Sábado, 10 de Junho de 2006
Ono no Komachi - Outono


Agora que chega
O Inverno da vida,
de cor esmaecido
é o teu afecto,
Qual folhagem derruída
Por chuva tardia de Outono.

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É amargo ver
o vento de Outono
nas espigas de arroz.
Temo que já não terei
Mais colheitas a fazer.

(Versão de Manuel Anastácio de dois poemas de Ono no Komachi,
a partir de traduções de Helen Craig McCullough)

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Gélido, o seu coração
Traz o Outono ao meu corpo.
Palavras amargas
Inda cairão
Como folhas em murmúrio.

(Versão de Manuel Anastácio de um poema de Ono no Komachi,
a partir de uma tradução de Hirshfield & Aratani)



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publicado por Manuel Anastácio às 23:40
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7 comentários:
De Carla Cristiana de Carvalho a 11 de Junho de 2006 às 01:01
A cada tradução tua de ono no komachi , acho que tentas iniciar comigo um diálogo cifrado, ou talvez seja outra coisa, talvez seja eu a tentar decifrar tudo o que não dizes e a ler nas tuas traduções os meus significados. Já me disseste que não e eu insisto em ler partes do nosso mundo aqui nas tuas traduções. E ainda que me digas que segues uma ordem que nada tem que ver connosco, ainda assim continuarei a tentar achar as semelhanças, as tangências ... ainda que recuse qualquer cor esmaecida no meu afecto.
De Manuel Anastácio a 11 de Junho de 2006 às 01:55
Pois... Eu não sinto que nenhum de nós esteja a chegar-se ao Inverno da vida... Nem pressinto no vento o presságio do fim. Apenas uma Primavera e um coração quente. Graças a Deus, as palavras acima são pura e exclusivamente de Ono... Fico triste por veres aqui qualquer parte do nosso mundo...
De Manuel Anastácio a 11 de Junho de 2006 às 02:00
As ambiguidades poéticas têm destas coisas...
De Carla Cristiana de Carvalho a 11 de Junho de 2006 às 02:12
Vi apenas os medos... e tu sabes tão bem que por vezes o Outono chega, mesmo quando menos o esperavamos. Essas palavras de que fala Ono... mesmo que eu não chame os ventos.

Volto em breve ao aconchego da nossa casa, ao calor dos teus braços, muito longe de Outonos e vendavais.
De Manuel Anastácio a 11 de Junho de 2006 às 02:58
A uma casa onde as brisas trazem aromas de tília, hortelã e 212... ;)

Li agora outro poema de Ono no Komachi, que ficará para outro post, e que te trará, talvez, leituras e interpretações deveras inquietantes:

This abandoned house
shining
in the mountain village --
how many nights
has autumn spent there?
(Tr. Hirshfield & Aratami)

Verias aqui alguma casa num alto de vendavais?
De Artur a 11 de Junho de 2006 às 08:58
Num perfeito contraste com estes dias de céu azul e calor abrasador.
De sandra a 11 de Junho de 2006 às 14:37
com este contraste entre a ilusão poética e a realidade, equilibras provavelmente a balança. até já sinto um vento na cara... fica bem e boa semana

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