Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010
Intermezzo

Viver é merda.

Morrer não se sabe o que é.

Mas merda menor não deve ser.

 

Cheirar mal é a essência da existência.

 

Existo, logo fedes.

 

E eu levo com o cheiro. É por isso que existo.

 

A poesia nasce de todo o tipo de merda: sofrimento, tendências suicidas, solidão, amor não correspondido, abandono, angústia. A poesia alegre é poesia pimba, própria de bêbedos e tarados sexuais - ou, na melhor hipótese, é poesia para crianças, poesia para aqueles que ignoram a verdade última das coisas.

 

E a verdade última das coisas, escatologia, é isso mesmo, a nitente efluência das cloacas.

 

Viver é merda.

 

Não viver nem isso deve ser.

publicado por Manuel Anastácio às 23:52
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4 comentários:
De bípede falante a 2 de Setembro de 2010 às 01:10
Eu gostei muitíssimo da sua escatologia! Nem percebi o cheiro do ralo, do vaso e da pia.
De Anónimo a 2 de Setembro de 2010 às 11:04
Vou pedir para desentupirem a fossa que já fede!

(mesmo com cheiro, ainda bem que voltou!)

Maria Helena
De Centelhas do outro a 3 de Setembro de 2010 às 14:14
"Cheirar mal é a essência da existência."
É isso.
Abraço, Manuel.
De Gerana Damulakis a 3 de Setembro de 2010 às 15:50
O pior de tudo é que este poema traz a verdade. É triste.

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