Sábado, 5 de Fevereiro de 2011
Multiculturalismo

David Cameron, segundo o Público, "denuncia" o fracasso de décadas de multiculturalismo. Por partes: o verbo denunciar é usado com fins políticos e pressente-se a concordância entre o responsável pelo título e a "denúncia" efectuada. Só denunciamos o que é mau. E se David Cameron denunciou o multiculturalismo, então o multiculturalismo é uma coisa má. O pior, neste caso, é que David Cameron usou mal a palavra multiculturalismo, não da mesma forma que a coisa deplorável chamada Merkel também usou, há tempos atrás, quando disse estas palavras: "a perspectiva de que poderíamos construir uma sociedade multicultural, vivendo lado a lado e gozando da companhia uns dos outros, falhou. Falhou completamente". David Cameron chama multiculturalismo à prática de aceitar a diferença sem a integrar no país de acolhimento. Esse é, de facto, um problema e resulta da xenofobia de quem entra e de quem vê entrar. E Cameron acerta ao dizer que o Estado só pode apoiar organizações que prossigam os princípios sustentados na Carta dos Direitos Humanos. O Estado não deve apoiar organizações que discriminem as mulheres, por exemplo. Isso é puro bom senso. O discurso de Cameron não é, à partida, racista, ao contrário do discurso de Merkel. Mas basta ver a caixa de comentários desta notícia para ver como a cultura do ler por alto ajuda a alimentar o racismo e a xenofobia. As pessoas aplaudem, pensando que Cameron defendeu a expulsão daqueles que são diferentes - e Cameron, talvez já esperando a vaga de apoio (sem que se possa dizer que tenha sido racista), aproveitará, então, para, em nome do Estado, esquecer os princípios da Carta dos Direitos Humanos e tratar aqueles que são diferentes como seres não classificáveis como humanos. As pessoas... Talvez Merkel tenha razão. Não podemos, simplesmente, viver ao lado uns dos outros. O ser humano é apenas um bicho estúpido e tonto destinado à breve e inexorável extinção. Não por razões externas, como no caso dos dinossauros, mas devido ao desejo endógeno da sua própria destruição. O suicídio, comportamento até agora individual, é já a manifestação biológica a distinguir a nossa espécie das outras. Envergonho-me da espécie a que pertenço.

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publicado por Manuel Anastácio às 15:36
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3 comentários:
De 1128 a 7 de Fevereiro de 2011 às 19:47
Quem diz a verdade não merece castigo, basta observar o que se transformou as periferias de Londres, Paris, Lisboa, Amesterdão, etc..
Lisboa está sob ocupação africana e todos sabemos quem foram os responsáveis por deixarem entrar milhares deles sem controle, o Mário Soares e restante corja do sistema ps, psd, be, pcp, cds, tudo a contribuir para a destruição nacional. Obrigado por transformrem isto num futuro Kosovo.
força ao PNR
De Manuel Anastácio a 8 de Fevereiro de 2011 às 07:45
Vou resistir à minha tentação de eliminar este comentário. Dar a esta gente a ideia de que são perseguidos por defenderem ideias é dar-lhes a sensação de que têm, de fato, ideias.
De Maria Helena a 8 de Fevereiro de 2011 às 15:14
Nem mais.

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