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Domingo, 29 de Maio de 2011
Irresponsabilidade

Tudo apodrece à nossa volta, é verdade.

E todas as promessas se diluem

Na atmosfera, em ondas que se afastam.

Tudo é sonho.

Tudo é mentira.

Tudo decai.

Tudo permanece em semi-vida

E de tudo irradia aniquilação.

As flores murcham no seu prazer e os frutos ficam só pelo rascunho

De um carpelo murcho e atrofiado.

Tudo permanece em silêncio, amarrado a silêncio,

Tudo silenciado, a não ser o gesto.

O teu gesto de ser, de avançar,

De acreditar sem esperar.

Tudo é esperança, tudo é lembrança,

Tudo é passado, destruído, arrasado,

Tudo morre à nossa volta,

Tudo nasce com a certeza de que terá fim.

É por isso que não somos tudo.

Estamos à parte. Tudo à nossa volta morre.

Menos nós. Ainda mais quando antecipadamente

Já morremos.

Porque a nossa decadência é a seiva que perfuma o ar

De um instante que outros sorverão com nostalgia.

Morreremos, também, um dia.

Mas outros por nós viverão

E aspirarão o doce odor da nossa irremediável, irresponsável

Utopia.

É por esse instante, que sendo nosso,

Não viveremos, que prestamos, em silêncio,

O nosso rito, enternecido,

A um Deus de Amor que é um grito.

Há no nosso sonho aflito

O renascer de um Deus para nós desconhecido.

Tudo é sonho.

Tudo é, à partida, perdido.

A não ser que o queiramos agarrar sem o merecer primeiro.

E só o merecemos se o deixarmos por nós esperar.

Tudo morre, tudo é sonho.

Tudo.

Menos nós, que não somos tudo.

Somos a parte de tudo dar.

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 21:57
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1 comentário:
De Guimarães 2012 dos Cidadãos a 1 de Junho de 2011 às 19:57
POR UMA CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA DOS CIDADÃOS

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Guimarães
Senhor Presidente do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães

No dia 29 de Março de 2011, o Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães tornou pública uma moção em que notou ser “indispensável criar condições para relançar a confiança e o entusiasmo em torno do projecto, de forma a garantir a adesão e apoio da comunidade vimaranense à Capital Europeia da Cultura 2012” e recomendou “ao Conselho de Administração que promova uma reflexão estratégica com vista a adoptar práticas que permitam uma ligação reforçada entre a CEC2012 e os agentes culturais, económicos e sociais de Guimarães e da região”.

Esta tomada de posição foi entendida pelos cidadãos signatários como um claro sinal de esperança de que ainda seria possível uma Capital Europeia da Cultura que envolva os cidadãos de Guimarães e promova uma imagem positiva da cidade.

No entanto, assim não o entendeu o principal destinatário da recomendação, o Conselho de Administração da FCG. Nos dois meses que entretanto decorreram, aprofundou-se o afastamento entre a entidade organizadora da CEC e os cidadãos e agentes culturais, económicos e sociais de Guimarães.

Com o recente afastamento do Director de Projecto, a estrutura da FCG ficou amputada do único elemento que funcionava como elo de ligação entre as diferentes áreas de programação. As sucessivas declarações, por parte do CA, de que a saída do Director do Projecto não acarreta um acréscimo de dificuldades, põem a claro um manifesto défice de percepção da realidade.

Os cidadãos de Guimarães já deram mostras de que, quando mobilizados, são capazes de dar respostas positivas e entusiásticas a situações adversas. A mobilização ainda é possível. Não será fácil recuperar o tempo perdido, mas ainda se irá a tempo de construir uma Capital Europeia da Cultura que dignifique Guimarães e Portugal.

Os signatários não se resignam a vir a ser os que tiveram nas mãos uma oportunidade única e a desperdiçaram. Convictos de que o divórcio entre o actual Conselho de Administração da FCG e os cidadãos de Guimarães é irreversível e nocivo para o sucesso da Capital Europeia da Cultura, apelam ao Presidente da Câmara Municipal de Guimarães e ao Presidente do Conselho Geral da FCG para que usem os meios ao seu alcance para que se encontre uma solução que infunda uma nova esperança neste projecto, dotando-o de novos protagonistas, que se identifiquem com Guimarães e que introduzam uma dinâmica no processo que possa suscitar o reforço do entusiasmo, da vitalidade e da energia dos vimaranenses.
Se concorda com este apelo público, assine o abaixo assinado POR UMA CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA DOS CIDADÃOS em www.peticaopublica.com (http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N10675)

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