Terça-feira, 5 de Outubro de 2010
XIII

Pedro Passos Coelho acabou de dizer na televisão que o antigo modelo da caridadezinha das Misericórdias (que, muitas vezes, prestam apoio às populações de acordo com critérios confessionais) é o que convém ao país. E que o Estado, que não tem de intervir demasiado no incentivo à Ciência e na Saúde Pública, já que a Sociedade Civil tem capacidade para agir. Disse, basicamente, que o Serviço Nacional de Saúde, que é para todos, independentemente de raça, sexo ou credo, deve ser substituído por um modelo apoiado no Associativismo bairrista, onde podem ser excluídos aqueles que não peçam bênção ao abade da paróquia. Mas, por outro lado, diz a páginas tantas que o Estado deve apoiar estas instituições que nunca se assumiriam como serviço público para todos. E é este, provavelmente, o nosso próximo Primeiro Ministro. Quero, definitivamente, voltar para a Ilha. Perdoem-me o lugar comum.

 

PS - Não duvido de que existam instituições de caridade que fazem trabalho meritório e isento, virado para toda a população, sem olhar a quem. Mas esses poucos ou muitos verdadeiros cristãos são apenas alguns. E não podemos estar dependentes da bondade dos dirigentes de Instituições privadas. Isso parece-me claro e cristalino. Mas o povo lá irá, um dia destes, votar no homem que nos quer ver de novo a procurar migalhas de pão duro nas traseiras das mansões senhoriais e abrigo nas gafarias.

publicado por Manuel Anastácio às 12:46
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