Domingo, 30 de Outubro de 2011
Impressão

O pincel desliza sobre o papel e desvenda-lhe as rugas.

Os traços requebram-se em vazias baías sobre o espaço.

Mas o traço que traço não transporta em si qualquer imperfeição.

A letra do que faço é ilusão sem caligrafia.

Não é arte porque ninguém a cria.

Apenas uma bilbioteca de livros em branco me define o eu

Porque nela cabem palavras que Deus, por si mesmo, não concebeu.

 

O pincel que desliza sobre o papel descreve um gesto,

o resto em nós. Nem nos olhos

Nem na compreensão.

Julgamos compreender os sinais.

Mas nada mais há no pincel

Que um não a óleo sobre tela

Do reflexo de olhos ignotos que me veem

Sem que os veja eu. Sem que eu me reveja nela.

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publicado por Manuel Anastácio às 10:12
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1 comentário:
De Bípede Falante a 30 de Outubro de 2011 às 15:08
Maravilhoso. Soberbo poema!!

Dizer de sua justiça

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