Domingo, 7 de Março de 2010
Soneto 1 de Shakespeare

 

Vénus. Jardins do Schloss Nordkirchen. Carregar na foto para os devidos créditos.


Da beleza desejamos semente,
Para que da rosa não morra o belo,
E, seguindo, a madura, o sol poente,
Seja relembrada em botão singelo.

No brilho dos teus olhos contraída,
Luz ardente a si mesmo se consome,
Por teu próprio e gentil imo ferida,
Mudas da abastança o leito em fome.

Tu, do mundo o mais viçoso ornamento,
E da Primavera exclusivo arauto,
Encerrado germen de órfão rebento,
Terno avaro, do desperdício incauto.

Ávido, do mundo tem piedade,
No devido, ou na morte, saciedade.

 

Tradução / versão de Manuel Anastácio

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publicado por Manuel Anastácio às 18:36
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3 comentários:
De Gerana a 7 de Março de 2010 às 21:34
Há muito sei da sua capacidade de tradução. Não sei se cheguei a dizer que estou num blog coletivo, Mínimo Ajuste, e que coloquei aquela sua tradução do poema de cummings, com os créditos, claro!
De Manuel Anastácio a 7 de Março de 2010 às 22:41
Sim, já sabia e vou acompanhando-o. Beijo.
De Maria Helena a 7 de Março de 2010 às 22:15
"Eu acho a vida bela e sinto-me livre.
Os céus dentro de mim são tão vastos como os que estão por cima de mim."

Etty Hillesum, in Diario

Da beleza fazemos semente.

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