Segunda-feira, 10 de Maio de 2010
Regressaossur

 

Volto ao sul, contrário à luz,

com sombra como cauda de noiva empertigada.

Volto ao sul, e esqueço norte e orientação.

Volto ao nada.

Sul, desterro.

Amarelo.

Solidão.

Volto ao sul, e na luz apenas encontro,

Envolto, mas solto, o tom macilento e lento da escuridão.

Volto

Volto

Volto ao sul.

A esforço

Volto.

Volto-me.

E é tão difícil voltar à força da negação,

Quando o olhar derramado em verde

Se perde na imensidão

Das ondas, aonde, ondas, ondas do mar de Vigo,

Te encontro, Inimigo

Aonde te perco, ó meu amigo,

Aonde perco, te perco

Se vistes o meu amigo,

E contigo peco,

Contigo

...

Perco

Perco

o senso, esse sentido, orientação

Romagem, peregrinação,

Se vistes, tal como eu, o meu amigo.

Aquele que comigo, contigo, é perdido.

A norte. Perdido. Sem salvação.

Volto ao sul.

Ao sul da fecundação

E é cheio de sul e de sol

Que me entrego, amaldiçoado,

às unhas negras - sexy

da perdição.

Volto ao sul.

Mas dele já não sou.

Sou todo norte. Todo rocha. Todo vento. Todo culpa

e Tradição.

Religião.

Heresia austera.

Acusação.

Volto ao sul.

E trago nas unhas as garras

Com que agarro e com que afago, lento, macilento, a tua minha traição.

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publicado por Manuel Anastácio às 20:53
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2 comentários:
De Bípede falante a 10 de Maio de 2010 às 22:49
Hoje, estou com o espírito completamente imerso neste sul em que vivo. A música vestiu-me como se fosse eu uma clave.
De Gerana a 12 de Maio de 2010 às 03:54
Se vc soubesse de sua poesia, Manuel, jamais diria aquela não para ela.

Excelente. Estendi o tapete vermelho e tirei o chapéu. Quantas vezes já fiz isso para sua poesia, tantas.

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