Domingo, 20 de Junho de 2010
O ano da morte do meu ortónimo

A Saramago, apesar de tudo

 

Quando o Senhor, do alto de uma nuvem extinta de papel celofane, disse

Faça-se tinta,

Houve uma gota caída no chão

Que a porosidade faminta do que é pequeno e vão destilou em narrativa e alegoria

Alheia à sua visão de céu e ira,

Calcada pelo ouro dos seus pés,

Ignorada do seu mundo de mentira.

Até que um dia, o Senhor caiu. E viu

Plasmado em chá embebido em grés,

O que apesar Dele se criou e Dele foi dividido,

Apesar de tudo, em tudo, e ao invés

Do que Dele, Nele fora, mas não para sempre, preterido.

 

E houve nele, e fora dele, um novo dia.

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publicado por Manuel Anastácio às 19:02
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2 comentários:
De glaucia lemos a 21 de Junho de 2010 às 01:23
Muito bom, muito bom mesmo. Estou aplaudindo. Beijo . Gláucia
De Gerana a 23 de Junho de 2010 às 02:28
Ah, Manuel, precisei fazer várias leituras. A gota me fascinou.
Bravo!

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