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Segunda-feira, 30 de Junho de 2008
Da Música e Outros Demónios

Amy Winehouse, Tears Dry On Their Own

 

Quem me conhece tem, invariavelmente, a impressão que para mim só existe a música dita erudita, ou séria, ou clássica, ou o que lhe quiserem chamar (que ela não é, pelo menos no seu todo, nenhuma das coisas atrás referidas) e que desprezo todas as outras formas ou géneros musicais. Mas para mim existem apenas dez tipos de música1:

a) a que eu gosto,

b) a que eu não gosto,

c) a que me interessa ouvir antes de saber se gosto ou não,

d) a que não quero ouvir sequer pela primeira vez, porque já sei o que é que a casa gasta,

e) a que não gostava e aprendi a gostar,

f) a que não desgosto, mas ainda não gosto porque não me atrevo a não gostar, porque acredito que vou gostar um dia;

g) a que gostava e agora me enjoa, ou pior.

h) a que não interessa se gosto ou não;

i) a que ouvimos quando estamos nos sanitários dos centros comerciais e nos elevadores - até se ouve, mas já deixou de ser música (a música dos call centers cai na alínea d));

j) a que se ouve no Pingo Doce2;

 

De cada uma delas:

a) se gosto, é porque gosto. Por exemplo, o "Liebestod" do "Tristão e Isolda" (não, não são os compositores da peça nem uma dupla sertaneja), o "Requiem" de Mozart, ou mesmo o de Verdi, ou o "Back to Black", da Amy Winehouse (geralmente coisas muito saudáveis e alegres, cheias de alegria de viver e que afastam qualquer pensamento sombrio);

b) não gosto de... das alíneas d) e f);

c) por exemplo, o último CD dos Portishead ou o concerto para violinos do Chopin3;

d) qualquer coisa do Quim Barreiros4 (mesmo que seja a comer sardinhas e a beber vinho carrascão, não suporto o homem, ou a-coisa-com-bigode-ou-lá-o-que-é e pronto!) ou do Toy4;

e) desta não dou exemplos, que é para parecer que sempre tive bom gosto;

f) não vou dar exemplos, porque não quero revelar (ainda mais) a minha mediocridade intelectual;

g) por exemplo, a "Valsa das Flores" do Tchaikovsky e outras coisas melosas que encantam facilmente quando não conhecemos mais nada; ou músicas potáveis que, de tanto ouvir em tudo o que é sítio ganham cor de beringela;

h) o "para Elisa" do Beethoven, por exemplo; ou uma canção dos Delfins;

i) Moby - por exemplo o "How does my heart..." (que serviu de fundo a um anúncio5 da SuperBock que se passava na praça da Oliveira, aqui, na minha Guimarães, quando ainda não era minha, e que marcava as passagens de ano nas televisões portuguesas); ou a passagem mais conhecida da "Primavera" do Vivaldi (não a peça completa, que já passa para a alínea a))

j) a música do "Doutor Jivago" tocada num sintetizador dos anos 80.

 

Está feito o meu retrato musical. Como sempre, ou quase sempre, não era este o artigo que eu queria escrever. Nem sequer era um artigo sobre música, mas um artigo sobre cinema, a sua relação com os videoclips - ou se os videoclips são cinema ou, apenas, um produto "audiovisual" - e, principalmente, os videoclips que mostram pessoas a cantar enquanto seguem na rua, cruzando-se com todo o género de fauna humana, ou com todas as variantes (ou as principais, geralmente tristes) da Condição Humana. No primeiro caso, temos o "Tears Dry On Their Own" (muita fauna humana); no segundo caso, o "Unfinished Sympathy", dos Massive Attack, que, num dos mais emocionantes planos sequência de que tenho memória, exprime a lama com pétalas de flor, enquanto Shara Nelson recita, como quem canta, que é como uma alma sem mente, num corpo sem coração, sentindo a ausência de cada parte. Um plano sublime, uno, completo, íntegro e perfeito sobre fragmentos sórdidos, decepados e desfeitos nas imperfeições próprias de se ser humano. Camões não faria melhor com as suas antíteses sobre o Amor.

Massive Attack: "Unfinished Sympathy"

 

1. Pronto, se calhar, há mais, mas não tenho tempo nem paciência para fazer mais alíneas;

2. Cadeia de supermercados em Portugal (nota para os amigos brasileiros que ainda têm paciência para me aturar), que já foi supermercado dos que se julgavam ricos e que agora também quer ser dos pobres (porque os primeiros entraram em vias de extinção): nota 2.1. não sei que música passava o Pingo Doce quando era supermercado dos que se julgavam ricos;

3. Ainda para os amigos brasileiros (ver aqui);

4. Amigos brasileiros: vão por mim, não queiram saber do que é que estou a falar.

5. Digam lá que a minha5.1 terra não é linda?

5.1. Lá por não andar a tocar tambores na festa do pinheiro5.1.1, não deixa de ser minha.

5.1.1. Festa, antes do Natal, em que todos os estudantes que o foram em Guimarães  (menos os da UM5.1.1.1) não deixam ninguém dormir e esfolam as mãos todas a bater em tambores e a abanar couves galegas, enquanto uma parelha de vacas puxa um pinheiro cortado (uma festa muito pouco ecológica, tanto pela árvore cortada - e pelas pobres couves, como pelo tormento que as vacas passam).

5.1.1.1 Ia dizer uma coisa qualquer muito espirituosa, mas estou com sono. Até amanhã, se Deus quiser, se tiverem a internet a funcionar, não tiverem perdido o endereço e se não quiserem perder o magnífico artigo que vou publicar amanhã.

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publicado por Manuel Anastácio às 22:33
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Domingo, 29 de Junho de 2008
Enciclopédia íntima: Pútegas

Pútegas, imagem do Wikimedia Commons

 

Há coisas que se aprendem na escola, mas que são falsas. Quase todas as generalidades que dizemos sobre a vida são, num dado momento, falsas. Aprendemos que as plantas são seres autotróficos, isto é, que produzem o seu próprio alimento. Ora, se isso é verdade para a grande maioria, não faltam por aí plantas heterotróficas que, tal como os animais, se alimentam da seiva elaborada pelas suas irmãs providas de clorofila. É o caso das Orobanchaceae, e em especial desta extraordinária Orobanche sanguinea.

 

As pútegas  (Cytinus hypocistis), raro nome, formam outro interessante género de plantas, da família das raflesiáceas, parasitas das estevas (género Cistus), plantas que invariavelmente enchem a paisagem mental da minha infância e que são de todo ausentes aqui no Norte húmido de Portugal.

 

São plantas pequenas, amarelo-avermelhadas, de caules muito curtos, com
folhas escamiformes, densamente imbricadas. São monóicas, ou seja, têm flores hermafroditas. Vivem a maior parte do tempo enterradas, aflorando, junto às raízes das estevas de que se alimentam,  apenas para florescer. As folhas, carnudas, são comestíveis, mas era o néctar doce das flores que punha as crianças à sua procura. Entre os seis quilómetros que separavam a escola do Sardoal e o perímetro da minha aldeia, quando não tínhamos paciência para esperar pelo autocarro, era frequente ir, com os meus colegas, às pútegas. E ríamos com a piada fácil. Mas eu raramente as encontrava. Entre o xisto e as resinas dos pinheiros e das estevas, entre o Vale da Amarela e o Vale de Carvalho, hoje calvas cabeças roídas pelo fogo, apenas encontrava a inocência de quem não sabia que aquele mundo estava a acabar.

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publicado por Manuel Anastácio às 09:13
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Sábado, 28 de Junho de 2008
São Mamede

São Bernardo e a Virgem, Alonso Cano, Museu do Prado

 

A 24 de Junho, quando Portugal em peso faz fogueiras a São João, praticamente só em Guimarães se celebra aquilo que, desde os Anais de D. Afonso, Rei dos Portugueses, é considerado o primeiro episódio da história portuguesa: a Batalha de São Mamede.

 

“Na era de 1166 [ano de 1128], no mês de Junho, na festa de S. João Batista, o ínclito Infante D. Afonso, filho do conde Henrique e da rainha D. Teresa, neto do grande imperador da Hispânia, D. Afonso, com o auxílio do Senhor e por clemência divina, e também graças ao seu esforço e persistência, mais do que à vontade e ajuda dos parentes, apoderou-se com mão forte do reino de Portugal. Com efeito, tendo morrido seu pai, o conde D. Henrique, quando ele era ainda criança de dois ou três anos, certos [indivíduos] indignos e estrangeiros pretendiam [tomar conta] do reino de Portugal; sua mãe, a rainha D. Teresa, favorecia-os, porque queria, também, por soberba, reinar em vez de seu marido, e afastar o filho do governo do reino. Não querendo de modo algum, suportar uma ofensa tão vergonhosa, pois era já então de maior idade e de bom carácter, tendo reunido os seus amigos e os mais nobres de Portugal, que preferiam, de longe, ser governados por ele, do que por sua mãe ou por [pessoas] indignas e estrangeiras. Acometeu-os numa batalha no campo de S. Mamede, que é perto do castelo de Guimarães e, tendo-os vencido e esmagado, fugiram diante deles e prendeu-os. [Foi então que] se apoderou do principado e da monarquia do reino de Portugal.” (in "Dom Afonso Henriques", José Mattoso, Círculo de Leitores, 2006, página 45))

 

Onde seria, ao certo o campo de São Mamede, não o sabemos. Diz a tradição que foi no Campo de Ataca onde hoje se ergue um monumento de granito ao acontecimento, a que voltarei mais tarde.

 

Campo de Ataca, São Torcato, Guimarães - foto minha em Creative Commons

 

Mas hoje queria apenas falar de São Mamede. O Santo que, involuntariamente, se associou ao nascimento de uma Nação. Duvido que houvesse aqui simbologia intencional, mas, como diz Fulcanelli no seu "Mistério das Catedrais", não existem coincidências que não sejam reveladoras dos mistérios mais profundos. Não sei se acredito nisso, mas não deixa de ser um exercício fascinante. São Mamede foi um santo lactante e isso é deveras interessante, tanto pelo tabu que em relação ao assunto hoje se faria (um santo que dava de mamar a crianças é algo de altamente suspeito hoje em dia e resultaria em acusação de crimes vergonhosos). De facto, a história de São Mamede é de tal maneira constrangedora para a mentalidade e moral actual, que a própria narrativa, claramente mítica e alegórica, foi sendo amenizada ou, pelo menos, expurgada da versão tradicional e popular que, ainda seguindo o pensamento de Fulcanelli, será a versão mais reveladora dos mistérios ocultos. Segundo esta, São Mamede (Saint Mammant, versão afrancesada de San Mamante, em Italiano; apesar de hoje se utilizar, em França, a versão Saint Mammès) terá encontrado um bebé abandonado e, não tendo com que o alimentar, recebeu a graça divina da lactação. A  história mais ortodoxa refere apenas a vinda de um anjo que trazia leite e mel (associação muito bíblica, de facto) a quarenta crianças que com ele estavam condenadas a morrer à fome. Seja como for, tornou-se no santo padroeiro da amamentação, o que é deveras curioso, sendo homem e não mulher. Note-se que Aristóteles considerava que os fluidos corporais, como o esperma e o leite eram produzidos no organismo, de forma semelhante, a partir da cocção do sangue. As mulheres nunca seriam capazes de produzir esperma (que Aristóteles considerava um fluido de grande perfeição, vá-se lá saber por que razão...) porque o seu calor corporal seria sempre insuficiente para a formação de tão exigente emanação. Já o leite, que seria um tipo de esperma imperfeito, não exigia tanto calor, pelo que as mulheres o fariam facilmente. Mas a fúria misógina da Ciência aristotélica vai ao ponto de nem sequer dar a exclusividade da produção de leite à mulher - de facto, o homem também tem mamilos, pelo que seria perfeitamente natural que, em certos casos, produzisse este fluido nutritivo.

 

São Mamede é um exemplo de como as metáforas religiosas do cristianismo, prenhes dos mais pagãos dos significados, podem ser tão ou mais fascinantes que as mitologias greco-romanas, pelo simples facto de que estas mitologias estão ainda vivas e em construção na mente colectiva do povo, ainda que em curso de desaparecerem, agora que, estando  tudo na Internet, não vale a pena memorizar. Sobre a memória e sobre o acto de amamentar falarei em próximos artigos.

 

Daqui, resta reter que o Santo que presidia ao local onde se deu, de facto, o desmame de Afonso Henriques, não era mais que o santo da amamentação. Curioso.

 

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publicado por Manuel Anastácio às 15:00
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A pior canção do mundo

Clique no play se estiver na disposição de ouvir 25 minutos de música pensada especialmente para o desagradar.

 

Esta canção foi escrita por Dave Soldier (música) e por Nina Mankin (letra), a partir de uma ideia de Vitaly Komar e Alexander Melamid, que se propuseram a criar, conceptualmente, a pior canção do mundo - aquela que resultasse da intersecção do que nos poderá repugnar, a cada um, individualmente, numa canção. Trata-se, por isso, de tentar imaginar a música que menos nos apeteceria ouvir. A pesquisa efectuada pelos criadores chegava a pretender que menos de duzentas pessoas no mundo poderiam vir a gostar de ouvir isto. Digo "isto", não porque despreze o resultado, mas porque tenho as minhas dúvidas quanto à eficácia desta obra, enquanto obra de arte conceptual. Pode ser arte aquilo que pretende ser mau? Sim, pode. Não discutirei isso agora. Mas poderá ser arte aquilo que, pretendendo ser mau, consegue ser apreciado como bom? Ou melhor: a arte conceptual trata de produzir objectos ou qualquer modo de expressão que consigam veicular um conceito, uma ideia. Ora, aqui, a ideia era provocar repugnância auditiva à esmagadora maioria dos representantes da espécie humana. Não duvido que muitos não ouvirão mais do que meio minuto - outros não aguentarão quatro minutos - mas tenho a certeza que muitos haverá que, tal como eu, ouvirão esta canção de 25 minutos e repetirão a experiência. Enquanto obra de arte conceptual, esta peça falha redondamente, porque haverá bem mais de duzentas pessoas no mundo a adorar a peça. Mas adoramos a peça por que razão?... Simplesmente porque é divertida. Quem não sorrir ao ouvir esta maravilha do humor sonoro é, simplesmente, um cara de pau. É arte? É. É a pior canção do mundo? Não. Nem de perto. Haverá quem diga que o humor brota naturalmente do mau gosto. Discordo em absoluto. O mau gosto teria inevitavelmente de conter em si aborrecimento e sisudez, e só há aborrecimento e sisudez perante a ortodoxia musical de cada género, para quem o não aprecie. Assim, ao amante da ópera repugnarão os cantares ao desafio (em princípio); ao amante do rap repugnará uma peça dodecafónica. Em princípio. Mas se há coisa mais volátil no mundo das artes é a pretensão de conseguir algo com o gosto do espectador, porque este é infuenciado, nas suas preferências, pelas expectativas e pelo seu passado. Tentar criar, cientificamente, má música, que seja consensualmente  má, é um logro e uma impossibilidade. Estamos condenados a sentir agrado naquilo que detestamos.

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publicado por Manuel Anastácio às 01:42
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008
As Metamorfoses de ouvido

Cena final de "Ordet" - "A Palavra", de Carl Theodor Dreyer. Não ver, a não ser que já tenham visto o filme, ou se não fizerem intenção de o ver.

 

Já aqui falei, por várias vezes, do José Eduardo Lopes. Hoje quero apenas falar desta pequena (ou grande) maravilha que são as suas "Metamorfoses de Ouvido". 15 contos de diminuta dimensão textual, mas de infinita misericórdia verbal. Misericórdia, porque repletos de compaixão e compreensão. Misericórdia verbal, porque emanam do Verbo, da Divindade - da Palavra. Das palavras. Não sei o que haverá em terras africanas para dar à luz tais artífices da palavra. O José Eduardo é um artífice, não porque não seja um artista, que o é, mas porque é um artista ao modo de antigamente, apesar de usar formas modernas de expressão (a micronarrativa). Ao modo de antigamente, porque dá valor ao próprio material que usa, não o pondo em causa, como em tanta manifestação artística que enche os nossos museus de arte moderna. A palavra, na mão de José Eduardo, é já de si um objecto em constante metamorfose, mas cujo espaço temporal captado é sempre o da revelação: da passagem da crisálida para insecto de cor e luxúria. Luxúria, porque não conheço narrativas que, partindo de algo tão imaterial como as palavras, consigam transportar em si a maravilha da carne, seja no estertor do prazer, seja nos espasmos do sofrimento.

 

A revista minguante publicou este e-book, que poderá ser folheado, quase literalmente, por qualquer pessoa que se queira metamorfosear no breve espaço de um clarão. Verbal.

 

Só uma nota, que em nada diminui o valor destes contos: os gémeos siameses são sempre do mesmo sexo. Mas Shakespeare também pôs Desdémona a sussurrar perdões quando, supostamente, morria sufocada. A arte e a verosimilhança não têm, necessariamente, de coabitar.

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publicado por Manuel Anastácio às 21:50
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
António Sousa Homem

Psilocybe cubensis em desenvolvimento. Porque nem tudo tem de fazer sentido.

 

Há na literatura minhota, de Camilo Castelo Branco a Agustina, um peso granítico que tanto pode maravilhar como causar um certo embaraçar de olhos perante uma língua que, sendo a portuguesa, e sem grandes dependências do galego, parece uma língua à parte. Os próprios cenários são diferentes da literatura do resto país. Nesta literatura abundam os casarões, os pergaminhos, os retratos e o pó que se acumula nos móveis. Mas a fala das personagens, por mais pergaminhos que a sustente, é, quase sempre, a fala do homem vulgar minhoto que trabalha ou trabalhava nos campos antes de a indústria se ter instalado por tudo quanto é sítio, erguendo chaminés de tijolo que hoje marcam o horizonte, rente a pavilhões abandonados, com vidros partidos e cimento à vista, da vista escondendo-se sob o musgo. Há uma certa forma de falar minhota que aqueles que aqui não nasceram jamais conseguirão imitar. Não falo de sotaques, mas da própria sintaxe. Granítica e barroca como um alçado de André Soares.

 

É aqui que António Sousa Homem, brilhante retrato de um minhoto muito pouco reaccionário - ou reaccionário como só alguns minhotos conseguem ser, mostra que não é, de facto, minhoto. Se psicologicamente e sociologicamente falando, esta personagem é deveras alguém que vive realmente entre os pinhais de Moledo, já não o é na qualidade de falante minhoto. A paisagem humana está ali, os brasões também. Mas a fala é clara, marmórea e leve. Nem uma ponta de cinzento do granito minhoto. António Sousa Homem não é minhoto. Muito menos, botânico. Fala, a dado momento, de urze, quando as plantas que aqui reclamam a atenção são menos avaras na largueza das folhas e mais efémeras no resplendor das flores. Mas pode ser que me engane, que Moledo do Minho não é local que tenha recebido o meu peso nem o meu olhar picuinhas entre as ervas.

 

António Sousa Homem é, acima de tudo, um homem. Nem reaccionário (que os reaccionários nunca assim se autoproclamam), nem minhoto, nem botânico. Não é, de modo algum, um heterónimo. Nem sequer advogado, como diz o site da ASA. António Sousa Homem é, porque ao aceitar classificar-se (é aí que reside a sua condição de botânico), passa a ser - mesmo que nunca tenha sido. É um homem porque é, em si mesmo, um livro. E um livro é um homem, assim como cada homem é um livro (ainda que, ao contrário do que se possa depreender da formulação, não exista relação de identidade ou equivalência entre os dois conceitos). António Sousa Homem não é um heterónimo porque não é uma pessoa com vida independente. Para todos os efeitos, é o fruto do autor que o deu à luz já em idade avançada (idade avançada de António Sousa Homem, não do autor, que não estamos a falar de graças parideiras do Antigo Testamento). António Sousa Homem é apenas aquilo que todos os homens deviam ser, na sua tolerância, humor e sabedoria, em detrimento de opções políticas, que não chega a ter, ou raízes nacionais ou regionais. É uma figura Universal, da mesma forma que Dom Quixote que, apesar de ter nascido e vivido num lugar da Mancha, de cujo nome não me convém agora lembrar, e apesar de viver e respirar o lugar onde está, como assim fazia o Cavaleiro da Triste Figura, é exemplo moral (ou não: "nem tudo tem de ter sen­tido na nossa vida", como diria o velho doutor Homem, pai deste) do que seja ou deveria ser a humanidade. É a arte de formar a ideia do Homem a partir das contigências - não através de sentenças ideológicas, mas de cada coisa que marca um homem. Tenha ou não tenha sentido. Isso é entender, como jamais poderá ser possível entender melhor, o que é isso da Condição Humana.

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publicado por Manuel Anastácio às 20:58
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Terça-feira, 24 de Junho de 2008
Fábulas de Esopo: A parte do leão

Cena final de "Greed" de Erich von Stroheim.

 

Foi o leão em caçada
C’ o lobo e outros que tal,
Sujeitos à sua alçada.
A raposa e o chacal
Detiveram na empresa
Comprometimento igual.
Procurando com destreza,
Um veado encontraram
Que logo se tornou presa.
Comprazidos, argumentaram
Como o iriam cindir,
Mas pouco mais conversaram
Ao ouvirem proferir
Estas ordens do leão:
“Há que em quatro dividir
a carcaça em rectidão.”
Fizeram-no de bom grado,
Procedendo à divisão
Depois do bicho esfolado.
O leão que tudo vira,
Tudo deu por aprovado.
Autoridade transpira
Enquanto se pronuncia:
“O quarto que aqui se estira,
Convém-me por regalia,
Que sou rei dos animais.
O segundo, todavia…
Também me cabe, ademais,
P’la responsabilidade
Do poder dos tribunais.
O terceiro, na verdade,
Tendo em conta o meu trabalho
Meu é, sem perplexidade.
O quarto quarto não falho
Nestas minhas pretensões:
Transformarei num frangalho
Quem ignorar as razões
- que me isento de ditar –
Que unem as quatro porções
Em meu exclusivo jantar.”
Baixando o focinho ao chão,
Sem queixas apresentar,
Permitiram ao leão
Consolar o apetite.
A zorra sem pretensão
De esperar outro convite
Sai dali envergonhada
E entre dentes se permite
À sentença confirmada:
“Hão-de os grandes te pedir
Os esforços da caçada,
Que nunca irão dividir,
Em equidade e justiça,
O despojo que acudir
Frente à sua vil cobiça.”

(versão de Manuel Anastácio)

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publicado por Manuel Anastácio às 02:08
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Domingo, 22 de Junho de 2008
Inferno, de Olga Roriz

Excertos de "Não Destruam os Mal-me-queres", de Olga Roriz.

 

A vigésima segunda produção da Companhia Olga Roriz, "Inferno", teve a sua estreia nacional, ontem, no  Palácio Vila Flor, em Guimarães, com coreografia, figurinos, direcção e selecção musical de Olga Roriz, também co-autora do cenário, com Pedro Santiago Cal,  e desenho de Luz de Clemente Cuba.

 

Não tive o prazer de ver a produção anterior, "Paraíso", que, tanto quanto sei, também se desenvolveria num contexto típico do musical contemporâneo que consiste em pôr a cantar quem não é cantor. O que não se chega a ter em técnica interpretativa, ganha-se em eficácia expressiva. E quando se fala de Olga Roriz fala-se disso mesmo. Eficácia expressiva. E, neste espectáculo, apesar de se passar no recinto fechado de um campo de concentração que, mais tarde, é transformado numa sala de Cabaré, bastando para isso forrar (ou almofadar?) as redes com cortinas, é o humor que domina a maioria do espectáculo. Os momentos alternados de vazios e cheios, luz e sombra, espasmos e introspecção contemplativa estão todos impregnados de humor e de referências facilmente digeríveis por um público que não esteja habituado à dança contemporânea, permitindo níveis de leitura que vão do mais superficial e bem humorado espectáculo de café concerto às mais profundas significações do simbolismo, da alegoria e, ainda mais fundo, à ausência das próprias significações. Há um momento chave do espectáculo, em que uma das personagens, com ademanes de futilidade, aproveita para exibir a sua capacidade interpretativa ao mudar o sentido a um mesmo pequeno conjunto de palavras, mudando apenas a ordem das mesmas e a forma como o corpo e a voz as profere. Assim é para este espectáculo, onde as significações reconhecíveis (e apaziguadoras para a inteligência de quem costuma sair dos espectáculos dizendo que não percebeu nada) perdem a sua função de significar, tendendo, simplesmente, a ser. A linguagem, pura invenção, pretende esbater-se na existência concreta dos que "morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem". Se há aqui um inferno, é o inferno dos que em lado algum se classificam, e em lado algum conseguem assentar os pés. As tentações são criptica e alegoricamente representadas ao modo de Hieronymus  Bosch, como uma mistura concertada de caos. A tentação é concretizada em pecado, mas deixando de existir linguagem, o castigo divino deixa de fazer sentido - Deus não castiga. Apenas expulsa as almas do Paraíso para a sua salvação, desligando-as da sua natureza verbal e remetendo-as para a sua condição de eterno desejo. Se o Paraíso é a satisfação plena na luz do significado de Deus, o Inferno é, aqui, o puro desejo aceso na solidão por onde apenas espreitam paraísos artificiais que se alimentam da própria insatisfação. Uma das almas chega mesmo a ligar-se e a desligar-se à corrente eléctrica a um ritmo onde se vai acentuando o desânimo provocado pela falta dessa ligação ao estímulo exterior, falso, artificial, mas sempre potenciador do desejo. Aqui não há acusação, nem crítica. Não há moral, mas também não há a falta dela.


As almas que entram e saem deste campo de concentração - logo, apenas campo de concentração na sua forma, não na função de privação de movimento físico ou espiritual - dispõem-se num espectro de formas materiais que se diluem, mas nunca no sentido da hibridização, já que os seres híbridos resultam da mistura de opostos ou antónimos. Na ausência da linguagem, deixam de existir opostos. A luz e a sombra coexistem enquanto formas variáveis e mutáveis da mesma coisa. A solidão, por exemplo, não tem antónimo. Não no Inferno. Não na anulação das possibilidades provocadas pelo desejo que só a si mesmo se quer alimentar.

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publicado por Manuel Anastácio às 10:37
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008
Pornografia e erotismo

Cena de "Tampopo" de Juzo Itami.

 

Esta cena de um dos meus filmes preferidos (que no Brasil recebeu o nome ridículo de "Os Brutos também comem Spaghetti")  é o exemplo perfeito que posso utilizar para diferenciar erotismo de pornografia. Há quem diga que, em certos casos, os dois campos se confundem. Contudo, não é assim. O erotismo existe para excitar a alma, fazendo referência ao corpo e ao prazer. A pornografia existe para excitar o corpo. Simples. Assim, as fotografias da Luciana Abreu, da Ana Malhoa e das Coelhinhas da Playboy, são pornográficas porque não têm qualquer intenção espiritual, num sentido lato - reparem, contudo, que não estou a fazer qualquer juízo de valor em relação à pornografia. Estou apenas a fazer um pequeno exercício de categorização. Este excerto, contudo, que chocará alguns dos meus caros visitantes pelas mais diversas razões (pelo que não deverão visioná-lo a não ser que tenham o espírito aberto) é um exemplo de poesia visual e sonora que, como as ostras, deve ser consumido cru. Luchino Visconti bem pode roer-se de inveja por Itami ter conseguido fazer com a música de Mahler a mais perfeita das conjuções entre o mundo abstracto dos sons e do ritmo da montagem e a carnalidade figurativa de cada plano. Claro que "Morte em Veneza", de Visconti - a obra cinematográfica que celebrizou a peça musical que se ouve também aqui - é uma obra completa e coesa, enquanto que "Tampopo" é um conjunto de curtas-metragens unidas em si apenas por um fio condutor temático, e umas mais perfeitas que outras. Também é certo que "Morte em Veneza" não é um filme erótico, porque o fascínio pederasta da personagem principal não é explorado na sua vertente sexual, mas como elemento corrosivo de um corpo que já está em decomposição quando segue em direcção ao Lido. O erotismo é sempre sobre a vida. Não existem elegias eróticas.

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publicado por Manuel Anastácio às 01:25
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008
Queria eu.

"Inércia", curta metragem premiada com menção honrosa no  Fastforward Portugal 2006, Braga. De Margarida Carvalho, Pedro Guimarães, Pedro Tarroso e Sandra Carvalho. 

 

Dizia eu, no meu último artigo, que livros bons não é o mesmo que bons livros. O mesmo se aplica aos filmes - até porque eu considero os filmes como sendo uma categoria específica de literatura. Quando me dizem que o livro é melhor que o filme, fico imeditamente com o olho arregalado. Porque, para mim, a questão é: qual livro? E respondem-me: o livro original. Ah... quer dizer que há livros que não são originais? De facto, todos os livros são originais. Até os plagiados. E não há plágio que não seja, em si mesmo, acto criativo. Pierre Menard sabia-o muito bem.

 

Ora, um filme é sempre um livro original. Nada o prende ao "livro original" a não ser um conjunto de ideias que se foi transformando ao ser processado na cabeça do argumentista e, depois, na do realizador, para não falar dos outros co-autores, que se sucedem em camada, como os directores de fotografia que nunca acertam com a luz certa para, por exemplo, transmitir as sombras que encheram o meu "Monte dos Vendavais", cuja melhor adaptação, a esse nível, continua, ainda assim, a ser o Abismos de Pasión de Buñuel, apesar de se passar no México e não no Yorkshire. Sei que pareço entrar em contradição - por um lado, digo que o filme não tem de se agarrar ao livro porque isso é contra a própria natureza do acto criativo, por outro, queixo-me das adaptações por não captarem a atmosfera que, de qualquer forma, apenas existiu dentro da minha cabeça. Emiy Bronte, com certeza, imaginou as coisas tingidas de outra luz e outras sombras. O leitor é sempre um autor. A interpretação é sempre uma traição à ideia original - se é que houve uma ideia original.

 

Sintetizando: adaptar um texto ao cinema não é um acto de reescrita em suporte diferente do original, porque não há qualquer texto original. O texto escrito pelo autor, enquanto durou a escrita, foi sempre uma hidra monstruosa contra a qual se luta sem resultados apaziguadores. Cortamos aquela frase e nascem vinte a pedirem para serem escritas. Mas o escritor não as pode escrever. O texto tornar-se-ia insuportavelmente labiríntico - e ninguém o editaria - aliás, o próprio escritor não o conseguiria terminar. O pior momento no acto da escrita é aquele em que dizemos: já está. Não está como eu queria, mas tenho de o mostrar a alguém. Tenho de carregar no botão que diz "guardar", "gravar", "salvar". Publicar. E esperar que digam alguma coisa. Entretanto, voltamos a ler e dizemos: mas eu escrevi isto? Como é possível ter tão mau gosto?... Ou: que maravilha! De onde é que terei plagiado isto? Ao relermos, ao passarmos para o lado do público, descobrimos que o texto original está perdido,  ou, melhor, que será sempre original, a partir do momento em que é, de novo, lido.

 

Um filme adaptado de um livro é resultado dessa reencarnção do texto que apenas é original porque foi o ponto de partida de muitas histórias que, partilhando o nome, não partilham a substância.

 

O meu sonho é ser realizador de cinema. Ser um plagiador a quem ninguém retira o posto da autoria. Não tenho pretensões de ser argumentista. Sabe-o bem o José Eduardo Lopes, a quem prometi a realização de uma curta metragem baseada num conto dele no dia em que ganhasse o EuroMilhões ou no dia em que um mecenas me suportasse tais gastos - e mantenho a promessa. Um passarinho, porém, contou-me ao ouvido que nunca serei realizador de cinema. Há destas fatalidades na vida de uma pessoa. Posso vir a participar num festival como o Fastforward e brincar aos realizadores de cinema, mas nunca verei um filme meu listado no IMDB. Quando comecei a escrever este artigo era para falar no filme, bom (mas que não é um bom filme), "The Bucket List" ("Nunca é tarde demais", em Portugal). E, enquanto escrevia,  cortei essa cabeça à hidra e logo surgiram, em substituição, centos a gritar-me para iniciar aqui uma série de plágios (com a devida indicação a apontar caminho para o texto "original"). Seria um ersatz do meu desejo de filmar. E não tendo eu muito tempo para actualizar o blogue, sempre seria uma forma de atalhar caminho.

 

Queria eu.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:29
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