Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011
Gogol, de Tomas Tranströmer ("17 Poemas", 1954)

 

O casaco coçado como uma alcateia.

A face como uma laje de mármore.

Sentado no círculo das suas cartas no bosque farfalhante

de desprezo e ignorância,

o coração explodindo como um papel amarrotado através do inóspito

corredor.

O ocaso rasteja agora como uma raposa sobre estas terras,

inflamando a erva num só mero momento.

O espaço está coberto de chifres e cascos por baixo

a caleche desliza como uma sombra entre os pátios iluminados

de meu pai.

São Petersburgo à mesma latitude que a aniquilação

(terás visto a beleza na torre inclinada)

e em volta dos prédios arrendados envoltos em gelo, boiando como uma alforreca

o homenzinho no seu casaco.

E aqui, encerrado em jejuns, está o homem que já esteve cercado dos rebanhos da troça,

mas estes há muito que tomaram caminho bem para lá da linha das árvores.

Instáveis mesas dos homens.

Olha para fora, vê como a escuridão queima sem dó toda uma galáxia de almas.

Sobe então para a tua carruagem de fogo e deixa este país!

 

Versão de Manuel Anastácio, a partir da versão em inglês de Robin Fulton

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publicado por Manuel Anastácio às 01:29
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