Sábado, 5 de Junho de 2010
O Humor não é inocente. E quando incita ao ódio, é reprovável.

"Lisboa em ascensão turística.


A capital de Portugal, Lisboa, é a porta de entrada para a Europa. A cidade está em ascensão turística.
O idioma oficial é o português, mas fala-se fluentemente o espanhol.
Uma civilização marcada por diferentes costumes, de origem europeia e africana.
Sua arquitectura é essencialmente gótica. Banhada pelo Oceano Pacífico e tendo como principal rio o Tejo, Lisboa tem entre seus vultos históricos nomes importantes da história do Brasil, D. Pedro I e II, D. João VI e Dona Maria Leopoldina, entre outras, figuram em nomes de ruas, museus e demais patrimónios públicos.
Lisboa é uma cidade plana, de velhos mas bem conservados casarios, clima tropical húmido, temperatura variável, muito fria no inverno e quente no Verão, mas nada comparável ao calor brasileiro. Graças ao Estreito de Gilbratar, Portugal liga-se também ao Oceano Atlântico. O curioso é que quase 2/3 da capital portuguesa desapareceram após a II Guerra Mundial, mas o primeiro ministro de então, Marquês de Pombal, providenciou a recuperação das ruínas, com orientação de excelentes arquitectos, preservando a originalidade das construções. (...) "

 

Lisboa em ascensão turística

 

Esta "anedota" que circula na Internet, onde se informa logo no início que o texto é de uma revista brasileira de turismo, é um exemplo clássico de um tipo de humor que apenas serve o interesse de correntes xenófobas e racistas e utiliza determinadas artimanhas, também clássicas, de pura desinformação. A revista onde supostamente se escreveu isto é a "Turismo & Negócios". Insiro aqui um link para um artigo dessa revista onde se fala de Portugal e pode-se verificar que as informações constantes no artigo são, na sua generalidade correctas, ainda que eu mesmo não aprecie muito o estilo de escrita. Note-se, também, que os artigos são assinados. Ora, o texto que supostamente ali foi publicado não é atribuído a ninguém em específico, o que faz crer, desde logo, que se trata de um texto apócrifo. Contudo, para obviar a estes argumentos, alguém decidiu fazer um scan de uma parte de uma revista, que muitos leitores distraídos (aqueles que mais manipuláveis são) poderão considerar como sendo a própria revista. Ora, isso não é verdade. O excerto que se vê é da Revista "Mulher Moderna" que, acriticamente, e demonstrando grande falta de rigor jornalístico, se limitou a reproduzir a anedota que já circulava pela Internet. O que é interessante é que o interessado na divulgação deste pedaço de parvoíce decidiu, também, sublinhar os disparates. Suponho que porque pensa que os seus leitores precisam de ajuda a identificar os disparates. A estupidez é universal.

 

Entretanto fiz o que qualquer jornalista sério devia fazer em primeiro lugar: contactar os responsáveis pela revista para que se esclareça o que aconteceu.



publicado por Manuel Anastácio às 20:35
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2 comentários:
De Gerana a 8 de Junho de 2010 às 02:42
"Só há 2 coisas infinitas: o universo e a estupidez humana. E, quanto ao universo, tenho minhas dúvidas": Einstein.

No caso, há estupidez e ignorância. Fico com dificuldade em aceitar a tamanha ignorância do texto.
De glaucia lemos a 14 de Junho de 2010 às 18:43
Não importa o de que fala o texto, seu estilo, suas informações, sua origem. Estive em Portugal há um ano passado e adorei. A arquitetura fez-me sentir na minha cidade, primeira capital do Brasil, cujo casario construído naqueles séculos passados, foi justamente inspirado na arquitetura portuguesa. Amei a gentileza do seu povo, não senti a menor rejeição; embora alguns digam que portugueses discriminam brasileiros, não senti isso. Orgulhei-me da minha ancestralidade portuguesa .Quero voltar lá outras vezes, Deus há de querer que tal me aconteça sem muita demora.

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