Sexta-feira, 11 de Março de 2011
Geração Y

Disse o RAP que esta geração tem mais nomes que o Belzebu. Incluindo os nomes que não lhe pertencem. Geração rasca foi o nome que alguém deu à minha. E eu até aceitei, até porque nunca me senti elemento da minha própria geração. Eu lia romances do século XIX equanto os meus colegas mais modernaços e cujos pais tinham contas que podiam comportar computadores que trabalhavam a DOS, e que agora nem sequer são googleáveis (os meus colegas, não os computadores), jogavam o Pacman (PEC- man - para quem não tenha entendido o trocadilho) que, como toda a gente sabe, era o Sócrates em forma de larva - antes desta geração, portanto.

 

Mas esta geração, primeiramente chamada "Geração parva", em honra da letra dos Deolinda, passou a "Geração à Rasca" - coisa que alguém já tinha dito da minha, também, em reação ao nome dada à minha geração, como já aqui foi dito, mas muito do aqui dito já foi dito, pelo que volta a ser dito apenas para que fique redito porque vale a pena redizer. Mas a minha geração, como esta, não existe. Não existem gerações no ser humano. Felizmente, procriamos quando queremos e como queremos ou mesmo sem querermos - e quando queremos e não podemos há bom remédio para isso. Por isso nascemos na Primavera como no Inverno, no Natal como no dia da Ascensão... é indiferente. Não existem gerações. A Bíblia conta as gerações de Adão a Jesus (por caminhos diferentes consoante o Evangelho, é certo), mas isso é treta. Se o caminho é outro, o número de gerações outro seria. Ou talvez seja. É treta. Existem gerações nas moscas e noutros bichos que morrem com a invernia e renascem com os calores da Páscoa. Os outros, ou sobrevivem ou hibernam (sobrevivem), mas não têm isso de gerações.

 

Esta geração - que não é uma geração, porque não existem gerações nos seres humanos - seria uma geração de estúpidos - parvos - se as outras também não fossem de estúpidos ou parvos.

 

Mas uma geração que se diz orgulhosamente contra os políticos e que junta no mesmo protesto "jovens" do Partido Socialista, "jovens" do Bloco de Esquerda e "jovens" do raios-que-os-partam não é uma geração - que não existe. É uma cambada de parvalhões que devia ter levado um bom par de lambadas na tromba na altura certa. A culpa de estarem mal não é deles. Mas não consta nos anáis que mereçam melhor sorte. Da mesma forma que a minha geração. Que não existe.

 

Só os insetos, insectos, aracnídeos e outros artrópodes é que têm gerações. Pertence à minha geração quem está vivo agora. Quem não está, morreu ou não nasceu. Ainda. . E viva a Lili Caneças, autora demasiado profunda para tal mentecapta geração. Que, já agora, já disse isto? Não existe.

 

Ou existe. Não há poesia sem paradoxo (sic-mais-ou-menos). Nem juventude sem parvalheira.

 

Às vezes sinto-me criança. Principalmente quando vejo jovens destes. Graças a Deus, quando for grande não hei de fazer figuras destas. Mereciam mais 20 anos de Sócrates. Mas Deus é Grande, e pior que Eu. E vai dar-lhes mais 25 de Passos Coelho. E toma que é para abrirem os olhos... mas para quê, se são cegos, meu Deus? Mas Deus, nem é meu, nem me responde (ao contrário de uma ficção inconsequente há algum tempo aqui publicada)... por isso, deixem-me rir enquanto não me toca a mim. Que não sou jovem.

 

Ainda.

 

A geração a que não pertenci. Mas que deu origem ao Sócrates.

 

A geração Y a que não pertenço... ah... já não é esta geração? É a anterior... peço desculpa, estou desactualizado. Se calhar. até pertenço e não sei.

publicado por Manuel Anastácio às 22:54
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2 comentários:
De Silvério Salgueiro a 12 de Março de 2011 às 08:07
Parva que é, vai roer o próprio pé para ajustá-lo a outro sapato.
De Manuel Anastácio a 12 de Março de 2011 às 09:40
Genialmente sintetizado.

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