Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011
Quatro estâncias para Thoreau, de Tomas Tranströmer ("17 Poemas", 1954)

Mais um que abandonou o pesado anel urbano
de pedras de avareza. E a água, sal e
cristal, fecham-se sobre as cabeças dos que
em verdade procuram abrigo.

 

*

 

O silêncio, subindo em espiral aqui
chegou dos recessos da terra para fundar raízes e
crescer e com a sua coroa florescente ensombrecer
o umbral aquecido pelo sol.

 

*

 

Pontapeia um cogumelo descuidadamente. Nuvens de tempestade
empilham-se no horizonte. Como trombetas de cobre
raízes distorcidas de árvores ressoam, a folhagem
treme de terror.

 

*

 

O voo voluntarioso do outono é o seu manto imponderável,
drapeando-se até que o gelo e as cinzas
de novo trouxeram dias de paz aos rebanhos, lavando
as suas garras nas nascentes.

 

*

 

A descrença encontrará aquele que viu um géiser

e se livrou de poços repletos de pedras, como Thoreau
desvanecendo-se na verde profundidade do seu interior
com arte e com esperança.

 

Versão de Manuel Anastácio, a partir da versão em inglês de Robin Fulton

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publicado por Manuel Anastácio às 23:08
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