Terça-feira, 1 de Junho de 2010
Divagações 1

Não sou de Brufe.

 

Luto por direitos de que prescindo eu mesmo.

 

Um dia, em Berlim, junto ao Checkpoint Charlie, escrevi num caderninho algo sobre os produtos da Ives Rocher apenas porque alguém ao meu lado

 

dizia: Os produtos

 

Os cheiros.

 

Há aqui anticapitalistas.

 

Adeus Lenine. Sobre as ladeiras da Serra da Amarela

 

Não sou de Brufe. Mas comi lá. Tenho, portanto, algo de lá em mim assimilado.

 

Luto por direitos que em mim prescindo.

 

Luto e adormeço. Não me importo que a Bloquista da frente escreva Sicuta em vez de Cicuta. A ortografia é apenas um meio de legitimação de determinados círculos académicos a que não me importava de pertencer. Olho à volta.

 

Procuro rostos conhecidos além dos do Mota, do Frederico, dos Camaradas (gosto de dizer "camaradas": é antiquado, mas há algo de carinhoso nestas formas de tratamento anacrónicas) do quadrilátero minhoto e, além do Louçã, da Matias, do Rosas, da Ana Drago, do Gusmão (pessoal baixinho, ehehe), não vejo ninguém1. Sou um átomo de revolta.

 

Não. Não sou de Brufe. E não desisto de ver nos ateus a mais forte centelha da divindade.

 

1. Ninguém em mim. Excepto, claro, a minha orquídea.

publicado por Manuel Anastácio às 00:29
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