Quarta-feira, 24 de Maio de 2006
Ono no Komachi - Maresia e abandono


Não há aqui algas,
Neste braço de mar.
Será que não o sabe este pescador
Que insiste, em vão, em cansar as pernas?

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Mais amarga que a angústia
de sentir a carne contra carvão aceso
É esta despedida em Miyakoshima,
Indo um para a capital
Deixando o outro numa praia deserta.

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Ono no Komachi,
Traduzida por Manuel Anastácio, a partir de várias
versões em inglês.

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Pensei em Martim Codax (mais no segundo poema), ao
subverter/traduzir estes dois poemas:

Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo?
E ay Deus, se verra cedo!

Artigos da mesma série:
publicado por Manuel Anastácio às 23:24
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3 comentários:
De Helena a 25 de Maio de 2006 às 08:22
A fascinação por Ono no Komachi persiste e produz belos posts :)
De Artur a 25 de Maio de 2006 às 19:06
Estranhos poemas; ressoam com a nostalgia de pequenos momentos fugazes que caem no esquecimento.
De Manuel Anastácio a 25 de Maio de 2006 às 19:55
Não concordo muito. Não me parecem "momentos fugazes" mas marcos da vida emocional que se condensam em aforismos. Mas se te referes apenas à sonoridade (que apenas posso imaginar em japonês, mas, ainda assim, imagino), concordo contigo.

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