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Sexta-feira, 30 de Março de 2012
Tabu, de Miguel Gomes

"Aquele Querido Mês de Agosto" foi uma pequena revolução no cinema português. Com música dita pimba por fundo, florescia em fogo e sangue uma imagem de um povo através da sua própria expressão artística. Pegava num objeto dito "menor" ou, por vezes, considerado mesmo como reflexo da mediocridade das classes "incultas" e transformava-o em objeto de arte erudita. Não é inédito. A arte erudita, e a música em particular, sempre utilizou a arte popular como referencial cultural. Não da mesma forma como Amadeo pintava objetos do artesanato, não mantendo a sua essência e deles retendo apenas alguns atributos, como a forma parcial ou a cor,  mas da mesma forma como faziam os compositores dos romantismos  nacionais e regionais ou muitos dos chamados "cantores de intervenção". Usar música pimba como adereço de um filme artisticamente ambicioso não era novidade mas, que eu saiba, não tinha havido até então obra alguma que, respeitando o espírito e o objeto da música popular portuguesa recente, tão odiada e desprezada pela classe média culta, conseguisse transformá-la em arte de profundidade, reconhecendo-lhe uma dignidade própria.

 

Se em "Aquele Querido Mês de Agosto" havia a luz solar e a incandescência destrutiva do fogo, em Tabu, Miguel Gomes dá-nos a penumbra da nostalgia das solidões à beira de um monte fictício que dá nome ao filme e que se ergue como sombra telúrica de um continente que pesa e continuará a pesar na memória de um pequeno país onde uma solidão de pedra é apenas mascarada por tentativas anedóticas de estabelecer qualquer tipo de vizinhança. Pilar (Teresa Madruga) é uma católica progressista, uma alma justa e boa, de coração aberto aos outros, mas perdida nas contradições de afetos que nunca cumprem o objetivo de lhe encher a existência. Na casa ao lado, vive Aurora (Laura Soveral), acompanhada de Santa (Isabel Cardoso) numa relação de mútua rejeição e dependência desenhada segundo o estilo corrosivo e pausado das obras de João César Monteiro. Santa é como o Sexta-feira da obra de Defoe, onde vai exercitando as suas competências de leitura: um elemento estranho que disfarça a solidão de uma desterrada que não consegue destrinçar o sonho da realidade. "Paraíso Perdido" é o nome desta primeira parte de um filme, após um prelúdio irónico, como é irónica toda esta epopeia, reflexo de uma grandeza colonial que nunca foi mais que uma anedota grandiloquente. 

 

Sem rejeitar a prosódia declamativa que tanto marca o cinema português desde o "Amor de Perdição" de Manoel de Oliveira, e que estava ausente na forma de falar das personagens de "Aquele Querido Mês de Agosto", Miguel Gomes, num ano em que Hollywood celebrou a força genesíaca e auroral do cinema mudo, desenvolve, depois, uma segunda parte quase muda, narrada na voz absolutamente brilhante de Henrique Espírito Santo. E essa segunda parte é, provavelmente, o melhor que já se fez em cinema em Portugal sem que lá deixem de estar todos os mestres que, até agora, apenas podiam ser apreciados por uma minoria bem pensante. Pessoas haverá que, não conseguindo aguentar um filme de Oliveira ou cinco páginas de Camilo, terão aqui a oportunidade de sentir a universalidade destes criadores portugueses, numa obra que parece não inventar nada mas cuja inovação justifica em absoluto o prémio Alfred Bauer. Inova sem rejeitar a herança cultural, transformando-a e ampliando-lhe o horizonte para lá de quaisquer Tabus que circunscrevam o limitado espaço de alcance do cinema português. E Tabu é universal, da mesma maneira que Daniel Defoe, Melville e Murnau o são e da mesma maneira que Camilo, Eça e Oliveira o deveriam ser.

 

A fotografia, de uma beleza sem mácula, passa pelos corpos e gestos juvenis desta segunda parte, chamada de "Paraíso", onde Ana Moreira e Carloto Cotta encarnam duas personagens dignas de figurar no Panteão cinéfilo de Afrodite, tal a carga erótica com que incendeiam cada cena que protagonizam juntos, até um desfecho abrupto e brilhante in media res, estuando no mar negro da separação e numa solidão de cinzas. 

 

Um filme para se amar de forma perdida e incondicional. Agora e já, um clássico.

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publicado por Manuel Anastácio às 19:11
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6 comentários:
De Maria Helena a 30 de Março de 2012 às 20:28
Ainda não vi "Tabu" e acredito que será um filme espantoso, ao nível do "Meu querido mês de Agosto".
O que me incomoda nesta apreciação é o Manuel achar que "Tabu" «Agora e já, um clássico» e antes escrever que «Camilo, Eça e Oliveira o deveriam ser», referindo-se ao carácter universal de Murnau, Defoe e Melville.
Atribuo ao entusiasmo da revelação tão próxima, mas é injusto. Muito.
De Manuel Anastácio a 30 de Março de 2012 às 21:04
quando digo "deveriam ser" estou apenas a ser irónico. Não é injustiça nem entusiasmo devido à proximidade, Maria Helena. Camilo, Eça e Oliveira são universais, não tenho a mínima dúvida disso, e o texto não diz o contrário.
De glaucia lemos a 30 de Março de 2012 às 21:28
Manuel: Estou à espera de que tenhamos sorte por aqui e o filme venha a nós também. Pelo comentário límpido e inteligente elaborado por você, no qual sentimos q o articulista analisou com a isenção de um crítico consciente de suas afirmações, o leitor tem certeza de que não perderá por esperar pela exibição a seu alcance. Um texto inteligentemente elaborado para uma obra q por certo sensibilizou o público. Beijos.
De Paulo a 31 de Março de 2012 às 03:25
Não fica mal chamar-lhe um clássico, Miguel. O próprio realizador, em Berlim, quando soube que lhe tinha sido atribuído esse prémio, disse, certamente ironizando, que pensava que tinha feito um filme à maneira clássica.

(Também achei o filme muito bom.)
De Paulo a 31 de Março de 2012 às 03:28
Desculpa. Manuel
De Manuel Anastácio a 31 de Março de 2012 às 09:47
Sim, o Miguel Gomes, talvez por modéstia, ironiza bastante a respeito do valor da sua obra. Acontece que não considero o filme apenas como algo à maneira clássica. Eu considero o filme um clássico já, devido às suas características excepcionais, que o tornam em um objeto de arte modelar.

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