Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010
XI

No meio da estupidez colectiva que cada vez mais se diagnostica entre as crianças (e adultos, claro) da actualidade, a "era da informação", vou verificando que os inteligentes (mesmo crianças, e utilizando amostras aleatórias e não aferindo tal conclusão a partir de exemplos retirados "da net") são cada vez mais refinados. O digital não tornou as pessoas mais burras. Apenas juntou as pessoas mais burras em sacos mais estanques, dando-lhes a satisfatória sensação de que a sua burrice é o extremo da inteligência. Mas, por outro lado, permite que a solidão mais extrema, que é apanágio último da inteligência, deixe de ser um grito contra o nada, ou o estertor entre réstias de nada. O nada digital veio juntar solidões pequenas e transformá-las em grandes solidões. Em solidões devoradoras. Jamais algum ideólogo pensou na força de tais solidões, até porque, até ao momento, não existiam. Uma solidão é um buraco negro. Basta saber o mínimo sobre astrofísica para saber qual será o resultado deste fenómeno, se a analogia se mantiver...

 

Analogia.

 

Mas somos digitais ou analógicos?

 

Pois. Somos algo pior. Somos fábricas de devires não programáveis, não previsíveis, não nada. Que é tudo.

publicado por Manuel Anastácio às 22:17
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