Domingo, 19 de Junho de 2011
XXXVIII

Mas sendo o BE esta confusão porque é que não desisto do BE? Porque esta confusão existe em qualquer partido, apenas é mais explorada neste momento por parte de necrófagos dentro e fora do partido, que viram na diminuição de votos o sinal da extinção. Pois, a minha posição é clara: mais importante que os partidos são as pessoas e as ideias. E mais duráveis que as pessoas, são as ideias. Extinga-se o BE. Isso não significará que as ideias de Justiça que defende venham a morrer. Morrerá um partido e o país ficará órfão da sua única consciência pluralista. Apenas porque alguém entende mal o pluralismo. Porque alguém - o povo todo, dentro e fora deste partido - julga que só pensando as mesmas coisas, dizendo as mesmas coisas e aceitando pesos diferentes nos lombos de cada um é que o país anda para a frente. Talvez seja, afinal. A Natureza é cruel. 

publicado por Manuel Anastácio às 12:25
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2 comentários:
De Teresa a 19 de Junho de 2011 às 12:59
Pois, ainda não tinha lido este post...
De Manuel Anastácio a 19 de Junho de 2011 às 22:56
Todos nós partilhamos de qualquer ideologia. Mesmo a dificuldade de "encaixarmos" numa ideologia pode ser considerada uma ideologia. Uma meta-ideologia porque se baseia em pressupostos ou princípios éticos e filosóficos que justificam a justeza dessa forma de pensar. Só consigo pensar numa Esquerda política justa se for uma Esquerda que se critique, que pense e não se ajuste de forma dogmática a uma doutrina política. Infelizmente esta meta-ideologia implica algum desconforto intelectual e por isso, as pessoas ou escolhem doutrinas, religiões, dogmas e lugares comuns (slogans políticos repetidos à exaustão - aliás, Barenboim faz uma certeira crítica ao slogan como negação do pensamento). É como trocar a religião pelo ceticismo. É uma escolha mais racional, mas deixa a pessoa desamparada. Para quem não tem religião, a ideologia fixa - ou seja, a doutrina política - vai ocupar o lugar da religião. Ora, qualquer âncora psicológica deste género apenas terá como resultado a cristalização da pessoa que deixa de poder evoluir em direcção a uma verdade que, não sendo jamais atingível, é desejável e justifica a nossa própria existência enquanto seres que pensam e que amam.

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