.Últimos bocejos

. Os filhos não devem ser o...

. Todas as águas

. Todos os poemas

. Hold back your love, Whit...

. Hallelujah Money, Gorilla...

. 4

. 3

. Love & Hate, Michael Kiwa...

. T-shirt weather in the ma...

. Yonkers, Tyler, the Creat...

. 2

. 1

. i

. Anacreonte

. Educação do meu imbigo

. Voltei! Ou talvez não (co...

. Uma arte, de Elizabeth Bi...

. Uma arte, de Elizabeth Bi...

. Manual de Etiqueta e boa ...

. Aurora dos Pinheiros

. Versículos angélicos

. (19/01/2014)

. Cristianismo

. Arbeit macht frei

. Isso

. Limite

. Resignação solene

. LXXVIII

. Florentino Ariza num dia ...

. I've seen horrors... horr...

. Se bem me esqueço

. Enciclopédia Íntima: Pátr...

. LXXVII

. Experimental como o desti...

. Ruy do car(v)alhinho

. LXXVI

. Overgrown, James Blake

. MS MR - Hurricane

. Buscas pedidas: "filmes s...

. Para Thatcher

. S&M

. LXXV

. Mails da treta: Ímans e a...

. LXXIV

. Agnes Obel

. Amar, casar, perverter

. LXXIII

. LXXII

. LXXI

. Amar é dizer parvoíces

.Velharias

. Agosto 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Agosto 2016

. Maio 2016

. Janeiro 2015

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Janeiro 2006

. Novembro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Março 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

. Dezembro 2003

Domingo, 17 de Outubro de 2010
O Coelho das passas

No século XVII, Georg Franck von Frankenau (1643 - 1704), era autor, nas suas sátiras médicas, da primeira referência escrita ao Coelho da Páscoa.

Georg Franck von Frankenau (1643 - 1704)


 

As Sátiras Médicas de Frankenau têm este nome, não porque fossem sátiras no sentido mais vulgar dado ao termo, mas porque se incluem no contexto de produção bibliográfica da altura, muito empenhada em coligir fenómenos maravilhosos (mirabilia), muitos dos quais sem qualquer explicação e que, bem vistas as coisas, pouco vieram a acrescentar ao conhecimento humano, a não ser pelo lado anedótico, mais afim à cultura popular que à cultura científica. Desde supostos benefícios em comer vidro, até casos duvidosos de glossolalia, Frankenau vai juntando tudo no mesmo saco de uma literatura eclética saturada de curiosidades que, por vezes, se estendem a territórios de um vago erotismo. Daí o termo Sátira, segundo as palavras do próprio Frankenau: do latim satur, cheio, saturado ou,  também do latim Satura, que significa miscelânia ou, ainda, e alternativamente, em referência à obscenidade dos Sátiros ou ao substantivo grego sathê, que se referiria ao órgão sexual masculino. Não há intenção crítica, portanto, nestas Sátiras, rapsódias ou simples dissertações para gozo do espírito nas coisas raras ou exóticas do mundo. Infelizmente, não tenho acesso ao texto original, Satyrae Medicae, Continuatio XVIII: Disputatione ordinaria lisguinas de Ovis Paschalibus von Oster-Eyern , de 1682, onde o autor disserta sobre os efeitos nefastos do consumo exagerado de ovos da páscoa trazidos pela Osterhase, ou lebre da Páscoa, pelo que muitas dúvidas que tenho quanto ao teor do dito texto não poderão aqui ser cabalmente esclarecidas.

 

Independentemente do que diz este autor seminal do mito popular, sempre me pareceu óbvio que a ideia de pôr um mamífero a pôr ovos se deve à forma das fezes do mesmo, de forma esférica a oval, e não a qualquer simbologia onde se cruzaria o coelho como atributo de fertilidade e o ovo como símbolo da ressurreição. Trata-se de imaginar um coelho a pôr ovos, e isso é suficientemente ridículo para se saber que existe, na ideia original, muito da proverbial malandrice do povo. Na cultura popular há, ainda, a tendência para associar as fezes de diversos animais aos frutos secos, nomeadamente as castanhas e as passas, em expressões como "castanhas: um burro as caga, tu as apanhas" ou "passa seca", para designar qualquer tipo de caganita.

 

Lembrei-me de falar disto apenas porque, em plena época outonal no hemisfério norte, deu-se o nascimento, em Portugal, da figura tutelar e salvífica do Coelho das Passas, capaz do prodígio da postura de ovos fecais que o povo colecciona com particular devoção e devora com especial apetite. Frankenau, defensor da ingestão de pedaços de vidro, mas sábio defensor da temperança no que diz respeito ao consumo de ovos leporinos, ficaria, com certeza, enojado com tão asqueroso hábito de um povo que parece saído de um qualquer álbum de curiosidades do século XVI, ao lado dos antropófagos bicéfalos da Nova Guiné. Fica aqui o registo de tão invulgar e absurdo costume, esperando que me seja dado o crédito futuro de ter sido o primeiro autor desta notícia que, dado o efeito narcótico e alucinogénico dos ditos ovos, não é notado pelos próprios adeptos de tal dieta.

Artigos da mesma série: ,
publicado por Manuel Anastácio às 17:56
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
|
7 comentários:
De gláucia lemos a 18 de Outubro de 2010 às 02:31
Interessantíssimo este artigo. Conhecia a simbologia de fertilidade quanto ao coelho, e de ressurreição referente ao ovo de Páscoa, que a maioria das pessoas conhece, mas dos demais costumes nunca tivera notícia, e fiquei arrepiada com aquela coisa do burro ser o "distribuidor" das passas, ou castanhas. Principalmente porque gosto tanto de passas que acho que não vou deixar de comê-las por isso, mas que nunca mais vou esquecer essa história toda vez que estiver com uma caixinha de passas à mão rsrsrs .
Em tempo: Em meu comentário anterior referente ao poema Eternidade cometi uma desatenção terrível contra mim: "E HÁ quem diga que a sorrir." grafei "E A quem diga q a sorrir, isto é, o verbo haver sem H. Depois q reli fiquei vermelha. Espero q vc saiba que eu sei escrever o verbo haver :)
De Manuel Anastácio a 18 de Outubro de 2010 às 07:28
É apenas uma gralha... Não merece preocupação... :)
De Manuel Anastácio a 18 de Outubro de 2010 às 07:32
Ah: e nada contra as castanhas e as passas... falo das comestíveis, claro... :)
De Silvério a 18 de Outubro de 2010 às 21:25
Talvez só notem quando passarem as passas do Algarve.
De Manuel Anastácio a 18 de Outubro de 2010 às 23:19
Tiraste-me as passas dos incisivos.
De Silvério a 19 de Outubro de 2010 às 14:12
Em tempos de vacas magras e menos emissões de CO2, muitos portugueses pelos caminhos de Portugal apanharam “passas” de burro ( ou burnico ou burnisco, julgava ser um destes termos o sinónimo mas o santo Google não me ajudou ), não para lhe servirem de manjar, mas de fertilizante hortícola, o que pelas transformações da natureza tarde ou cedo lhes iam parar à mesa.
De Manuel Anastácio a 19 de Outubro de 2010 às 23:07
Também ando a investigar. De burnicos, burniscos ou bornicos só encontro mesmo os meus ouvidos que deles ouviram falar no nosso torrão natal...

Dizer de sua justiça

.Nada sobre mim
.pesquisar
 
.Agosto 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.Artigos da mesma série

. notas

. cinema

. livros

. poesia avulsa

. política

. só porque

. curtas

. arte

. guimarães

. música

. estupidez

. traduções

. wikipédia

. religião

. poesia i

. gosto de...

. ono no komachi

. narrativas

. tomas tranströmer

. buscas pedidas

. plantas

. arquitectura

. enciclopédia íntima

. blogues

. braga

. fábulas de esopo

. as quimeras

. gérard de nerval

. carvalhal

. animais

. blogs

. cultura popular

. disparates

. Herbário I

. poesia

. póvoa de lanhoso

. estevas

. pormenores

. umbigo

. bíblia

. ciência

. professores

. vilar formoso

. barcelos

. cinema e literatura

. coisas que vou escrevendo

. curtíssimas

. educação

. Guimarães

. rádio

. receitas

. ribeira da brunheta

. teatro

. vídeo

. da varanda

. economia

. família

. leitura

. lisboa

. mails da treta

. mértola

. Música

. os anéis de mercúrio

. cachorrada

. comida

. cores

. dança

. diário

. direita

. elogio da loucura

. escola

. esquerda

. flores de pedra

. hip hop

. história de portugal

. kitsch

. memória

. ópera

. profissão

. recortes

. rimas tontas

. sonetos de shakespeare

. terras de bouro

. trump

. Álbum de família

. alunos

. ângela merkel

. arte caseira

. aulas

. avaliação de professores

. ayre

. benjamin clementine

. citações

. crítica

. ecologia

. edgar allan poe

. ensino privado

. ensino público

. evolucionismo

. facebook

. todas as tags

.O que vou visitando
.Segredos
  • Escrevam-me

  • .Páginas que se referem a este site

    referer referrer referers referrers http_referer
    .Já passaram...
    .quem linka aqui
    Who links to me?
    .Outras estatísticas
    eXTReMe Tracker
    blogs SAPO
    .subscrever feeds