Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
XL

Nada

Paramécias

Cissiparidade

Enxofre,

Dicromato de amónio e

Outras coisas

Onde entra tudo e nada

Devia falar mais das coisas de que não gosto.

Parece que sou mais convincente.

Começo a envelhecer.

Se a vida é uma ampulheta, as decepções são a areia.

Falo de política, claro. E tirando o Silvério Salgueiro e mais uma ou duas pessoas maiores de 15 anos que me lêem, todos julgam que é no indivíduo que reside a redenção... E não lhes falta a razão. A redenção é sempre individual. Mas não serve de nada a (quase) ninguém. O Buda atingiu o Nirvana. Que bom para ele.

Eu tenho a grandeza de alma de ser uma alma danada. Cada vez me sinto mais como o Saladino na Divina Comédia.

O Castor.

 

---Nova secção---

 

Ao ler  texto que se segue confirma que tem menos de 15 anos. Se já os tem, ou mais, temos pena.

 

 

Caros fiéis leitores com menos de 15 anos, que sei que os tenho: o texto que eu escrevi agora é uma coisa que tem a ver com aquilo a que os ingleses chamam non-sense. É como as piadas secas. Não quer dizer nada. Não tem sentido nenhum....mas nós rimo-nos (e às vezes, mais do que quando as coisas têm sentido). A diferença é que, aqui, não pretendo fazer ninguém rir. Nem sequer tem graça. Sou só eu a queixar-me para os meus botões. Isso é um bocado infantil. Mas eu também tenho direito a ser um bocado infantil, não tenho?

Hoje, a Irina disse-me que gostou do texto que escrevi sobre o Sardet. Obrigado, Irina. Eu nem sequer acho que tenha sido um grande texto. Mas é sempre bom quando gostam do que nós fazemos. Já te aconteceu escreveres um texto, a português ou a outra disciplina, onde te tenhas esforçado muito e de que gostavas muito e que, no entanto, te tenha valido uma nota de caca? Pois, ao ouvir o teu elogio senti exatamente o contrário: recebi um cinco quando estava à espera de ter um três menos. Sabe sempre bem.

Quanto à "Condição Humana"... eu sei que é um título esquisito. Se queres saber... eu mesmo não sei bem o que quer dizer. Só sei que é qualquer coisa que tem a ver com as coisas que nos fazem sofrer, com as coisas que nos fazem sorrir, com as coisas que nos fazem sermos humanos. Como sabes, somos animais. Mas somos diferentes dos outros animais em muitas coisas. Eu sei que aprendem na primária que somos animais racionais. Mas não é nada disso. Até porque os professores dizem que somos animais racionais mas, depois não dizem o que é que isso quer dizer. A condição humana, se calhar, é aquilo que nos diferencia das outras formas de vida. Os outros animais também sofrem, também morrem, também se sentem bem, às vezes... mas o ser humano tem consciência do que é sofrer. Tem consciência de que aquilo que faz vai interferir, para melhor ou para pior, com a vida de outras pessoas que também têm consciência de qualquer coisa. Eu não acho que o ser humano seja um animal racional. Racional quer dizer que utiliza a razão. Isso é uma treta: o ser humano raramente utiliza a razão. Mas tem consciência de alguma coisa. Todos nós temos consciência de alguma coisa. Temos consciência de que fizémos coisas más ou coisas boas. É por isso que eu fico irritado quando os meus alunos dizem que somos animais racionais. Nada disso. Somos animais conscientes.  E acredita que ninguém sabe se, realmente, somos assim tão diferentes dos outros animais. Por vezes não temos consciência daquilo que devíamos ter - mas aí é porque nos falta a razão e a boa vontade. Ainda é complicado? Eu sei. Mas é por isso que eu escrevo sobre a Condição Humana. Porque é complicado. As coisas simples falam por elas mesmas. Temos mesmo de falar daquilo que não entendemos. Se falarmos só sobre aquilo que entendemos, podemos ensinar alguma coisa aos outros, mas não aprendemos nada. Ficaste esclarecida? Não? Não te preocupes. Eu também não.

publicado por Manuel Anastácio às 22:51
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3 comentários:
De Tiago Peixoto a 23 de Junho de 2011 às 11:16
Genial o texto.´
Pelo menos 2 leitores fiéis com menos de 15 anos tem, já se tornou um hábito ter um separador aberto com o seu blog.
Apenas pela forma que as palavras me soam. Essas palavras soam a coerência, soam a verdade e a sentimento. As palavras deste blogue escorrem no texto exactamente como escorrem na mente de quem as escreve, e por isso não há nada melhor do que ler-se algo puro.

PS: Porque é que existem tantas paramécias numa infusão e os outros microrganismos não se criam com tanta frequência?
De Manuel Anastácio a 23 de Junho de 2011 às 11:58
Depende da infusão. Os seres vivos que existem em maior quantidade num determinado ambiente são aqueles que mais adaptados estão a esse ambiente, isto é, que conseguem obter nesse meio todas as condições necessárias ao seu desenvolvimento. Se a isso somarmos a falta de predadores que ajudem a controlar a população, mais esse ser vivo se reproduzirá. Mas repara que na infusão que viste as paramécias não eram as mais numerosas. Eram apenas as mais interessantes - mexiam-se mais, viam-se em maior pormenor. Havia outros microorganismos em maior quantidade mas eram mais pequenos e os nossos microscópicos não ajudavam a dar-lhes o protagonismo devido. Repara que as bactérias, por exemplo, são infinitamente mais numerosas e existiriam lá muitas... mas os nossos microscópios são limitados. As imagens que vimos ontem representam apenas uma escala da realidade. Tens de imaginar a uma escala ainda mais pequena. Um gigante que nos visse ao microscópio e não conseguisse ver seres vivos menores que um cão julgaria que os seres humanos são os mais numerosos. Mas na verdade, há mais galinhas que humanos... e moscas, ainda mais...

Obrigado pelo elogio, Tiago.
De Tiago Peixoto a 23 de Junho de 2011 às 12:00
Obrigado pelo esclarecimento.
O elogio, não tem de quê...

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