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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
Eminem, "When I'm Gone"

 

 
Os textos de Eminem, profundamente complexos no seu discurso confessional, fazem-me retornar a eles com a frequência própria de uma veneração adolescente. Aqui fica uma primeira tradução apressada de um dos que mais gosto.
 
Sim!
É a minha vida.
As minhas próprias palavras, julgo eu.

 

Já amaram tanto uma pessoa, que por ela dessem um braço?

Não da boca para fora, literalmente, alguém por quem dessem um braço?

Quando ela sabia que era o teu peito,

E quando sabias que eras a sua única protecção,

Que destruirias o que quer que a magoasse,

Mas o que acontece quando contra ti se volta o Carma e assim te ataca?

E tudo aquilo que amas te cospe na cara?

Que farias, sendo tu a origem da sua dor?

"Pai, olha o que fiz", o pai tem de apanhar o avião
"Pai, onde está a mãe? Não a encontro, onde está ela?"
Não sei, Hailey, querida, vai brincar, o teu pai está ocupado
O Pai está a escrever uma canção, e a canção não se escreve sozinha...
Dou-te um empurrão, depois terás de balançar sozinha,
Enquanto voltas à canção e dizes que a amas
E pões as mãos em cima da mãe, que é cara chapada dela
É o Slim Shady, querida, sim, o Slim Shady maluco
O Shady fez-me, mas hoje vai cantar canções de embalar.
E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, não sofras por mim
E devolve-me um sorriso!
E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, simplesmente não sofras
E responde-me com um sorriso!

Continuo a sonhar com o mesmo, empurro Hailie no balouço

Ela grita, não quer que eu cante

A mãe está a chorar por tua causa, porquê, porque é que ela chora?

Querida, o Pai não já não se vai embora, "Pai, estás a mentir

Dizes sempre isso, dizes sempre que é a última vez,
"Mas desta vez não vais embora, Pai, és meu"
Empilha caixas à frente da porta, para me tapar a passagem
"Pai, por favor, não vás embora, Pai, não, pára"
E tira do bolso um pequeno colar com medalhão
Tem uma fotografia, "vai proteger-te, pai, leva-o contigo"
Levanto a vista e sou só eu frente ao espelho
Aposto que as putas das paredes falam, porque as ouço
E dizem "Mais uma oportunidade de fazer o que está certo", e é hoje à noite, decerto
Por isso vai já ter com elas e diz-lhes que as amas antes que seja tarde

E mal saio da porta do quarto,

Transforma-se tudo num palco, as luzes estão sobre mim

E eu canto..

E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, não sofras por mim
E devolve-me um sorriso!
E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, simplesmente não sofras
E responde-me com um sorriso!
Sessenta mil pessoas de pé, aos saltos
Fecham-se as cortinas e lançam-me rosas aos pés
Faço uma vénia e agradeço a todos por terem vindo
Grita tão alto a multidão e, num último relance
Desço o olhar e não acredito no que vejo
"Pai, sou eu, ajuda a Mãe, os pulsos dela estão a sangrar"
"Mas, querida, estamos na Suécia, como é que vieste aqui parar?"
"Segui-te, Papá, disseste que não nos ias deixar
Mentiste-me, Papá, e fazes a Mãe infeliz,
Trouxe-te esta medalha, diz "Pai número Um"
Era só isto, era só para te dar a medalha,
Já entendi, tudo bem, eu e a mãe estamos de saída"
Mas, querida, espera, "é tarde, Pai, tu é que escolheste
"Vai agora e mostra como os amas mais a eles que a nós
É o que eles querem, querem-te a ti, Marshall, eles continuam... a gritar por ti
Não admira que não consigas adormecer, toma outro comprimido
Sim, aposto que o farás. Fazes rap disso, torna-o real
Ouço aplausos, e todo este tempo estive cego
Como podia ser, com a cortina a cair sobre mim,
Olho em volta, encontro uma arma no chão, apanho-a
Aponto-a para os miolos e grito "morre Shady" e e aperto o gatilho
O céu escurece, a minha vida em clarões,
O avião em que devia ir, despenha-se, reduz-se a cinzas
Acordo então, com o despertador a tocar, há o canto de pássaros
É Primavera e Hailie balouça lá fora, dirijo-me para a Kim, beijo-a
Digo o quanto me faltou, Hailie sorri apenas e pisca o olho para a sua irmãzinha
Como que a dizer...
E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, não sofras por mim
E devolve-me um sorriso!
E quando eu for, continua, não chores
Alegra-te sempre que ouvires a minha voz
E fica a saber que vigiarei o teu sorriso
Eu, o insensível, Então, querida, simplesmente não sofras
E responde-me com um sorriso!
 

[Cai o pano, ouvem-se palmas]

publicado por Manuel Anastácio às 21:03
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1 comentário:
De glaucia lemos a 6 de Abril de 2011 às 22:25
Um amor muito bonito, como deveriam ser todos os amores, esse que tem sensibilidade para permanecer inteiro, em vigilância, por todas as circunstâncias. Não são muitas as pessoas a quem os fados assim presentearam, ainda que talvez algumas - ou muitas ao longo da vida - o mereçam.

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