Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011
Novembro na antiga RDA, de Tomas Tranströmer

Enovoou-se, alto, o omnipotente olho do Ciclope

e as ervas agitaram-se entre pó de carvão.

 

De negro e azul macetados por sonhos noturnos

Subimos ao comboio

Que para em todos os apeadeiros

E põe ovos.

 

Quase em silêncio.

O chocalhar dos baldes dos campanários

a buscar água.

Mais a tosse inexorável de alguém

A tudo e todos dando sermões.

 

Um ídolo de pedra move os lábios:

a cidade.

Governada por mal-entendidos de ferro bem temperado

entre carniceiros adjuntos de quiosque

oficiais da marinha metalúrgicos

mal-entendidos de ferro bem temperado, académicos!

 

Como estão doridos os meus olhos!

Têm lido à luz fraquejante dos pirilampos.

 

Novembro oferece caramelos de granito.

Impredizível!

Como a História Universal rindo no lugar errado.

 

Mas ouvimos o chocalhar dos baldes dos campanários a buscar água

todas as quartas feiras

- hoje é quarta? - 

como para os nossos domingos!

 

Tradução de Manuel Anastácio a partir da tradução em inglês de Robin Fulton

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publicado por Manuel Anastácio às 21:59
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2 comentários:
De Gerana Damulakis a 19 de Outubro de 2011 às 18:50
Ainda não consigo formar uma opinião. Fiquei curiosa sobre a sua.
De Manuel Anastácio a 19 de Outubro de 2011 às 19:12
Ainda estou a formular - quando traduzir mais uns dez ou quinze, depois digo alguma coisa.

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