Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011
XLVII

Uma senhora, na feira de Carcavelos, queixa-se do mau caminho seguido pelos negócios que não pagam o combustível da deslocação e desabafa que o que era preciso era outro Salazar... Porque é que isto já não me choca? Estarei a ficar rombo de cinismo no meio de uma estupidez entranhada que varre o nosso povo? Há dias, uma concorrente proverbialmente burra  de um programa de televisão, depois de exposta a sua ignorância para gáudio de um público pouco mais ou menos ignorante, mas que gosta de se sentir culto porque sabe que os dinossauros já se extinguiram há uns anitos atrás (no tempo dos mouros, calculo eu), ouvia da apresentadora o digno conselho para se cultivar. "Quando sair vai aproveitar para estudar alguma coisinha, não vai?" e ela, na sua candura infantil que faz despertar em mim sentimentos homicidas disse "Não!" com uma rapidez e decisão de tal modo assertivas que provocou em mim toda uma revolução interior. Na boca de uma boneca estúpida (e nem sequer particularmente bonita ou glamourosa) estavam tomos e tomos de sabedoria. Um não basta para que tudo retorne ao ventre materno (quiçá mais além) e à sábia decisão de não pormos os pés nesta enxordice. Não precisam de um Salazar em cada esquina. Já existe um dentro de cada português. E o meu está a querer mandar uma data de portugueses para o Tarrafal. A maioria. Com direito a tudo aquilo a que têm direito, como muito sabiamente diriam.

publicado por Manuel Anastácio às 22:37
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2 comentários:
De Silvério Salgueiro a 21 de Outubro de 2011 às 14:01
Com o direitos todos não. O direito à educação já seria para eles castigo doloroso. E cuidado, o direito à habitação no Tarrafal era normalmente destinado ás consciências indignadas.
Calma, a boneca estúpida apenas não ligou nepia " àquilo que o ministro Crato disse no verão - “estudar vale a pena para poder ganhar mais dinheiro”.
De Manuel Anastácio a 21 de Outubro de 2011 às 14:10
Eu estava a pensar noutro género de direitos... ehehe

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