Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010
FIM

The End.

 

Ponto final.

Esta história morreu.

E, hoje, depois da história, o que há?

As crianças que adormeciam sobre o estrado quente do forno

Onde se cozera o pão de que,

Hoje,

Apenas tinham sentido o cheiro,

Ou os adolescentes que saíam agarrados

Depois do

The End

Creio,

Creio que é o início de uma bela amizade...

As crianças que adormeciam sobre o estrado quente do forno

Onde se cozera o pão de que,

Hoje,

Apenas tinham sentido o cheiro,

Ou os adolescentes que saíam agarrados do cinema

Onde as mãos acompanhavam a montagem e o melodrama

Com os lanços por dar de nova trama...

As crianças que adormeciam sobre o estrado quente do forno

Onde se cozera o pão de que,

Hoje,

Apenas tinham sentido o cheiro,

Ou os adolescentes que saíam agarrados

Nos olhos do outro, todos

Voltavam a uma vida falsa, sempre sonho, mas quente,

A vida a prazo do calor que persistia ainda na hora de acordar para o sacrifício

Ou a vida que nascia num amor só de início

E que nunca viria a ser.

As crianças que adormeciam sobre o estrado quente do forno

Onde se cozera o pão de que,

Hoje,

Apenas tinham sentido o cheiro,

Embaladas por histórias de princesas de qualquer anfíbia monarquia

Onde adormeciam as crianças, para bem das fadas,

Nos fornos onde se coziam, apenas, sonhos,

Na suavidade narcótica de um poema, na azia

De um arroto molhado pelo odor morto, azedo, pútrido,

De apenas mais uma criança, embalada,

Que morria.

publicado por Manuel Anastácio às 22:27
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1 comentário:
De Gerana a 5 de Outubro de 2010 às 02:50
Perfeito, forte, intenso, o grande poeta aqui presente com um poema que traz outro poema. Se bem lido, percebe-se. Grande!

Dizer de sua justiça

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