Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
Amo
Não quero dizer amo querendo apenas querer
Nem quero amar dizendo apenas que quero
Porque amar, porque se quer, não é amar.
É querer querer. Entre o desejo e não ter
segue a distância perfeita do perfazer
o que não é dado, nem é dado querer
porque o ter, não sendo o ser, nunca-- a lado algum irá ter,
até porque para nada--ser mais vale nada.
Alma penada, danada por ser
pode continuar danada.................. Nada de seu virá a ter.
Nisso soube deus----ela, no seu ***ser aquilo que é***ra, bem escrever.
Não quero dizer amo---ama querendo apenas querer.
Ser Amo é usurpar do ser apenas o que não se é nem a nós é dado ser
A não ser pelos caminhos do que nada é,
a não ser querer-- Nada.
Porque do pouco que há para querer
E que se pode ter,
Nada se usurpa. Tudo é dado
À faculdade de
De--saparecer
------
Não quero dizer amo
----
Não quando amo

--

Não quando amo
é aquilo que nunca deveria ser dado a ser.
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publicado por Manuel Anastácio às 00:34
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6 comentários:
De gláucia lemos a 15 de Dezembro de 2011 às 06:20
Muito sábio "porque amar porque se quer não é amar" É querer querer. No sentimento amoroso a vontade entra somente para agir no predomínio da razão nas pessoas sensatas. No sentimento amoroso não há espaço para bases falsas. Ou tem a natural característica da espontaneidade, ou não passa de uma mentira conveniente por alguma razão, ou sem razão alguma, somente por leviandade. No âmago é mesmo Nada.
De Manuel Anastácio a 20 de Dezembro de 2011 às 20:54
Gláucia, querer amar já é mais que nada, mas para quem quer apenas, é menos que nada. Ainda bem que não sofro dessa doença. E sei que a Gláucia também não. Beijo grande, e peço perdão pela ausência e atraso da resposta. Tão curta a vida, tão longa na sua pequenez é, igualmente, a arte... Beijo grande.
De gláucia lemos a 25 de Dezembro de 2011 às 20:33
Você não precisa pedir perdão pela ausência nem pela demora em responder a meus comentários, embora faça falta, ainda estando ausente você está comigo, sabe disso, não sabe? Beijo, e tenha alegres festas Natalina .
De Gerana Damulakis a 18 de Dezembro de 2011 às 23:03
Poeta da linhagem de um Drummond. Deu-me vontade de colocar o poema "Amo" ao lado do poema "As sem-razões do amor" ("sem" com "s" mesmo) de Drummond. Que maravilha os dois, que diálogo!
De Manuel Anastácio a 20 de Dezembro de 2011 às 20:51
Gerana: é sempre bom ler os seus imerecidos elogios. Fazem falta a quem escreve. Sabe que tem um lugar bem firme no meu coração. Guardo-a no meu coração.
De Gerana Damulakis a 20 de Dezembro de 2011 às 23:22
"Trago o teu coração (guardo-o dentro do meu coração)", em tradução de MA (um presente inesquecível).
São tantas coisas em comum em termos de sensibilidade que o resultado é este: cada um bem guardadinho no coração do outro.
Além de tudo isso há a admiração que tenho por sua poesia.
Boas Festas!!!

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