Sábado, 19 de Junho de 2010
Leitura Obscura

Naqueles dias,

debaixo dos ramos verdes que dos eucaliptos queimados,

em caos, irrompiam,

esperámos que, gravada na névoa dos horizontes,

se lesse um outro mandamento

escrito no suave movimento de entrelaçar,

como soíam ser aqueles dias.

Libertai-vos uns aos outros

Como eu vos quis libertar.

 

Naqueles dias,

debaixo das ramagens dos carvalhos torcidos

Foi-nos dada a senha,

Mas o entono da iniciação não nos irrigou a alma,

Nem nas minhas frontes se reflectia, em fluorescência, a tua imagem.

Naqueles dias não desci até ti com as tábuas,

Mas com as argolas de ouro com que se enfeitam os porcos.

Naqueles dias

Leste-me a alma no sumiço dos meus olhos

Naqueles dias

Em que as almas ainda se liam como os jornais,

Na diagonal.

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publicado por Manuel Anastácio às 10:22
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2 comentários:
De Gerana a 20 de Junho de 2010 às 02:38
De mestre.
E um verso como esse "Leste-me a alma no sumiço dos meus olhos": simplesmente especial!
De glaucia lemos a 20 de Junho de 2010 às 03:42
O ritmo envolve o leitor completamente e o tom bíblico dos versos fica cantando na alma. E encantando. Cada verso é um trecho de uma melodia que se prolonga. Adorei, Manuel.

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