Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
Primavera I

A Primavera trouxe, ainda antes da chuva, um breve instante.

Que parolice. Um breve instante,

Como se não fossem breves todos os instantes.

Mas só assim chamamos àqueles que o não são.

A Primavera trouxe madrugadas barulhentas de chilreios

E do miar assanhado dos gatos de apartamento.

Um breve momento

Trouxe camélias murchas premiadas pelo vento

E ramos de tomilho. Trouxe Satã disfarçado de luz e sombra,

Tatuando o pecado nos nossos ombros,

Iluminando sorrisos libertos de vendas encardidas por fingida inocência.

E quando abrimos os olhos, e vimos que era Primavera,

Já as pétalas das Prunus tinham dado lugar às folhas roxas

sobre a esplanada onde raramente nos sentamos.

As glicínias imitam o teu perfume

E só na tua pele poderia, de novo enroscar-se

a serpente, rente às rosas que darão maçãs.

Noutras manhãs, para sempre nossas.

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publicado por Manuel Anastácio às 23:53
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1 comentário:
De glaucia lemos a 14 de Abril de 2012 às 15:56
Belíssimo, Manuel. Nada mais a dizer senão Belíssimo.

Dizer de sua justiça

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