Sexta-feira, 2 de Junho de 2006
Ono no Komachi - Sonhos como pérolas


Desde que, adormecendo,
O passei a encontrar,
Comecei a pressentir
Que é no sonho irreal
Que eu posso confiar.

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Em resposta a um poema em que alguém se
referia às suas lágrimas como pérolas:


Lágrimas que como pérolas
Se enrolam às mangas,
Só podem vir, penso eu,
De um coração mentiroso.
As minhas, contudo,
São como torrentes.

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Rendendo-me a um amor
Que não conhece limites,
Encontrar-nos-emos
Quando chegar a noite.
Porque o mundo não censura
Quem segue a via dos sonhos.
(Versão de poemas de Ono no Komachi, por Manuel Anastácio, a partir
da tradução de Helen Craig McCullough)
Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 19:50
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3 comentários:
De artur a 3 de Junho de 2006 às 19:05
Mesmo pelo contrário: o mundo censura precisamente aqueles que tentam viver os seus sonhos.
De Manuel Anastácio a 3 de Junho de 2006 às 19:20
Sim, concordo contigo. Mas a nossa poetisa fala mais de outra forma de viver os sonhos, em segredo. É apenas um comentário amargo à imposição da hipocrisia como caminho não censurável... Penso eu de que...
De Artur a 4 de Junho de 2006 às 17:48
Há sempre um nível depressivo mais profundo.

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