Sexta-feira, 12 de Março de 2010
Sete pecados capitais: A Inveja

Os outros têm. Os outros são. Os outros mostram.

Eu, eu deixo de ser para desejar

Outro não ser que o que o que não sou. Não vendo.

Não crendo,

querendo, porém.

 

Do dia, não se intromete a luz nos meus olhos,

Nem em ninguém implodem primaveras recalcadas na informe geometria dos sonhos.

A brevidade das pétalas;

O germinar secreto das sementes que se furta à contemplação,

Não se inveja.

Só a espuma e o verdete inspiram veneração,

Como os planaltos.

 

                                     Temem-se abismos.

E no fundo de nós mesmos pousa areia

resignação turva por consolidar.

Nunca terei. Nunca serei.

Nunca o poderei demonstrar claramente.

 

Em ardente desejo de vidente evidência

Não ter é ser

 

pela metade

publicado por Manuel Anastácio às 00:56
link do post | Dizer de sua justiça | Adicionar aos favoritos
5 comentários:
De Gerana a 12 de Março de 2010 às 03:12
Que beleza, Manuel! Tem um verso que me tocou especialmente, acho que vou usá-lo em alguma ocasião.
Bom, bom, muito bom ler um poema assim.
De Maria Helena a 12 de Março de 2010 às 07:44
Não me sai nada.
Senti e gostei. Imenso.
De [] a 12 de Março de 2010 às 13:49
o mesmo sentimento surge como quando saboreio bluebird de Charles Bukowski, ou ouço Hurt de Johnny Cash, (com uma rodela de limão).
De glaucia lemos a 15 de Março de 2010 às 21:20
"germinar secreto das sementes que se furtam à contemplação". É isto mesmo. É o geminar do sentimento invejoso que nunca se mostra, não se deixa contemplar, pois dói no próprio invejoso se sentir invejoso. Então, que germine secretamente, escondido da contemplação alheia. Como sempre, Manuel, muitos aplausos para você, e um beijo. Glauca
De Nydia a 16 de Março de 2010 às 16:27
Cheguei aqui através do Blog da Gerana . Gostei imensamente do espaço e da tua poesia. Parabéns, poeta! Estarei por aqui. Abraços.

Dizer de sua justiça

.pesquisar