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Domingo, 12 de Setembro de 2010
"Cinco" - Ópera do Centenário da República, e a responsabilidade de educar o gosto

 

Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini

 

 

Chegam-me notícias de que em Viseu, a "Ópera Cinco", que já me serviu de mote para um dos textos que mais me pesam na consciência, teve uma execução ainda mais trágica que em Guimarães, com gente a entrar em palco fora de tempo, com os actores a mudarem de roupa à vista do público, com o playback a tocar sem gente no palco. Quando escrevi o texto sobre a apresentação em Guimarães, ficou-me este a pesar na consciência porque sei bem o que é ouvir críticas destrutivas e como delas nada nasce a não ser desalento. Creio que esta companhia fez o melhor que conseguia - acontece que se propôs a fazer algo que não era, decididamente, para as suas unhas. Ainda para mais, parece-me que é tudo gente da minha família política. E isso obriga-me a ser ainda mais crítico e impiedoso. As boas intenções devem servir de farol para a nossa luta por um mundo melhor, mas não devem ser um opiáceo que nos iluda quanto à realidade do alcance das nossas mãos. E a Companhia DeMente tem os braços muito curtos. Precisa, em primeiro lugar, de desenvolver o gosto. Ser popular, chegar ao povo, não tem de ser abastardar o gosto. A função da cultura na sua aproximação aos públicos populares deve ser educativa, na busca do belo e do sublime. É preciso reaprender o que tornava o neorrealismo sublime: a contenção de meios e a intensificação da emoção pela exposição em bruto da realidade do ser humano nas suas misérias e também na sua redenção através do amor, da entrega e do sacrifício pelos outros. Esta companhia, ao querer fazer um espectáculo cheio de rococós tecnológicos não tendo sequer os meios e a capacidade técnica de os manejar, nem a sensibilidade estética de conceber algo belo e que toque a alma humana, precisa de beber dos clássicos. Há, por parte de alguns camaradas, uma certa tendência para insultar as elites, confundindo o elitismo económico, que deriva do funcionamento imoral da sociedade na produção e distribuição de riqueza, com o elitismo intelectual e estético. Ora, Bertold Brecht e Zeca Afonso, por exemplo, são exemplos de uma forma de elitismo cultural - se o próprio Bloco de Esquerda fosse anti-elitista no campo da cultura, teria de passar música pimba nos seus comícios, o que não faz e muito bem, ao contrário dos partidos de direita como o PSD ou o PP, esses sim anti-elitistas quando se trata de arrebanhar votos entre a população esfaimada que se atira às sardinhadas e porcos no espeto com que se conforta o estômago e se ganha a afeição e clubismo político de um Portugal alegre e voluntariamente escravizado, sendo mais inconstantes nos seus gostos estéticos quando se trata da vida privada dos seus dirigentes. Mas gostar só de música de intervenção não é ser elitista, é ser idiota chapado. A música, a literatura, a pintura, a arte em geral, é a expressão do ser humano na sua complexidade. Não somos apenas peças mecânicas destinadas a instaurar a Revolução. Temos alma, mesmo que essa alma seja um fenómeno material - isso é irrelevante. Se a sensibilidade é apenas para burgueses, a revolução é dispensável. A revolução económica só tem sentido se respeitarmos o ser humano na sua integridade. A fruição do sublime deve estar ao alcance de todos os que a procuram. E quem vai ver uma "Ópera popular" também vai à procura do sublime. E o sublime nasce das pequenas coisas e da compreensão do ser humano na sua profundidade e contradições. Não é através da ridicularização da família real portuguesa, desenhando-os como alarves sanguessugas que se acede a esse sublime. A revolução começa na consciência das multidões - e se não temos sardinhadas e porcos no espeto à discrição (e muito menos caviar, ao contrário do que se diz por aí),  fartamente regados com vinho de borla e canções do Quim Barreiros, cabe a quem procura fazer a Revolução servir ao povo, ao menos, aquilo que não depende de qualquer orçamento: a humildade de fazer coisas belas e profundas, mas de acordo com o que temos à mão. Foi essa a lição do neorrealismo. Não devíamos esquecer essas lições. Caso contrário seremos ainda piores que os conservadores mais o mau gosto dos seus espectáculos marialvas e grunhice tauromáquica.

publicado por Manuel Anastácio às 13:41
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1 comentário:
De Paulo a 12 de Setembro de 2010 às 21:20
Óptimo texto, Manuel.

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