
Wall-E. Sem surpresas. Um filme lindo onde a forma humana de amar se reflecte em personagens que supostamente não poderão amar. Gosto muito, muito, muito, muito deste filme. E o beijo eléctrico do final é um dos maiores momentos amorosos da história do cinema.

 

Mehor filme estrangeiro
‘Departures’ (Japão). Errei. Não vi. ‘Entre les murs’ (França) foi a minha aposta. Também não vi ainda, apesar de ser professor. Para mais tarde comentar.

 

Melhor argumento original

Dustin Lance Black, em ‘Milk’. Errei. Mas sem grande surpresa. O filme é bom, o tema é adequado aos tempos que passam... mas, para mim, o low profile de Courtney Hunt, em ‘Frozen River’ é algo que merecia ser valorizado.

Melhor argumento adaptado
Simon Beaufoy - ‘Slumdog Millionaire’. Acertei. Sem dúvida nenhuma, um belíssimo argumento, com um sentido de timing perfeito.

 

Melhor Banda Sonora
Slumdog Millionaire, de A R Rahman. Acertei. Mas há coisa mais divertida que esta banda sonora? Deixa cá pôr a tocar mais uma vez... Os outros são mais do mesmo, ainda que gosto de todos...


Melhor canção
‘Jai Ho’ - ‘Slumdog Millionaire’... Acertei. Ora deixa cá ver se é desta que aprendo, finalmente os passos de uma dança que seja...

 

Melhor montagem
Chris Dickens em ‘Slumdog Millionaire’. Errei. Mas sem surpresas e sem desgosto. Mike Hill e Dan Hanley, em ‘Frost/Nixon’ conseguem o perfeito balançar entre as duas partes em jogo. Novamente, o low profile não sobe ao pódio.


Melhor fotografia
Anthony Dod Mantle – ‘Slumdog Millionaire’. Errei. Tom Stern, em ‘Changeling’ é mais criativo. Mais colorido. Mais escuro. Pronto... E esta é uma das categorias em que não costumo errar...


Melhor Guarda-Roupa
Michael O’Connor, em ‘The Duchess’. Errei. Jacqueline West,  em ‘The Curious Case of Benjamin Button’ estava bem. Mas nada bate as rendinhas de época da BBC.

 

Melhores efeitos sonoros
Lora Hirschberg, Gary Rizzo, Ed Novick - ‘The Dark Knight’. Errei. Não ouvi porque não vi. Tom Myers, Michael Semanick e Ben Burtt , em ‘WALL-E’ eram, talvez, demasiado sintéticos, mas podiam ser outra coisa?

 

Melhor montagem sonora
Tom Sayers - ‘Slumdog Millionaire’. Errei. Ben Burtt, Matthew Wood, em ‘WALL-E’, novamente, prejudicados por trabalharem com material sintético. Mas foi bem atribuído, a um filme que molda os sons da realidade com invulgar e feérica mestria.

 

Melhor caracterização
Greg Cannom - ‘The Curious Case of Benjamin Button’. Errei. E discordo do vencedor. As carantonhas plásticas da velhice são exageradas e absolutamente pavorosas. Acho que o pessoal votou mais a pensar naquilo que pensou ver do que naquilo que, de facto, é dado a ver.

 

Melhor direcção artística
Donald Graham Burt, Victor J. Zolfo - ‘The Curious Case of Benjamin Button’. Errei. Kristi Zea, Debra Schutt , em ‘Revolutionary Road’ deviam ganhar. O low profile, e a década de 50, não dão óscares.

 

Melhores efeitos especiais
Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton, Craig Barron - ‘The Curious Case of Benjamin Button’. Errei. Mas foi bem atribuído. Nick Davis, Chris Corbould, Tim Webber, Paul Franklin, em ‘The Dark Knight’ foi apenas um tiro ao calhas. A ver se dava.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 22:29
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Domingo, 22 de Fevereiro de 2009
Apostas para os óscares de 2009

Excerto de "Slumdog Millionaire". O meu preferido, sem dúvida.

 

Para que conste...

 

Melhor filme
Slumdog Millionaire

Melhor reaizador
Danny Boyle - ‘Slumdog Millionaire’

Melhor actor
Mickey Rourke - ‘The Wrestler’

Melhor actriz
Kate Winslet - ‘The Reader’

Mehor actor secundário
Philip Seymour Hoffman - ‘Doubt’
Melhor actriz secundária
Amy Adams – ‘Doubt’
Melhor filme de animação
Wall-E

Mehor filme estrangeiro
‘Entre les murs’ (França)

Melhor argumento original
Courtney Hunt - ‘Frozen River’
Melhor argumento adaptado
Simon Beaufoy - ‘Slumdog Millionaire’

Melhor Banda Sonora
Slumdog Millionaire
Melhor canção
‘Jai Ho’ - ‘Slumdog Millionaire’

Melhor montagem
Mike Hill, Dan Hanley - ‘Frost/Nixon’
Melhor fotografia
Tom Stern - ‘Changeling’
Melhor Guarda-Roupa
Jacqueline West - ‘The Curious Case of Benjamin Button’

Melhores efeitos sonoros
Tom Myers, Michael Semanick, Ben Burtt - ‘WALL-E’

Melhor montahem sonora
Ben Burtt, Matthew Wood - ‘WALL-E’

Melhor caracterização
Mike Elizalde, Thom Flout - ‘Hellboy II: The Golden Army’

Melhor direcção artística
Kristi Zea, Debra Schutt - ‘Revolutionary Road’

Melhores efeitos especiais
Nick Davis, Chris Corbould, Tim Webber, Paul Franklin - ‘The Dark Knight’

 

... para depois dizer qualquer coisa.

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publicado por Manuel Anastácio às 20:02
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2009
Enciclopédia Íntima: Chorar

Excerto de "Sonata de Outono", de Ingmar Bergman.

 

Quando era pequeno (e ainda sou pequeno) desenvolvi a teoria de que as pessoas choravam para que o mundo aparecesse desfocado. Enquanto chorava, as lágrimas transformavam a realidade cúbica do mundo numa confusão de círculos de luz. E isso era belo. Era o mundo desfigurado onde preferia viver. As linhas rectas pertenciam à estrutura de toscos do edifício onde tinha nascido. Um mundo de sarrafos sujos e onde tudo tinha a utilidade sórdida da economia que não me permitia simplesmente ficar a ler à sombra dos pinheiros que agora já não existem, substituídos que foram pelos eucaliptos que tomaram conta da paisagem da minha infância. No saco onde levava a bucha para os dias de trabalho, levava sempre um livro. Sujo de cimento, li Saramago e Homero. Sujo de cimento, não podia ver os filmes da época áurea do cinema que passavam à tarde na televisão pública e que, ainda assim, e afortunadamente, conseguia gravar num VHS (que ainda funciona), usando o temporizador. Por vezes, os filmes ficavam incompletos. E, por um minuto que faltasse, não os via. Tinha de os ver desde o primeiro ao último fotograma. Quando chorava, o mundo era belo. Os meus olhos tornavam-se câmaras que distorciam a dor de viver e a transformavam na suportável experiência de assistir à dor. O cinema era uma forma de chorar através dos olhos dos outros. De manhã, entre as escoras das cofragens que me cabia a mim desmontar e transformar em pilhas de madeira ordenada e limpa de pregos, imaginava planos que captassem a beleza dos pingentes de argamassa que se formavam entre as juntas das tábuas e a beleza das escoras, primeiro de troncos de eucalipto jovem, mais tarde de extensores de metal, que se iam sobrepondo, tapando e revelando como colunas de uma fria arquitectura imitando grades, em profundidade, frente ao céu rosa das manhãs que se estendiam sobre os baldios à espera de mais construções à moda ortogonal da Maison-Domino de um Le Corbusier que eu desconhecia, quando já discorria, no silêncio do meu cérebro rejeitado, sobre Aristófanes e John Ford. Nessa altura, não gostava de arquitectura. Era a arte perversa de me roubar a infância.

 

Quando era pequeno (e ainda sou pequeno) chorava todos os dias. Era a minha forma de escrever o mundo.

publicado por Manuel Anastácio às 00:18
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
Reportagem Urbana, de Aramis Ribeiro Costa

Cena final de "Umberto D", de Vittorio de Sica. A casa que nos é negada e a, incógnita, que nos é oferecida.

 

Recebi mais um Livro do Brasil, pela mão da Gerana e autografado pelo próprio autor, Aramis Ribeiro Costa. Assim que o fui levantar aos correios, veio-me a nostalgia dos natais que sempre desejei e nunca tive. A nostalgia de um enorme monte de presentes, todos eles paralelepipédicos, todos eles cheios de folhas impressas, todos eles amigos surdos, mas não mudos. Rasguei o envelope como se fosse o pouco ecológico papel de embrulho das nossas infantis fantasias de abundância e inspirei o primeiro contacto da capa negra, belissimamente composta por um rosto microreticulado em angústia, que se corta e esbate no negro, enquadrado por rectângulos que se cruzam e se ampliam num reticulado maior de uma paisagem urbana ou do que, em mancha esborratada pela humidade, se poderia considerar uma paisagem urbana. A capa é como o rótulo de uma garrafa de vinho. Demoro-me ainda na dedicatória manuscrita pelo autor e, depois, nas dedicatórias impressas. À mãe de Aramis, que jamais lerá o livro, às irmãs e sobrinhas (“a permanência dos meus”) e à Gerana (“a dor sem termo das nossas perdas”). A dedicatória é já em si um conto, pungentemente verdadeiro, à parte. Há dedicatórias assim. Lembro-me, claro, da última de Saramago dedicada a Pilar, mas há outras que mereceriam também um livro à parte, um “Livro das Dedicatórias” ao género borgiano das epígrafes também de Saramago. E, ainda antes de começar o dia de trabalho, devorei e bebi a morte que se espraia nas primeiras páginas, em “A Interminável Noite de Percival”: a ausência a justificar o excesso, a demora, o protelar do inevitável, o mimetismo nostálgico do luto que a tudo dá sentido exatamente porque nada mais tem sentido. Neste primeiro conto de um conjunto de sete, há um sopro de promessas que a vida comezinha não me permite seguir ininterruptamente. Tenho de trabalhar. A dedicatória de Aramis à mãe faz-me lembrar, subitamente, enquanto arranco o carro e contorno a rotunda em direcção à rua Gil Vicente e a manhã me molha o pára-brisas com os salpicos da fonte, num dos primeiros quadros escritos do meu filme preferido, “Young Mr Lincoln”: “If Nancy Hanks came back as a ghost, seeking news of what she loved most, she’d ask first: ‘Where’s my son? What’s happened to Abe? What’s he done?”. Todos nós já sentimos, em momentos de alguma glória pessoal, a falta daquela pessoa que, sabemos, mais que ninguém, partilharia connosco a alegria de um momento que, sendo sempre passageiro, para nós será eterno. E os momentos efémeros descritos por Aramis nestes contos são também momentos eternos porque se referem às perenes preocupações humanas e à forma intemporal como estas se manifestam. Os contos, ainda que encontrem na malha urbana de uma cidade brasileira o seu cenário, e ainda que a cidade seja, em si mesma e em termos conceptuais, uma personagem, têm como referência geradora a posição do indivíduo na História. O terceiro conto, “Lídia – Uma História de Heródoto” pega num standard, ao modo do desenvolvimento musical das peças de jazz, e insere a sua escrita no movimento eterno da recontagem do património narrativo da humanidade. O desejo, a honra, a vingança, são transpostos para uma certa irrealidade contemporânea, que se manifesta igualmente no conto Sete-Sete, onde o tema do inocente injustamente acusado parece novamente recriar nas letras o que, por exemplo, também já Hitchcock desenvolvera em “The Wrong Man”. Por esta altura, já a minha forma de ler começa a estabelecer entre a escrita de Aramis e a sétima arte uma ponte que se vai firmando de página para página. As personagens começam a  mover-se em enquadramentos clássicos. Nada de câmaras que balançam acompanhando os movimentos imprevistos das personagens. Não. O título “Reportagem Urbana” bem poderia dar a ideia de que os relatos seguiriam o registo contemporâneo da escrita jornalística. Mas não. O conto “A Casa” é o sonho de qualquer realizador neorealista italiano. Foi a preto e branco que imaginei aquele que, para mim, é o mais belo dos sete contos deste livro. Um homem decide-se a enfrentar a dor do leito de morte para continuar a construção da casa que ficou a meio, interrompida pela notícia da doença terminal. A relação que se estabelece entre as duas personagens principais, pai e filho, lembra Vittorio de Sica. A cena final (e uso o termo “cena” de propósito), na varanda que enforma todo o desejo e que transforma o leito carunchoso da morte num patamar superior de vida enfim alcançado, é como que o trabalho alquímico de uma Grande Obra de amor. Amor que, ao contrário do que muita gente suspeita, é o grande tema do neorealismo – e este é, sem dúvida, um grande momento do neo-realismo extemporâneo. Mas há também neste processo, penoso, entre a morte inevitável e a evitável morte em vida, um profundo pensamento filosófico e arquitectónico de raízes existencialistas onde, paradoxalmente, a ideia de absurdo é apagada. A vida não é absurda se houver uma varanda onde morrermos em paz, especialmente, se essa varanda for por nós construída – e se a sua construção, mais que o objecto final, for a passagem do testemunho para as mãos daqueles que deixamos como herdeiros. Mas Aramis segue, com um sentido musical inato, para o próximo conto, “Segunda-Feira sem Data” onde toda a exaltante moral da unidade anterior se parece apagar num scherzo metafísico sobre a burocracia com que se apagam os nossos dias entre o reticulado (lembram-se da capa?) dos cubículos das repartições onde as nossas esperanças se diluem na esperança divina de uma promessa que a nós desce, qual pomba do Espírito Santo, na forma de uma SMS. O espectador, como é normal na audição de certas composições eruditas, pede uma pausa. Pouso o livro sobre o granito da lareira da casa dos meus sogros. O livro respira a cada espaço branco antes do andamento seguinte. Depois do jantar e do aroma minhoto do vinho verde tinto, leio, frente a uma canhota de carvalho em brasa, “O Aniversário de Normando”. Leio com a leve embriaguês de quem sabe que só a literatura que imita a música consegue subverter a realidade da miséria e da solidão num universal complexo de partilha. E, brutalmente, enquanto partilho os tira-gostos de batatas fritas e carne-de-sol que Gregório pagará, a contra-gosto, com o suor do rosto alheio, depara-se-me a revelação de que a Humanidade nada mais é que a Natureza disformemente alcoolizada. Finalmente, corre-me pelos dedos o conto que dará nome ao livro. Conto pautado pelas horas que passam no período simbólico de um dia, enquanto alguém espera, não por Godot, não pelo que a Vida lhe poderá trazer, mas pela mãe que enfim aparece, sob a forma de uma fatídica e desesperada coda final que se repete, minimalista. A mãe de todas as conclusões.

 

Quando fecho o livro, é altura de ir para casa. E apercebo-me de que, no fundo de cada estória, há a casa. A casa onde se cai e se foge às responsabilidades para que nos chamam, a casa que nos negam, a casa que nos é oferecida pela tentação, a casa por nós conquistada em luta com a morte, a casa onde, enfim, resolveremos a nossa vida, a casa para onde seguimos cansados, a casa para onde nunca voltaremos e para a qual não sabemos o caminho. E mesmo a personagem do sapateiro Heródoto, o contador de histórias, aparece como alguém de morada incógnita. Como só poderá ser cada cubículo em que a cidade se divide. Cubículos de uma irrealidade reticulada onde, por vezes, se entreabrem portas para a intimidade exposta de quem neles poderia viver.

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publicado por Manuel Anastácio às 19:25
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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Conformes à sua espécie

A elipse de "2001: Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick

Escrevia, ontem, um aluno meu, num teste, que a "famia e o macho [da ave-do-paraíso] têm dimorfismo sequessual." Não está mal do ponto de vista científico. Está pior do ponto de vista do desacordo ortográfico. Mas só me lembrei disto por causa de, hoje, só se falar de Darwin, enquanto por estas bandas se discute a bondade e a beleza da criação. Claro que Darwin nunca negou a intervenção divina na evolução das espécies. E qualquer pessoa religiosa com meio palmo de testa sabe que a evolução é um ponto assente. Muito se terá ainda a descobrir quanto aos mecanismos pela qual funciona, mas o essencial é claro como a água. As aves, os insetos, os moluscos e todos os animais que rastejam não foram criados conformes à sua espécie. O conceito de espécie é, aliás, espinhoso. Quando os meus alunos me fazem a clássica pergunta do "Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha", eu respondo, como professor de Ciências Naturais consciente da enormidade do criacionismo que, se ele quiser acreditar em certas correntes ideológicas não científicas (e perigosas), o que nasceu primeiro foi a galinha. Deus não ia criar um ovo sem que houvesse outra galinha a chocá-lo, e a ideia de usar uma chocadeira parece-me blasfema. Mas, de acordo com a Teoria da Evolução, é ponto assente que nasceu primeiro o ovo. E quem pôs o ovo? Um animal parecido com uma galinha, e que, eventualmente, até poderia ser confundido actualmente com uma galinha. Mas que não era uma galinha. Ou era uma galinha (porque provavelmente se poderia reproduzir com outra galinha - ou melhor, com um galo) mas com algumas características que não coincidiriam com a definição pormenorizada que hoje podemos ter de uma galinha, incluindo o retrato-tipo da sua informação genética. Claro que quando estou a tentar explicar esta última parte, já o aluno deve estar a pensar que eu não devo bater bem da bola. Por isso, deixo o aluno pensar, contente, num dinossauro a pôr um ovo de onde sai uma galinha. É uma elipse, algo semelhante à do 2001 Odisseia no Espaço, mas perfeitamente aceitável para um aluno que ainda nem sequer sabe o que é o núcleo de uma célula.

 

Ora, que nasceu primeiro: o ovo ou a ave-do-paraíso, a tal que tem um dimorfismo sequessual muito pronunciado? A resposta poderia ser semelhante à da galinha, mas eu prefiro perguntar quem é que apareceu primeiro: o macho da ave-do-paraíso, bicho vistoso e saltitão (e que provocou largas gargalhadas numa aula)(...)

Parada nupcial da ave-do-paraíso (BBC Channel Planet Earth).

 

(...) ou a mais discreta fêmea? Confesso que não sei a resposta. O macho é aquele que produz células que se movem; a fêmea é aquela que guarda as células que esperam pelas células que se movem. Depreendo que tudo tenha começado com células a fazerem troquinhas de material genético. Mas quando é que uma rebanhada de células começou a perseguir  uma outra, específica, tornada objecto de competição, é coisa para a qual não tenho os conhecimentos científicos necessários para levantar uma hipótese-para-aluno-ouvir minimamente digerível.

 

Quanto ao dimorfismo sequessual da ave-do-paraíso, lembrei-me dele por causa da maçã de Adão, objecto mitologico-alegórico transformado em caracter sexual secundário (as tais diferençazinhas entre macho e fêmea sem contar com as ditas cujas) da espécie humana. Maçã que não poderia ser o fruto proibido, se o fruto fosse, de facto, um fruto na acepção botânica actual. A maçã é um pseudo-fruto, ou pelo menos é assim designada a sua parte comestível (o fruto será o coração onde se encerram as sementes: aquele que, cortado transversalmente, dá a ver uma estrela nunca antes vista) já que não provém de nenhum tecido do ovário da planta. Ou seja, escolheu-se para fruto da tentação uma coisa que apenas aparenta ser o que é, mas não é. Um frutóide, diria o meu aluno. E eu aprovaria a criatividade vocabular.

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publicado por Manuel Anastácio às 01:21
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Retalhos da vida de um professor de Ciências I

Ranúnculo-dos-prados e mosca Thricops semicinereus. Clicar na fotografia para os devidos créditos.

 

- Como são as asas dos insectos?

- Mebra... membrosas e com veias de quitina!

- Queres dizer "membranosas e com veios de quitina"?

- Sim, deve ser isso.

- Então, repete devagar... membranosas...

- Membrosas.

- Não, membranosas... vem de membrana... sabes o que é uma membrana?

- Não.

- É uma coisa assim tipo pele, mas que não é pele...

- Então devia-se chamar pelóide.

- Porquê?

- Então, os rizóides chamam-se rizóides porque são tipo raízes, mas não são raízes... Foi o que o professor disse: que os óides no fim das palavras eram para coisas que eram parecidas mas não eram... como nos espermatozóides...

 

E o espanto toma conta de mim.

 

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publicado por Manuel Anastácio às 02:52
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