Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
Sempre

 

 

Woodkid, Iron

 

Por vezes a dureza do ferro,

A algidez da dor,

O calor morno das lágrimas

E tu

Por vezes as palavras com que te seduzi

Ou com que pedi

A tua dor, as tuas lágrimas

E tu

Por vezes, o cheiro a eucalipto,

Um recanto interdito

O teu cheio a sobremesa abaunilhada

E tu, por vezes a minha face

Por vezes a tua

As duas, nenhuma

Por vezes um tom de voz

Um rasgo em nós, a algidez da dor

E o calor e tu. Por vezes um caminho,

Uma taça de vinho, amargo de lucidez,

Com a acidez de um único trago.

Cálice amargo em que te trago,

Imersa no meu veneno.

Por vezes, num tom obsceno,

Um olhar de mágoa dura,

Um jeito que ninguém atura.

Nada mais há para lá do círculo onde nos encontrámos.

Vimos estrelas e constelações,

Olhámos o fundos dos oceanos,

E para lá da esfera onde nos encontramos,

Por vezes ninguém, tantas vezes ninguém, quase sempre ninguém

Sempre ninguém, por vezes

Ninguém,

Tirando, imersos no éter e nas nebulosas, eu

E tu.

publicado por Manuel Anastácio às 21:00
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3 comentários:
De glaucia lemos a 9 de Abril de 2011 às 13:57
Quando amor é assim, é definitivo, há q ser sorvido para o bem ou para o mal. Os pares agregam-se por similitude e se vão preenchendo as lacunas mútuas, na sublime paz dos paraísos , como também nos mais obscuros e tormentosos mundos infernais. Se assim se reconhecem completos e felizes, também se sentem livres, em uma liberdade de escolher justamente a permanência no céu/inferno do tão grande, belo e significativo amor no qual se complementam. Cada par encontra sua fórmula satisfatória. Isso é realização.
De Manuel Anastácio a 11 de Abril de 2011 às 23:14
Gláucia. Nome que significa verde... mas, por vezes (como num célebre equívoco) parece ser azul, como o mar, de reflexos vários e fugidios sobre profundezas de dor. A Gláucia entende de espera, qual Penélope, porque entende de amor.

Gostei muito deste seu comentário. Mais que verde ou azul, foi límpido.
De glaucia lemos a 12 de Abril de 2011 às 02:13
E eu que pensei que após este comentário teria perdido o amigo. Pela objectividade com que me expressei, pelo inescrupuloso com qual tratei assunto delicado: amor complicado do qual falei quase transpondo o respeito a assunto alheio... Ainda bem fui bem compreendida. (Quero esquecer o célebre equívoco e tudo o mais q li e escutei no texto referente).Obrigada por entender minhas palavras, mais não foram q uma análise franca.

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