Sábado, 14 de Abril de 2012
Credo II

Creio em ti, margem escarpada à beira da qual me afogo.

Creio em ti sempre que morro.

Creio na solidez dos espaços em que abrigas as aves do céu,

Os répteis da terra e os insetos nascidos da podridão.

Creio na nossa perfeita solidão.

Creio em ti como centro do Universo

E eu, satélite perverso que te limita o horizonte,

Creio em quem, porém, me desenhou a órbita

E programou cada eclipse, para que creia

Na doce morte da tua teia

No doce porte da lua cheia

Para que creia.

Para que creia.

 

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publicado por Manuel Anastácio às 00:27
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2 comentários:
De glaucia lemos a 14 de Abril de 2012 às 15:47
Manuel. Aprendi q toda obra de arte é constituída principalmente de forma e conteúdo Quando nos atemos à forma, a estética faz-nos um apelo, primeiro a partir do impacto e só após nos conscientizarmos da existência desse impacto que nos revela a verdadeira obra de arte, é q podemos nos deter na forma e talvez encontrar o conteúdo O impacto tomou-me a partir da excelência (palavra q só uso excepcionalmente) da forma, rítmica, medida, melodiosa, um tom profundo de oração. O conteúdo... só o poeta -e às vezes nem ele sabe em QUE reside a fé, a crença, o CREDO da sua comovente oração. A Fé é um ser tão íntimo, quanto o são a Dor, o Amor, a Esperança, o Desespero. Por isso mesmo, indevassável, e impersuadível . Aos demais fica a Poesia, Manuel, sua profunda e, outra vez comovente, Poesia.
De Manuel Anastácio a 14 de Abril de 2012 às 19:42
Gláucia. Fico sem palavras com a bondade com que avalia as minhas tentativas poéticas. Beijão.

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