Terça-feira, 27 de Junho de 2006
Herbário I Brassica oleracea

Flores de couve; foto por Manuel Anastácio

Sei que o primeiro homem couve
Não se incomodava
Nada, em passear na brisa
Sem enxotar as lagartas,
Verdes e aveludadas,
Que lhe subiam aos ombros,
Por glaucas calçadas,
Segregando-lhe o pecado
Do fruto negado
Que há em desfolhar-se.

Foi por isso que floriu.
E perdeu a inocência,
A verde inocência,
Sem abdicar da esperança
De ainda assim, renascer,
Em cada semente negra.
Na mortal inflorescência,
Festejou então
A singela e branca dor
De se ser sempre o primeiro.

Manuel Anastácio
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publicado por Manuel Anastácio às 19:46
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1 comentário:
De glaucia lemos a 13 de Abril de 2012 às 23:36
Manuel, o poeta criou a lenda das flores da couve. E como são lindos os pendões que ostentam as brancas flores q até parecem os lírios das imagens de São José. Que bonita história sua sensibilidade encontrou para o desabrochar de negras sementes em tão encantadora florescência . Nela o primeiro homem couve vê enfim concretizar-se sua esperança de um dia renascer. Todo renascimento, afinal, tem seu início em uma esperança que se alimenta por si mesma, até q renasça tal qual as lindas e brancas flores de couve. Calçadas glaucas... lembrou-me a couve glauca de uma foto premiada. E era 2006...

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