Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010
IX

 

 

 

O gótico foi um estilo artístico medieval que se definia, estruturalmente, pela ascensão. Hoje em dia, os chamados góticos definem-se estruturalmente pelo peso e pela atracção pelo abismo. Sempre houve este desejo doentio pelo que morre e pelo que cai nas trevas. Valha-nos o Monte dos Vendavais. Nunca vi nenhum filme nem li nenhum livro da chamada "Saga" Twilight (apesar dos produtos anexos serem explícitos quanto à coisa) e os vampiros de agora são todos uns coisos que não vale a pena nomear. Que diferença entre esta vampiresca moda e o Nosferatu de Murnau... A profundidade do mito ao serviço da expressão da Condição Humana desceu (ou subiu - à superficialidade) às partes baixas dos adolescentes e,em vez de sangue, que segundo o Renfield do Bram Stocker, era vida, são as hormonas a ditar a lei da parte escura da alma. Talvez tenham razão. Calo-me. Às vezes a verdade vem ao de cima, quer dizer, à superfície, como o azeite - ou os elefantes.

 

Isto só para apresentar o vídeo da Florence Welsh. Gótico à moda moderna, para essa Saga que ainda não vi. E lembro-me, entretanto, que não apareci no lançamento do segundo volume da Lua da Anabela Lopes, porque não pude mesmo (ela deve julgar que não apareci porque não me deu a ler o livro antes, como tinha prometido inicialmente.... :| )... E não faço ideia onde é que o livro está à venda, por isso ainda continuo sem saber se a Lua, ao entrar na pré-adolescência, se rendeu à licantropia ou se tornou vestal... Entretanto, tenho umas resenhas sobre livros da Gláucia que estão a custar a parir. Muitas folhas, muitos apontamentos, muita responsabilidade nas palavras que aqui gravar, muito medo de meter os pés pelas mãos... Gláucia, uma coisa lhe garanto: não há dia que não passe desde há dois meses atrás (mais: a sua assinatura é de Maio, Deus meu!...) que não me julgue em dívida. Já escrevi muito sobre as suas palavras. O pior é dar-lhes luz. Banhá-las com a luz do sol que (antigamente) matava os vampiros. Tenho a "Trilha de Ausências" aqui ao lado. A capa vai dando sinais de uso. E o mesmo acontece ao Marujo Verde que, coitado, é obrigado pela minha insistência a voltar ao alcance da bocarra do Dragão de Komodoro ou das setas dos caçadores de cabeças... para não falar daquele cão azul nunca visto, saído da mochila amarela de Mariela... É assim, há meses para mim cheios, sem que deles reste registo fóssil ou outra coisa que aos outros preste.

 

Mas já falei de mais. Aliás. Hoje nem era para dizer coisa nenhuma. Falei e disse. E quem fala assim, na verdade... às vezes gagueja.

 

E queria aproveitar para mandar um beijinho e um abraço ou vice-versa, conjuntiva ou disjuntivamente... posso?... para... adivinhem. Esqueçam. Não vou mandar beijos para ninguém. Nem abraços. Se os querem, venham cá buscá-los, que é de graça.

 

Perdoem-me a parvoíce.

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publicado por Manuel Anastácio às 22:02
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