Quinta-feira, 23 de Junho de 2011
Presidenta

Vou ser conservador. Detesto a palavra presidenta. É uma palavra formada sem qualquer respeito para com a Língua Portuguesa e a sua lógica interna. É português macarrónico. A Dilma diz o que lhe apetecer, não a considero autoridade em questões linguísticas. A Pilar pode dizer que eu sou néscio porque não entendo que a palavra não existia antes porque não existia a função. Isso sim, é néscio. Se assim fosse deveríamos chamar gerentas às mulheres que gerem alguma coisa, diferentas às que diferem em alguma coisa, conscientas às que têm consciência, para não falar das estrelas cadentas... E ponto final. É palavra que não uso. E as mulheres que reclamam para si tal vocábulo absurdo e o querem impor estão a dar mostras de um radicalismo inconsequente, ilógico e birrento.

 

Radicalismo inconsequente porque é indiferente usar-se uma palavra ou outra - a dignidade da função advém da forma como esta é cumprida, não pela designação que tem. Radicalismo ilógico porque é um fundamentalismo que ignora as raízes da Língua e a sua consistência interna. Isso não me preocupa por aí além. Aliás: esta é uma discussão, acima de tudo, fútil. Mas quem não não se sente não é filho de boa gente. E não gosto que me chamem de néscio ou machista apenas porque penso de forma lógica numa questão linguística onde não está presente qualquer subentendido valorativo em questões de género. Tenho dito. Néscio ou néscia é aquele ou aquela que me quiser obrigar a usar um vocábulo para mim detestável.

 

Usem a palavra à vontade. Mas não a imponham a ninguém. Sejam inteligentas e tolerantas, se faz favor.

publicado por Manuel Anastácio às 08:01
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