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Segunda-feira, 26 de Março de 2007
Novíssimo Manual de Conduta do Seguidor de Jesus

Restauro do Jesus Crucificado no Convento de Nossa Senhora da Caridade1, Sardoal. Fotografia minha, em Creative Commons.


Jesus Cristo foi, sem dúvida, a mais importante personagem da História da Humanidade. Que me perdoem as outras religiões (incluindo as não religiosas), mas ninguém pode, sequer, aproximar-se um pouco que seja da resplandescente Glória de um Homem que se não foi Deus, foi aquele que mais próximo disso esteve. É a minha opinião.

Outra coisa, bem diferente, é vermos Jesus através das lentes deformadas dos teólogos e Doutores da Igreja que tanto se preocuparam com a sua Natureza e se esqueceram das suas palavras. Ainda hoje alguém me escrevia numa caixa de comentários "não me conhece de lado algum". De facto, não conheço Jesus de lado algum, tal como não conheço o Luís Bonifácio de lado algum. Mas conheço as palavras que deles me chegaram. No primeiro caso, de forma indirecta e, talvez, obscurecida pelos narradores que, tal como os de hoje, terão dado volta ao texto para, mesmo quando escrevessem verdades, nos conduzirem à mentira ou ao equívoco controlado. No segundo caso, de forma directa. As palavras de Luís Bonifácio são dele, escritas pelo seu próprio punho, concebidas na sua mente. Mas dão azo a incompreensão de parte a parte. Eu, provavelmente, não entenderei totalmente o que o Luís quer dizer - parto de princípios e de uma filosofia de vida diferente, tive experiências diferentes, a verdade apresenta-se-me de forma diferente. Logo, se é tão difícil compreender alguém que nos dá as suas palavras com a força da sua presença, como será possível compreendermos as palavras de alguém que nos chega da boca de outros? A realidade é que não é possível. O pensamento de Jesus esbateu-se irremediavelmente para os outros a partir do momento em que o tentou transmitir. O mesmo acontece connosco. Escrevemos - e julgamos que dizemos mais e melhor do que julgávamos ser capazes ou, o que é mais frequente, desesperamos pelo facto de as palavras erguerem-se como muros de silêncio. E, por isso, escrevemos poesia, que não é mais que, através das palavras, dizer o que as palavras não dizem nem nunca conseguirão dizer.

Quem ouviu Jesus, provavelmente, não sabia que estava a fazer História. Não sabia que estava perante a mais forte impressão de luz que a nossa curta eternidade permitiria aguentar.

Hoje sabemos. Dizem-nos, desde crianças, que Jesus é Bom. Logo, predispomo-nos para encontrar bondade nas suas palavras. Mas há mais que bondade. Há denúncia, há raiva, há orgulho, há dor, mas tudo revestido de uma tal luminosidade que só nos fica impressa a ideia de perfeição. Não sei se Jesus teria sido um bom escritor ou um bom filósofo. Foi, com certeza, um modelo de Humanidade.

E tudo isto para saudar aquele que, para mim, é um dos mais claros textos sobre as palavras de Jesus como deveriam, provavelmente ser lidas e ouvidas nos nossos dias. O Paulo Brabo, o autor, não é padre nem professor. Tanto quanto sei, não é Santo nem faz tenção disso. Mas tenho a certeza que Santo Agostinho teria gostado de trocar alguns argumentos com este Paulo que, de semelhança com o de Tarso, tem o dom de transformar as palavras que nos ficaram daquele que viveu por nós num monumento, talvez independente mas, ainda assim, de uma eterna humanidade. E sinto-me honrado por, em estranhas andanças na Internet, ter sido conduzido até àquela Bacia das Almas, quando procurava, literalmente, as Índias Ocidentais, onde o Paulo me recebeu de braços abertos, chamando-me de "Venturoso".

São 29 páginas de um sorriso aberto, de um toque de inteligência, humor e pura felicidade de existir. Bem gostaria que todos aqueles que aguentaram todo este meu texto enfadonho fizessem o download desta pequena Grande Obra, de seu nome "Em Seis Passos, que Faria Jesus: Novíssimo Manual de Conduta do Seguidor de Jesus", a imprimissem, a fotocopiassem e a oferecessem. Não estarão a violar direitos de autor porque o Paulo a colocou em Creative Commons. Só não a podem vender.

Para baixar/ler esta obra em formato PDF clique aqui ou aqui ou aqui. Para ler o livro na própria "Bacia", pode folhear o arquivo virtualmente numa janela maior.

1A ver ao vivo nas festas da Semana Santa no Sardoal. Lembro-me da primeira vez que vi este crucifixo, no final de uma procissão dos fogaréus, num fim de dia ventoso e húmido, já então em muito mau estado de conservação. As portinholas do nicho batiam com a fúria própria de um filme de horror, enquanto os fogaréus iluminavam os rostos nublados numa piedade felliniana. Terá sido, com certeza, uma das mais fortes imagens que deixarei gravada na escuridão do eterno silêncio.
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publicado por Manuel Anastácio às 18:49
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Sábado, 24 de Março de 2007
Curta 31
1. Orlando Braga faz mais um dos seus posts em que copia um excerto de um espantoso libelo homofóbico, por acaso, de leitura imprescindível. Nem só de boas leituras se forma o carácter. Temos também de ler, de vez em quando, panfletos declarados.

2. O Luís Bonifácio, na mesma onda, escreve no comentário:
"Substitui o artigo sobre a Heterossexualidade com uma tradução parcial do artigo da Wikipedia Inglesa.
A ver a guerra que o Lobby gay vai fazer!"

3. Eu respondo:
“Substitui o artigo sobre a Heterossexualidade com uma tradução parcial do artigo da Wikipedia Inglesa.” - ou seja: faz um vandalismo, contra as regras instituídas no projecto, para os podermos atacar por outra razão que não aquela que provocará reação (o pessoal revolta-se contra a “substituição do texto” por uma tradução parcial - em vez de desenvolvimento do texto; e nós aproveitamos para dizer que é o Lobby Gay… 1+1=5!)… Lindo, Bravo, meus caros: ao menos, vemos claramente como funcionam.

O pior é que não têm vergonha na cara, mas orgulho da sua falta de seriedade...
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publicado por Manuel Anastácio às 14:20
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Enciclopédia íntima: Lentidão

"Liturgia de cristal", "Quarteto para o Fim do Tempo", Olivier Messiaen

A Lentidão não é sinónima nem parente da preguiça. Não é um vício, mas uma virtude. Quando dividimos o mundo em Luz e Escuridão, entre Bem e Mal, estamos, em grande parte, a distinguir entre as experiências que nos são oferecidas em turbação, em ruído e na instabilidade da angústia e as experiências que nos aparecem definidas, claras, equilibradas – e, eventualmente, instáveis e até mesmo angustiantes mas onde se conseguem definir pontos de fuga. O Inferno tem-nos sido recalcado como um reino de partículas em choque onde as almas assumem esse papel atómico – os seus elementos são indivisíveis, mas o meio é feito de constante permuta. O indivíduo está encerrado na sua dor, percorrendo as angústias num constante movimento de vórtice. Os buracos negros vieram dar luz, fornecendo-nos um modelo com aparência de realidade, a este eterno sofrimento. Dante, ao inscrever na porta do Inferno o aviso “Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate” sabia bem que iria descrever o reino das almas que não mudam, daquelas que se apegam orgulhosamente – por vezes, até com dignidade e compaixão – à dor de terem vindo nascer a um mundo que não pediram, perante uma Salvação que não desejam nem poderiam desejar, ciosos da sua Identidade. 

O mundo actual é geralmente associado à rapidez e à mudança. Temos, até, a tentação de confundir rapidez com mudança. Mas é um logro. Este mundo é, de facto, rápido, e basta passarmos levemente os olhos sobre o panorama da história da humanidade para compreendermos a cegueira dos criacionistas que julgam que o ser humano nasceu há coisa de 6 000 anos. Esta aceleração das permutas entre átomos humanos, ciosos da sua Identidade, repito, é aquilo a que designamos de Inferno na Terra. Chocamos com os outros. Temos medo dos outros. Porque há rapidez nos gestos, nos encontros, nas trocas, nos olhares, nas decisões. O tempo, tornando-se cada vez mais uma coisa real, existe cada vez menos, porque se o meio nos oferece mudança e rapidez, o nosso núcleo encerra-se no medo, na insegurança e na angústia perante a destruição eminente. O conservadorismo atávico agudiza as suas lanças repulsivas perante o Outro, o Estrangeiro, porque esse outro vem de uma atmosfera de perturbação, vem a voar na nossa direcção no meio de outros Estrangeiros que nos tapam a vista e nos assombram o horizonte. Acirramos a nossa Identidade, mumificamo-nos, porque o mundo está a ser remexido por varas que nos põem a todos em suspensão. Vivemos numa realidade coloidal, em movimento, mas em que cada partícula se recusa a acrescentar o que quer que seja ao seu núcleo. Há rapidez e movimento, mas não há mudança. Falo da mudança  essencial: da mudança a nível espiritual – a nível humano. Somos, pelo contrário, incentivados a  “sermos nós próprios”, como dizem os papás das cobaias dos “Big Brothers” – votem no Zezé porque ele não está a fingir, não está a jogar, mas a ser ele próprio – ele é assim mesmo. Que logro, revestido de autenticidade!!...

Na verdade, só seremos nós mesmos, só seremos autênticos, quando nos quisermos identificar, não connosco, mas com o Ser. E esse Ser, procura-se. Também em nós mesmos, mas não só. Precisamos de nos virarmos para os outros, mas esperar que a atmosfera, turva, assente à nossa frente. Precisamos de lentidão. Porque é na lentidão que os núcleos atómicos da nossa Identidade se predispõem a mudar, ao aceitarem o papel de “germes de nucleação” que vão assimilando à sua superfície as partículas da aprendizagem. É na lentidão que se formam os flocos de neve (não necessariamente uma lentidão cronológica). Tudo começa com uma partícula de pó que aceita agregar a si, por precipitação, as partículas que enxameiam o ar. Tudo começa por aceitarmos agregar à nossa superfície a complexidade fractal do cristal que se expande. Só assim poderá o grão de poeira revestir-se da Glória da complexidade perfeita da regularidade, do Bem, da Felicidade – da Beleza.

Jesus Cristo disse-nos isso claramente ao dizer que precisávamos de morrer para nos salvarmos da Morte. A semente só vive quando aceita morrer. Quando nega a sua Identidade de semente e decide criar raízes e abrir-se ao mundo, à Terra, ao Ar, à Luz. Só somos quando aceitamos não ser. Essa é a única autenticidade possível. Não digo, contudo, que a memória se deva perder nesse processo. E para isso, é necessária a lentidão. Para isso, é preciso saber o que é escrever um texto como fazia Flaubert, escolhendo cada palavra – o “mot juste”.É preciso compreender os planos mais lentos de Manoel de Oliveira. É preciso saber ouvir a música que só com atenção se sedimenta no nosso gesto de ouvir. Mas isso são experiências estéticas. É preciso, em primeiro lugar, aprender a ouvir e a amar os Outros. Essa é uma experiência Ética que também precisa de lentidão. Um plano lento, uma página difícil, um grupo sonoro atonal são perfeitos exercícios de humanidade. Nem sempre – ou raramente – são divertidos, mas imprimem-nos um largo sorriso íntimo, ao sentirmos que nos cobrimos com os cintilantes raios de um cristal que ainda está no seu início. E nós ao centro, diferentes de nós mesmos.

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publicado por Manuel Anastácio às 13:07
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Sexta-feira, 23 de Março de 2007
Curta 30


Enquanto os meus alunos se divertiam à sombra destas árvores, no parque do Lar de Santa Estefânia, diverti-me a tentar focar os estames pendentes destas flores sem pétalas. Não sei que árvore é. Alguém me ajuda?

Há folhas de nespereira (designada por muitos vimaranenses como magnoreiro) por aqui misturadas. As folhas palminérveas desta árvore que não consigo identificar, estão ainda em fase juvenil.
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publicado por Manuel Anastácio às 23:08
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Quinta-feira, 22 de Março de 2007
Curta 29
Excelente, este texto sobre a ressuscitada (à conta não sei de que santo) luta entre criacionistas e evolucionistas. A ler com calma e ponderação.
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publicado por Manuel Anastácio às 22:03
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Quarta-feira, 21 de Março de 2007
A Divina Canalhice

Pormenor de "O Inferno" (c. 1514), de anónimo (vulgarmente atribuído a Jorge Afonso), Museu Nacional de Arte Antiga

Porque é que me dou ao trabalho de discutir com pessoas que não se dão ao trabalho de me ouvir/ler? Simples. Pela mesma razão por que, por malvadez do Destino, decidi ser professor. Porque é que me dou ao trabalho de continuar a escrever respostas, na Internet, reagindo a textos de gente que só diz disparates? Porque se eu não não disser nada, ninguém diz. É que se há antros do disparate que suscitam muitas reacções, como no Blasfémias, há também antros do disparate consensual. Onde o disparate parece até ter fundamento lógico. Quem me lê há algum tempo, sabe que tenho, ultimamente, perdido muito tempo com um senhor que dá pelo nome de Orlando Braga. Pouco sei dele. Sei que tinha um blog/site de nome "Letras com garfos", designação que desperta o apetite... Não sei se ele pertence ao ramo da restauração ou não. Desconheço. Só sei que se cozinha como pensa, estamos mal. Qual a razão por que perco tempo com o Orlando, se quase tudo o que ele escreve é puro preconceito? Porque há muita gente, intelectualmente inteligente, que lhe dá ouvidos. Sim: intelectualmente inteligente. Porque há vários tipos de inteligência e, diga-se de passagem, essa é uma das que menos prezo, ainda que a inveje.

Escrevi o meu artigo da Enciclopédia Íntima sobre Ética porque o Orlando disse que havia de escrever sobre o assunto. E eu pensei: até eu posso escrever sobre o assunto. Mas o Orlando, que, ainda assim, serve como catalizador para a escrita (porque quando tenho tempo de escrever o quer que seja, já estou a rebentar pelas costuras de um dia de trabalho infrutífero), que só lê os meus comentários lá pela sua terrinha e que, provavelmente, não lê o que eu escrevo por aqui, gosta muito de refugiar-se em frases feitas ou frases que não sendo feitas, seguem a receita do soar bem. Dizer que a Ética não é relativizável é bonito. Por que razão? Porque a Ética é um bem inquestionável. E eu nisso estou totalmente de acordo. O pior é que as pessoas que se ajustam ao pensamento orlandístico gostam de, por extensão, expor como corolário desta afirmação (a Ética é um bem inquestionável) que "o conteúdo da Ética é absoluto" - imutável, intocável e desligado das emoções humanas, sempre egoístas e parciais. Um pouco como os muçulmanos vêem o (Al)Corão. Ora, todo o texto que escrevi sobre Ética (e que o Orlando ignora, porque me considera de baixa ralé) foca exactamente esse problema: o de que há coisas que são de facto, inquestionáveis, mas que, aplicando esses inquestionáveis na prática, deparamo-nos apenas com a dor dos dilemas que apenas têm solução satisfatória a nível individual. Claro que acreditando num Deus que nos deixou um grande e muito mal escrito Livro, as coisas ficam mais fáceis. Mas a Ética não pode colocar-se à sombra das supostas palavras de um Deus que não prima por ela. Os deuses, seja o  Deus da Bíblia (tanto do Antigo como do Novo Testamento, ainda que prefira o do segundo) e da tradição católica (que é autoridade para a mesma religião), bem como qualquer divindade de qualquer religião estabelecida neste mundo, são sempre Deuses de uma Ética que me repugna. Não é nessa habitação que eu quero viver. Se Deus existe e está acima de tudo, das duas, uma: ou Ele está a brincar connosco e há-de receber-nos, a Todos, de luminosos braços abertos, sem Infernos - ou, quando muito, com purgatórios não muito exigentes (ou pelo menos adequados aos crimes efectuados em vida), ou, se for como as religiões nos ensinam, é um grandessíssimo Canalha. Isto é Ética. Mas talvez Deus não seja Ético. A realidade, supostamente feita por ele (pelo menos indirectamente - não me caiam os teólogos do costume a dizer que não foi Deus que criou o Mal - está bem, ó melga...) não é Ética. Por isso, se numa futura eternidade (a eternidade faz parte do tempo?) eu ficar a ferver numa caldeira à conta do que escrevo, hei-de ficar como aqueles Danados, condenados no Inferno de Dante, comidos pelo orgulho de não baixarem o pescoço perante a Ditadura Divina. Esses Danados que são, de todas as personagens criadas por Dante, as mais humanas, as mais palpáveis - não as mais éticas, é certo, que a maioria, realmente, não constituiam inflorescência que se cheirasse...

Mas eu tenho fé. Chocarei, com certeza, algumas pessoas ao dizer que não sou Ateu. Eu acredito em Deus, sim. Apenas acho que Ele (ou Ela - é à escolha do freguês) é um grande brincalhão. E que no Paraíso, os mais sórdidos horrores da Terra servirão apenas para acentuar a ideia de conforto. O Inferno, tal como nos é vendido, não será para ninguém. O Purgatório (criação cristã serôdia, mas absolutamente ética) será adequado às faltas e terá em conta, na balança, a intencionalidade das mesmas e os tormentos passados já em vida...

Note-se, contudo, que quando digo que "acredito" deve-se ler "gostava de acreditar, porque me parece mais ético".

"Gostava de acreditar", de facto, é o que toda a gente devia dizer. Mas não diz. Porque, por superstição, tem-se medo de um Deus Canalha que é pouco entendido em Ética.

"Parece-me mais ético", porque se a Ética está fora do Tempo, como o Deus Eterno da religião - isto é, se é absolutamente absoluta - a verdade é que não temos olhos para a ver. E aqueles olhos que nos são oferecidos, de bandeja, como Santa Luzia, de nada servem. O nervo óptico foi fissurado. Teremos de esperar pelo Grande Cirurgião. Eu espero-o. Não o nego. Mas se não vier, não perderei nada. Há uma eternidade que nos é oferecida de muitas formas, até sem paraísos e purgatórios.  Deus não precisa de ser Canalha. Porque é que persistem em vendê-lo como tal?...
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publicado por Manuel Anastácio às 20:49
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Domingo, 18 de Março de 2007
Piedade deste monstro ocupado

Philip Glass Ensemble no Sadler's Wells Theatre, Londres, 1982. "Train/Spaceship" da Ópera "Einstein on the Beach". Parte I


Piedade deste monstro ocupado, humaninanidade,

não tenhais. O progresso é uma confortável doença:
a tua vítima (seguramente para lá de vida e morte)

brinca com a magnitude da sua pequenez
--- electrões divinizam uma lâmina de barbear
numa cordilheira; lentes expandem
o indesejo pelo quandonde que se curva, até que o indesejo
volta a si não-mesmo
                          Um mundo fabricado
não é um mundo concebido --- piedade da pobre carne

das árvores, pobres estrelas e pedregulhos, mas nunca desta
refinada espécie de ultraomnipotência

hipermágica. Nós, médicos, sabemos

se é um caso desesperado --- ouvi: há o diabo
de um belíssimo universo na porta ao lado; vamos embora



Tradução de Manuel Anastácio de um poema de
e. e. cummings

Philip Glass Ensemble no Sadler's Wells Theatre, Londres, 1982. "Train/Spaceship" da Ópera "Einstein on the Beach". Parte II
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publicado por Manuel Anastácio às 16:55
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Sábado, 17 de Março de 2007
Punch Drunk Love

Trailer de "Punch Drunk Love". Não está entre os 100... Mas....

"Amo-te tanto que só queria esmagar-te a cara com uma marreta", diz Adam Sandler, no papel de Barry Egan, no filme "Punch Drunk Love" de Paul Thomas Anderson. Lena (Emily Watson)  diz, seguindo a mesma lógica, que só lhe apetecia arrancar os olhos e chupá-los. E assim se faz uma das mais lindas cenas de amor da História do Cinema.

Não sei se existe qualquer espécie de vantagem do ponto de vista evolutivo nesta predisposição que temos para esmagar aquilo que, de facto, queremos proteger. Talvez haja. Não consigo, ainda assim, defender tal tese. Duvido que os adeptos do "Intelligent design" consigam fazer melhor.

Entretanto, nos últimos dias tive dois acessos assassinos em que me apeteceu usar  uma marreta com a precisão cirúrgica de quem racha paredes. O primeiro caso foi com o psicólogo Eduardo Sá, que, não sei há conta de que santo, tomou conta dos assuntos relacionados com Psicologia Infantil, na SIC. O senhor fala com uma tal calmaria melíflua na voz, que, em pouco tempo, parece que estamos a nadar numa substância viscosa que nos impede avançar para a salvação da alma. É talvez a personagem de ficção mais enjoativa da história. Subiu para a ribalta desde que comentou, com uma inusitada ternura paga, o caso de Natascha Kampusch. Depois do horror, a SIC queria alguém que restabelecesse a confiança na Humanidade, alguém com serenidade nos gestos e na voz. Eduardo Sá é, de facto, sereno. Tão sereno, que imprime em mim um bem estar só semelhante ao de ouvir alguém com unhas compridas a arranhar uma parede caiada seca ao sol. E as coisas que ele diz, desde que a SIC o contratou como especialista em assuntos relacionados com a Infância... Por exemplo, sobre os trabalhos de casa, diz que as crianças trabalham demais e que se deve combater em absoluto a tortura dos TPCs. Eu estou plenamente de acordo. Até porque o senhor tem cara de miúdo que fez sempre os trabalhos de casa. E longe de mim quem me acusar de que eu quero que os meus alunos fiquem com aquela cara e aquela forma de falar quando forem maiores. Antes a saltar, a darem empurrões e a cuspirem para o chão do que ficarem numa cadeira com o olhar vidrado a recitar frases feitas de maus livros de psicologia... Confesso que, perante tamanha tortura, não mudo logo de canal. Ainda fico a testar a minha capacidade de resistência e a cronometrar o tempo que consigo aguentar antes de carregar num botão do comando, como remédio para não me atirar de forma insana contra a televisão e parti-la ao meio. Com sorte, ao mudar de canal, pode aparecer-me a cara do José Sócrates. O mesmo que disse, hoje, que não houve governo português que deixasse tantas marcas de esquerda como o dele. Benza-o Deus!... E então o Estado Novo???... Até nos deixou o 25 de Abril e tudo... Se tivesse uma marreta na mão, em vez de um cravo, meu caro... Mas não. O que vale é que me ocorre logo a voz do Eduardo Sá... Benza-o Deus...

Valha-me Deus... Será amor?...
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publicado por Manuel Anastácio às 22:21
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Quinta-feira, 15 de Março de 2007
Enciclopédia íntima: Ética

Diógenes de Sínope, por John William Waterhouse, 1882

O relativismo dos tempos que correm é turvo, e tem servido para justificar aquilo que, de boa fé, seria injustificável, mas, ainda assim, é a forma de pensamento que melhor se adequa à angústia que existe em não sabermos, de facto, quem somos. Como não sabemos nada, temos, obrigatoriamente, de abraçar uma crença. Acreditar em Deus é melhor que acreditar  num solipsismo que nos possa desresponsabilizar. Mas até esta minha afirmação é uma crença. E daqui não passamos, por mais que nos esforcemos.

Por isso, sou intolerante com a intolerância. Mas nem com todas as intolerâncias, como já se depreende da afirmação. Por vezes, temos de ser intolerantes, para bem de uma Tolerância maior: para bem da Nossa Tolerância. Porque o meu conceito de tolerância não é igual ao de ninguém, ainda que nos tentemos barricar consoante a dor que nos é infligida pelos espinhos dos dilemas éticos. Mas, ainda assim, não quero ser relativo nestas questões. Há coisas que são indiscutíveis. O respeito pela vida humana é indiscutível. Mas qual vida humana???... Na minha óptica, é humano quem pertence à minha espécie - mas de bom grado alargaria o conceito para qualquer espécie ou entidade capaz de pensar, de sentir, de se emocionar, de amar. Se existissem fadas - e eu vou dizer que existem, porque sempre que alguém diz que as fadas não existem, morre uma - eu teria de as respeitar, bem como à sua vida. Mas e se elas se posicionassem contra a minha espécie? Se, no seu todo, causassem a morte de seres humanos? Seria legítimo passar o dia a dizer que não acreditava em fadas, para que morressem todas de uma vez? A minha resposta é sim, se todas as fadas fossem más. Não, se houvesse algumas boas. Um pouco como Abraão a tentar defender Sodoma e Gomorra (coisa que os actuais crentes das religiões abraâmicas nunca fariam, diga-se de passagem). Mas e se houvesse mais más que boas? E se ao dizer que não acreditava nelas, as matasse indiscriminadamente? O que é que seria Ético? Teria, de facto, de tomar uma posição. Ou defendia os meus irmãos de espécie, mesmo os maus, à conta da morte de possíveis fadas boas, ou permitia que as fadas más continuassem a dar asas à sua malvadez. Eu não sei o que faria. Não sei o que seria Ético neste caso. E duvido que alguém saiba. Mas há quem julgue que saiba. E eu, geralmente, não dou ouvidos a esses. Porque esses alargam os princípios éticos para lá da fronteira do que é indiscutivelmente o Bem e o Mal, para a fronteira dos seus próprios valores, tornados indiscutíveis apenas porque são os seus.

E a Ética? Está, então, circunscrita à mísera realidade relativa. Claro que não. Já disse que há coisas que são indiscutíveis. Ainda que até essas se discutam. O respeito pela vida humana é indiscutível. Para mim, que sou humano. E isso, tanto quanto saiba, é indiscutível - até porque os principais prejudicados pela vida humana não discutem. Daí que qualquer pensamento ecológico deve ter sempre em vista o respeito pelo ser humano, não porque o ser humano seja o centro vivo da Natureza, mas porque o ser humano é o único que discute. A Ética fundamenta-se nesta atribuição de um valor primordial àquele que comigo habita. Mas cada um escolhe aqueles com quem habita. E difícil coabitação é esta, quando abro as portas a alguns que nunca a abririam para mim. Mas, mesmo sabendo-o, abro a porta. Por que razão? Porque é Ético. E não é uma resposta fria, esta.

Costuma-se dizer que a palavra Ética provém de
, que significa "uso" ou "costumes". Mas Heidegger, o mais arquitecto de todos os filósofos, faz remontar a palavra ao sentido de casa, morada, habitação. Heráclito deixou-nos um fragmento truncado das suas palavras que em nada nos esclarece sobre este assunto, nem em nada nos edifica (se há algo nesta vida que seja edificante), mas que, ao menos, nos inquieta: (ethos anthropo daimon) que tanto poderá ser traduzido como "a habitação do homem está nos Deuses" como "a habitação do homem divide-o". Ora, ambas as traduções, por mais díspares que sejam, estão igualmente certas - ainda que a segunda tradução apenas remeta para as nossas mais profundas contradições. São os deuses que escolhemos que nos servem de tecto e parede. Mas quem prescinde de bom grado do seu tecto e parede para que este albergue mais gente?

Diógenes de Sínope, vivendo no seu barril (pouco importa se a historieta é apócrifa), dá-nos, contudo, a melhor pista para o problema. Ao pedir a Alexandre Magno que não lhe tirasse o que este nunca lhe poderia dar, fosse o sol, fosse a vida, fosse o pensamento, fosse a dignidade de ser quem é, Diógenes (ou o anónimo autor da lenda) resumiu perfeitamente a noção de Ética enquanto habitação. Um barril serviria perfeitamente, não andássemos todos a tirar uns aos outros aquilo não podemos dar.

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Quarta-feira, 14 de Março de 2007
Enciclopédia íntima: A

A, de Hans Weiditz, 1521

A letra A terá nascido da cabeça de um bovino. Má ideia essa, a de crer que o alfabeto nasceu dos miolos de um ruminante, a não ser que se queira, com isso, dizer que a escrita deve ser ingerida com sofreguidão, fermentada no íntimo, e, depois, regurgitada em pedaços prontos a mastigar nos momentos de repouso, antes de novamente os ingerir e assimilar ao próprio corpo que nos carrega.

Sendo o A a primeira letra, é de puro bom senso acreditar que o tempo a investiu de significados profundos, ocultos - ou nem tanto. O ocultismo é apenas uma alegre brincadeira de palavras para enganar a ignorância. A grande verdade da Alquimia e da Cabala reside nessa mesma transformação da realidade material, avessa ao nosso desejo, através da palavra e do símbolo. A anedota dos cabalistas que faziam o seu almoço com as letras da Torah terá aqui a sua plena justificação.

Segundo o apócrifo Tomé, Jesus, pequenino, muito pouco respeitoso para com a autoridade do seu professor Zaqueu, terá explicado que a letra era composta de linhas e traços médios, unidos transversalmente, conjuntos, elevados e divergentes. E seriam de três espécies de sinais: homogéneos, equilibrados e proporcionados.

Há, de facto, na letra A um certo cheiro a início. É uma seta que aponta para o alto. É a digna inicial, ainda, da Arte e da Arquitectura. Há quem veja nela, aliás, um telhado - um Abrigo. Mas não. É uma porta Aberta.

E é graças a ela que tanto amo as Enciclopédias. Incluindo a Britânica e a Luso-Brasileira da Verbo; a Encyclopédie dos revolucionários Diderots e as Etimologias do Santo protector da Internet, Isidoro de Sevilha. Incluindo, também, as imaginadas por Jorge Luís Borges e que folheio em sonhos.

Foi o A a primeira entrada em que trabalhei na Wikipédia. Não conseguiria resistir ao simbolismo dos dois traços inclinados a suportar a trave horizontal (ou será o contrário, com a trave a manter unidas as duas inclinações opostas, como que numa alegoria de tensegridade?). Foi assim que ficou o artigo, na altura, depois de algumas contribuições, também, do reaccionário João Miranda (que alguns conhecerão do Blasfémias) e de um decepcionante Jorge Candeias que na altura era o meu Mestre e Guia mas que, depois, me revelou uma triste faceta mal humorada e igualmente reaccionária. Enfim. Nem todos compreendem a Natureza do A.

Eu não compreendo.

Mas gostava de compreender.
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