Terça-feira, 1 de Junho de 2010
Ferreira Gullar

Uma parte de mim é todo mundo,

É sistema fechado, eternidade,

Outra parte é ninguém: fundo sem fundo,

Sistema aberto, transitoriedade.

 

No mais escuro leito do mar profundo,

Derramado em mórbida ambiguidade

O olhar e desejo moribundo

De uma sacra e defunta alacridade,

 

Queria ser átomo indivisível,

Ser, apenas, saber intuitivo.

Queria desprezar o concebível

 

E, esboroando-me, radioactivo,

Desejava que em mim fosse impossível

Tudo. Perfeito do indicativo.

publicado por Manuel Anastácio às 23:14
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