Sábado, 12 de Março de 2011
Já que explodes...

 

 

 

Orelha Negra parece nome de organização secreta. E há, talvez, muito de secretismo narrativo num grupo de Hip Hop que consegue ir além dos tiques revoltados mas ociosos deste género cultural urbano. Da mesma forma, Vhlis, como assina o artista português Alexandre Farto, reinventa a arte de marcar o espaço urbano através de meio que só aparentemente é mais violento e subversivo que a vulgar graffitagem com latinhas de spray. O trabalho de Vhils consiste em rasgar o estuque das paredes através da colocação paciente de explosivos sobre a sua superfície. Se o resultado final é belo, o fascínio do fogo e da explosão pede mais que o simples divertimento perante as bombinhas de carnaval. Há nestas imagens lentas de um processo de destruição calculada a chave metafórica para a mudança do mundo, do indivíduo e da sociedade. Há, sempre, no acto de fazer nascer, um gesto de morte.

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publicado por Manuel Anastácio às 12:49
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