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Segunda-feira, 22 de Março de 2010
Para quê saber a verdade? É muito mais importante que as histórias sejam interessantes que verdadeiras. Concorda?

 "Across The Universe," por Fiona Apple (letra de John Lennon), banda sonora do filme Pleasantville.

 

Tudo o que é interessante é, sempre, uma forma transfigurada de verdade. Uma história torna-se aborrecida quando lhe falta verdade. Não interessa, contudo, tanto saber a verdade, mas reconhecer a verdade. Um físico reconhece a verdade da equação pela sua beleza, pelo equilíbrio que comporta. Pode-se argumentar que quem conta uma história verídica de forma objectiva aborrece os seus ouvintes e que é preferível contá-la deturpando pormenores ou mesmo o seu conjunto, introduzindo a fantasia como elemento potenciador do interesse. Interesse esse que se confunde com a atenção dada à narrativa, ao envolvimento emocional do leitor perante aquilo que lê. Isso não é obrigatoriamente verdade. Há apenas formas diferentes de contar a mesma história, de acordo com a predisposição do ouvinte e de acordo com o seu substracto intelectual e emocional. Uma história contada objectivamente, extirpada de quaisquer intromissões da fantasia é tão interessante para o público capaz de a decodificar e capaz de avaliar a sua beleza intrínseca, quanto enfadonha para quem não está em posição de compreender o alcance da história e a luz que esta espalha sobre determinada região até então obscura desta imensa escuridão que é a realidade. Acontece que considero que tudo aquilo que é feito com verdade, seja verdade racional (lógica e matemática), seja verdade emocional (poética) lança sempre alguma luz sobre algum aspecto da realidade. Se não lança, a história torna-se desinteressante. Desinteressante porque não corresponde ao meu interesse. O capitalista que analisa as tendências do mercado move-se num conjunto de informações, ou histórias que nem sempre são verdadeiras; a contra-informação é interessante, neste sentido, apenas para quem a faz correr, de acordo com os seus interesses; quem está, contudo, dependente da correcta identificação do que é verdade, para bem do investimento do seu capital, atribuirá valor diferencial às histórias, de acordo com o interesse das mesmas para o sucesso do seu negócio. Há aqui também o valor da verdade – não o valor daquilo que é, independentemente da vontade ou interesse do indivíduo – mas o valor daquilo que é construído como sendo a verdade, de acordo com os interesses do investidor. Ora, com o poeta, com o esteta, com o filósofo ou com o contador de histórias, há também uma verdade que é construída e que depende sempre dos interesses que este comunga, ou finge comungar, com o seu leitor. O escritor místico deturpará algumas das mais lógicas conclusões ditadas pela sua lucidez de acordo com os interesses da sua consciência, comprometida numa determinada relação e num determinado investimento amoroso para com a ideia de Deus que, a dada altura da sua vida, adoptou. Contudo, qualquer deturpação, neste sentido, jamais deverá ser considerada como uma mentira, mas como a moldagem do pensamento desviante às formas do paradigma escolhido como imagem ideal da verdade. E para esse leitor, é interessante aquilo que, parecendo fazer perigar a integridade das suas convicções, a elas retorna. O interesse de qualquer história reside sempre no retorno ao ideal com que se descreve e representa a vida (enquanto parte translúcida da realidade que, também, engloba a opacidade da morte). É por isso que a parábola do filho pródigo será, sempre, a mais irredutível forma de uma história – o resto consistirá em florear a errância e o retorno com elementos digeríveis da verdade e realidade de cada um. O interesse que algo suscita depende da sua capacidade de assimilação às nossas estruturas mentais que, por sua vez, são sempre formas particulares de verdade. O que não significa que não exista uma verdade que transcenda todas as verdades particulares. Essa verdade é incognoscível na sua totalidade e até a Ciência, na sua demanda de objectividade, estará sempre condicionada pelas estruturas que dão uma forma a priori à realidade – por isso, até para os fazedores de Ciência, só será interessante aquilo que se adequa ao ideal de verdade que se procura. Mas também, quando nos deixamos envolver numa história desligada da realidade mensurável da verdade científica e cartesiana, seja na história do “Gato das Botas”, seja na “Alice no País das Maravilhas”, seja na “Metamorfose” de Kafka, é sempre à verdade da moral, do quotidiano e do sentido da vida que se volta no final. Nada nos interessará se não nos fizer voltar àquilo que estamos dispostos a admitir como verdade.

 

Para me deixar outras perguntas, a que tentarei responder com verdade, vá aqui.

 

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publicado por Manuel Anastácio às 00:09
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4 comentários:
De Gerana a 22 de Março de 2010 às 01:31
Concordo inteiramente.
É isso aí: "O que não significa que não exista uma verdade que transcenda todas as verdades particulares."
Excelente texto, Manuel.
De Maria Helena a 22 de Março de 2010 às 05:20
Esta questão surgiu-me quando me interessei pela história de uma bisavó rebelde e em que, a dada altura, no meio da confusão de dados em que mergulhei, "sonhei" com a formulação desta pergunta.
Aliás, ainda hoje me interrogo qual teria sido a resposta se Pilatos não tivesse virado as costas e saído porta fora :-)
E depois de ler a tua resposta fiquei, ainda, com mais perguntas.
Interessante :-)

De glaucia lemos a 31 de Março de 2010 às 15:38
A verdade de cada um é aquilo em que ele acredita, embora havendo uma verdade universal para cada coisa. Se a sua verdade lhe concede paz de espírito e consciência limpa, para que buscar as verdades alheias? A verdade de um conto inverosímil consiste no quanto o seu criador nele acredita. A verdade do escritor é sempre pessoal, existe no universo particular em que ele habita com suas personagens e seus acontecimentos. Duvidar disso não muda as coisas.
De Bípede falante a 11 de Abril de 2010 às 10:32
Brilhante!

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