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Domingo, 13 de Março de 2011
Um dia, clap

 

De Terence Nance, a partir da canção de Pharoahe Monch, Clap (One Day)

 

Diz o pessoal, a malta toda, que um dia... o povo isto, o povo aquilo. Um dia. Um dia.

 

Virá, dizem, o dia em que o povo fará aquilo que tem a fazer. E que é o quê?

 

Ganhar consciência de quê? De classe, de raça, de perspectiva? Um arrepio sobe-me pela espinha. O povo humano não é constituído por insectos sociais prontos para o sacrifício - e quando cai na ilusão de que é, sacrifica-se por meia dúzia e não pela espécie no seu todo. Como os insetos sociais, aliás. O ser humano terá sempre a ânsia do pequeno grupo, mesmo quando embandeira pelo lado da maioria, bem paga, que ama os Khadafis deste mundo. Somos eternos adolescentes e até na morte, enquanto trincamos a pílula de estricnina e apertamos o gatilho que nos torne imprestáveis como troféu para o clã adversário, até na morte, enterrados nos bunkers em que nos fechámos, continuamos crentes de que um dia o nosso povo baterá os pés, as palmas das mãos, os cabos das forquilhas justificando a morte e humilhação a que não soubémos dizer não enquanto brincávamos aos pensadores, estrategas, líderes, professores e discípulos dedicados.

 

Um dia. Hoje. Descobriremos que é preciso sujar as mãos para plantar uma árvore, curar um bicho ou dar à luz uma criança. Por mais luvas de cirurgião que venham a ser usadas.

 

Basta de dizer basta.

 

Espreguiço-me. E vou ao frigorífico.

publicado por Manuel Anastácio às 14:29
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8 comentários:
De Silvério Salgueiro a 14 de Março de 2011 às 21:09
Há que meter mãos á obra, já que meter a mão na massa não dá para todos.
De Manuel Anastácio a 14 de Março de 2011 às 22:11
Oh Silvério, mas estás a querer roubar-me o protagonismo?... É que os teus comentários epigramáticos, ultimamente, têm sido do melhor que já li em termos de concisão e acerto...

Andas a ler Marco Valério Marcial?...
De Silvério Salgueiro a 15 de Março de 2011 às 14:13
Não é preciso ir tão atrás nem sair fora de portas, acabei de ler os 14 volumes de "O Diário " de Miguel Torga sempre atualíssimo .
De Manuel Anastácio a 15 de Março de 2011 às 22:05
Já foi maratona que corri... e não fiquei encontrei lá esse tipo de humor conciso e incisivo com que nos tens presenteado... creio que é estilo próprio e genuíno. Não se aprende com leituras.
De Manuel Anastácio a 15 de Março de 2011 às 22:15
Errata: onde se lê fiquei encontrei deve ler-se apenas encontrei. :)
De Silvério Salgueiro a 16 de Março de 2011 às 14:30
Será estilo próprio? Por vezes definem-me assim " este de vez em quando sai-se com umas boas". Será da leitura ? Da educação é que não é, senão até tu escreverias assim: " ha pois e se os políticos segui-cem estes exemplos não havia mas tais medidas de austeridade o povo e que tem de andar a trabalhar para eles terem uma vida de rico , se as tais medidas de poupada e cortes de salários partisse de quem os sugere , se nos votamos neles não e para nos roubarem e tarem a enxer o papo ," (Transcrição de um comentário critica no Facebook de uma conterrânea que se perfila como frequentadora da Escola Superior de Santarém).
Pior que não saber escrever é não perceber que escrevendo assim, o ricochete do conteúdo da critica atinge a atiradora em cheio.
De Manuel Anastácio a 16 de Março de 2011 às 21:06
Ui...
De Maria Helena a 16 de Março de 2011 às 08:18
(...)Não há tempo consumido/nem tempo de economizar. /O tempo é todo vestido /de amor e tempo de amar./ São mitos de calendário/tanto o ontem como o agora,/e o teu aniversário/ é um nascer a toda a hora/pois só quem ama/escutou o apelo da eternidade.(...)
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