Domingo, 12 de Setembro de 2010
O Robin Hood era do PNR

Isto de roubar aos ricos para dar aos pobres, além de uma foleirice pegada inventada pelos capitalistas que ensinam desde cedo aos filhos que, no fundo, são pobres, é uma estratégia ficcional para recalcar qualquer sentido de revolta na consciência colectiva. Os pobres julgam, assim, que só é possível justiça social havendo alguém que roube. O que é ridículo. Em "The Kite Runner", "O Caçador de Pipas" no Brasil e "O Menino de Cabul" em Portugal, o pai de um menino explica-lhe, com um grande sentido de lucidez e humanidade, que roubar é o pior dos pecados. Matar é roubar a vida; mentir é roubar a verdade; trair é roubar a confiança. Uma sociedade justa não é aquela que rouba aos ricos para dar aos pobres, mas aquela que não permite que os ricos roubem aos pobres.

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publicado por Manuel Anastácio às 22:16
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6 comentários:
De Gerana a 13 de Setembro de 2010 às 01:13
Falou e disse (é uma expressão brasileira para dizer que vc está certíssimo).
De Manuel Anastácio a 13 de Setembro de 2010 às 08:04
Em Portugal também se usa. :)
De Silvério Salgueiro a 13 de Setembro de 2010 às 20:33
E quem fala assim não é gago.
De Jim de la Rocque a 15 de Setembro de 2010 às 14:14
Concordo, em grande parte com o que está dito no seu post mas esse título... só mmo para chamar a atenção porque não tem ponta por onde se pegue. Menos maus que isso seria... O Robin Wood é do Bloco de Esquerda. (pelo menos faria mais sentido)
De Manuel Anastácio a 15 de Setembro de 2010 às 17:45
Não. É do PNR. Mantenho o que digo no título. É livre de discordar, claro. Mas o título está em consonância com o que digo no texto. O PNR está apenas subentendido como extrema-direita ou conservadorismo. A minha opinião é que o Robin Hood não é, ou não deveria ser, uma figura considerada de esquerda.
De vabels a 4 de Novembro de 2010 às 01:03
Gostei muito! Evitar que os ricos roubem aos pobres!
Nem sempre colocamos os referenciais no seu sítio. E às vezes nem é difícil, está logo ali, ... mas não se vê.
Não podemos deixar de falar de um fenómeno muito português (não sei se há noutras instâncias): o financiamento partidário. Como funciona? Não sei, embora possa imaginar. Como se vê que engordam as vacas quando o respectivo partido esta na governança? Pela profusão de abertura de sedes partidárias. E o oposto, quando têm um ar miserável, fecham ou mudam de um local bom para um esconso? Pois, não estão na governança!
Ora, financiamentos ilegais não tiram o sono aos actores - acham totalmente legítimo, porqu enecessitam de viver, etc. Acho que sim, mas devia ser dentro de um quadro legal. Então porque não legislam em conformidade? Porque, para além de impopular, o benefício estender-se-ia a todos os partidos, mantendo-os mais capazes para a luta. Mau! Mas não é isso que deseja quem está no poleiro! Em resumo: rouba-se mas, "robinhoodmente" dá-se um nome de punhos de renda: financiamento ilegal.

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